Quarta-feira, 01 de Julho de 2026

ÚLTIMA HORA

Indo buscar o balde

Ontem acordei e me senti estranha. Não existia nenhum motivo especial, não aconteceu nada de ruim, a não ser pela penca de remédios que eu havia tomado na semana anterior e pela depressão de domingo que ainda não havia desgrudado do meu ser.
Era um misto de dor no corpo com preguiça com tristeza com ansiedade. Estava tudo cinza, tal qual essa primavera tímida que mal começou. Sim, está cedo ainda, mas é que dias de sol são tão esperançosos…menos ontem. Ontem o sol apareceu, mas podia jurar que não era ele. Saiu tão tímido, sorriso amarelo.
Enfim, eu estava em uma segunda-feira de bad. Não voltei para a academia, não assisti à aula EAD, não comprei comidas saudáveis, meu corpo clamava por alguma vitamina que eu não sabia qual era.
Para quem me perguntava se eu estava melhor, eu resolvia dizer a verdade (menos para alguns). Não estava bem. E então, sem antes terminar minha reclamação, a recíproca era bem pior. Então quem era eu para reclamar? Estava na moda, era só para me sentir melhor ou ninguém se importava mesmo? Enfim, presumi que a escolha da minha resposta foi infeliz, talvez só porque criamos essa cultura de sorrisos e felicidade sem limites.
Ontem, em especial, eu queria sumir. Não queria ver uma avalanche de conteúdo nas redes sociais, não queria entrar no Linkedin e ver como as pessoas são proativas e cultas. Não queria fazer as compras da semana, mas fui ao mercado só para comprar sucrilhos e panetone. Só queria pegar no sono e esperar um amanhã melhor. Fechei os olhos e comecei a imaginar todas as desgraças possíveis e imagináveis. Chorei. Dei um tapa na minha cara. Parei. Dormi.
Aí até eu diria: mas como você quer um amanhã melhor se você não fez nada de diferente e teve pensamentos impuros e ‘desgracentos’?
Às vezes é só a maré que não está para peixe. São muitos estímulos, muita cobrança. E produza, viu. Afinal, ser feliz podendo viajar o mundo é bem melhor, mas dê um tempo para apreciar o pôr do sol no seu bairro. Faça o que você ama, mas desde que dê dinheiro. E não esqueça de meditar. E fazer exercícios. E ter uma grande ideia. E entregar no prazo. E assista aquela live, compre aquele curso on-line, leia aquela coluna motivacional (?), aquela biografia, aquele documentário.
‘Pane no sistema alguém me desconfigurou’.
Nada é absoluto. Nem o que eu digo, nem o que você faz. Algumas coisas dependem de grandes feitos, outras de grandes mancadas. Algumas de um porre, outras de uma boa noite de sono. Cansei de lutar contra mim mesma e resolvi ser minha aliada.
‘Vou resolver esse pane indo dormir sem banho.’
Bom, o amanhã chegou. Acordei melhor. Mais cedo (também pudera, pela hora que fui dormir). Me sinto mais disposta. Se foi pelas horas de sono a mais, pelos remédios que estão saindo do organismo, pelo fato de ter feito um trato e ter que cumprir, não sei. Só sei que se ontem eu chutei o balde, hoje vou ter que ir buscar.

Respostas de 3

  1. Essa semana eu acordei me sentindo estranha também. Existiam motivos especiais para isso, aconteceram algumas coisas ruins, mas que geraram grandes aprendizados. Me sentia assim devido a penca de remédios para renite, para dormir, para dor no corpo e sabe-se-lá mais o que andei tomando.

    Era um misto de dor e tristeza, acompanhados de uma forte ansiedade. (esqueci de mencionar os ansiolíticos anteriormente). Estava tudo cinza, e nem a primavera recém começada não trazia cor para esses dias.

    Hoje em meio a fortes pancadas de chuva, o sol apareceu. Tal qual, como se fosse um sorriso em meio a tanta tristeza. Ele veio trazendo uma pontinha de esperança de dias melhores. Meio tímido, meio sem jeito, mas ali estava ele.

    Enfim, eu estava iniciando uma semana na bad. Contrariando tudo, fui pro inglês, pra academia, comprei comidas saudáveis, pelo menos essa parte do meu corpo estaria bem nutrida, porque o mental estava desabando.

    Para quem perguntava se eu estava bem, eu obviamente não podia dizer a verdade, para os próximos sabiam somente ao me olhar. Pensei e repensei incontáveis vezes, quem eu era, quem sou e quem eu gostaria de ser dali em diante. Será que alguém se importava com isso?
    Infelizmente às vezes precisamos sorrir sem querer fazer.

    O início desta semana, em especial, eu queria ter sumido, porque quando tudo parecia ter se resolvido, novamente veio uma onda e me derrubou. Eu não queria ver a felicidade (por mais que não verdadeira) dos outros no Instagram. Não queria ver textos lindos no Facebook e muito menos a proatividade e inteligência das pessoas no Likedin. Sem falar claro, nos empregos maravilhosos e milionários que as pessoas dizem ter em todas essas redes.

    Fui ao mercado somente comprar velas para poder ao menos rezar e pedir ajuda em paz. Chorei.
    Tomei um banho quente, deitei na cama e apaguei, obviamente sem dormir direito, de novo.

    Hoje ao acordar, me questionei como eu poderia fazer com que meu dia fosse melhor, e eu nem soube me responder. Talvez seja somente uma maré mesmo. São muitas cobranças. Muitos pepinos a serem resolvidos, é uma bagagem gigantesca do passado e do presente. Mas… produza viu?! Melhor chorar em Paris do que debaixo da ponte não é mesmo?! Já dizia um velho amigo meu.

    Nada é absoluto. Nem o que eu digo nem o que você faz. Algumas coisas dependem de outras pessoas para serem resolvidas. Outras dependem de grandes feitos, grandes decisões, um porre, ou uma boa noite de sono. Cansei de lutar contra tudo.

    Vou resolver tudo deixando acontecer naturalmente.

    O amanhã chegará. Acordarei melhor. Na mesma hora de sempre, com o despertador gritando em meus ouvidos. Eu estarei mais disposta, e não pelas horas de sono dormidas, mas porque pude enxergar quem é sol em meio a tanta tempestade. Sei que eu chutei mil baldes mas também sei que terei que buscar um a um, com a esperança de virem transbordando o bem e o amor.

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