Como a ansiedade e a baixa auto-estima podem afetar uma pessoa? Escolhemos para a “mostra” um corpo perfeito em sua funcionalidade e estética, no que diz respeito a patologias e, críticas(?). Por trás dessa perfeição, existe uma engrenagem finamente abastecida com doses altíssimas de ansiedade combinadas e uma lubrificação impecável de auto-estima baixa. O problema mais fácil e mais difícil de tratar, pois depende apenas de uma chave, invisível, que só aparece quando o desejo de mudar ‘vier do coração de uma donzela de coração puro’.
A vontade de enxergar todos os detalhes faz com que a visão fique turva, embaçada e quase inútil. A respiração ofegante e o coração acelerado roubam qualquer foco. A ampla visão tão desejada torna-se incapaz de arquivar imagens e detalhes. É como ter dois pássaros na mão, largar para os ver voando e não conseguir por causa do astigmatismo.
Apesar de pecar insistentemente, a situação lhe faz observar com outros sentidos, por assim dizer. Se é benfazejo ou não, vai depender de tantas coisas que nem conseguiria elencar.
A boca paga a falta de alento do coração. As palavras estão ordenadas e fazem tanto sentido antes de tocarem a atmosfera. Uma lástima para uma mente tão brilhante. O amor é como se os lábios fossem grandes pontes levadiças, que impedem que toda voz carregada de sentimentos saia do castelo.
As costas carregam um fardo tão pesado quanto segurar uma pena com o braço estendido. É leve até que precise ficar muito tempo nessa posição. O ombro protuso e a pelve em retroversão discursam sobre medos e traumas da infância, como um grito desesperado de tornar-se invisível e ocupar o menor espaço possível com suas moléculas. O mesmo vale para os movimentos, todos comprometidos com músculos encurtados pelo medo
de ser notada.
Do nada, você percebe que está apertando a mandíbula, como se tivesse segurando com força o último pedaço de carne. Suas mãos estão cerradas, respiração baixa, quadril para dentro e coluna enrolada. Do nada você pensa em porque seu parceiro (a) está com você. Coloca em cheque sua capacidade profissional e suas crenças. Compromete-se com mil e duas tarefas para provar que é útil. Se pune toda vez que precisa “perder tempo” cuidando da vida pessoal. Comprar comida e cozinhar, assistir um filme, ler um livro, secar o cabelo por completo. É assim que quer salvar o mundo? Enquanto você cozinha, tem alguém comprando a casa própria ou sendo recrutado pelo governo americano por sua incrível capacidade de conversar com heptapods.
No outro dia você se dá um tempo e diz que está tudo bem. Sente-se melhor depois daquela caminhada e da noite de sono bem dormida. Ainda bem que o sol apareceu, o dia parece que será tão promissor.
Contudo, quando o problema ainda o habita, é necessário atacar enquanto ele ainda dorme.

…do que podemos imaginar.

William Shakespeare