Ação simbólica reforça a conscientização sobre a violência contra a mulher e homenageia vítimas de feminicídio
A Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bento Gonçalves inaugurou, nesta segunda-feira, 30 de março, o Banco Vermelho, símbolo internacional de conscientização e enfrentamento ao feminicídio. Instalado como um marco de alerta e reflexão, o equipamento ultrapassa a função de mobiliário urbano e se consolida como um instrumento de mobilização social, convidando a comunidade a refletir sobre a violência de gênero e a agir em defesa da vida das mulheres.
A solenidade reuniu autoridades, representantes institucionais e membros da advocacia local, reforçando o compromisso da entidade com a promoção dos direitos humanos e o combate à violência.
Quando nasceu o projeto
De acordo com levantamento realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ao menos 10.655 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil entre os anos de 2015 e 2023. Segundo o relatório, o número no país cresceu 1,4% entre 2022 e 2023.
Com o intuito de chamar a atenção para esse cenário, foi lançado oficialmente no Brasil, em março de 2024, o projeto Panchine Rosse, Bancos Vermelhos, em português. A iniciativa é uma ação internacional da Stati Generali delle Donne (Estados Gerais das Mulheres – Brasil), uma organização da sociedade civil criada em 2014, na província de Pavia.
O projeto tem como objetivo sensibilizar a sociedade civil e gestores públicos em âmbito global sobre a gravidade e o avanço dos casos de feminicídio. A iniciativa teve seu primeiro marco em 2016, com a instalação de um banco vermelho na cidade de Lomello, localizada no norte da Itália, e desde então vem se expandindo internacionalmente como um símbolo de memória e conscientização. “O banco, no país, é um mobiliário muito comum, que temos nas calçadas, não só em metrôs, aeroportos e estações”, menciona Denise Argemi, coordenadora nacional dos Estados Gerais das Mulheres no Brasil e idealizadora do projeto internacional.
Denise explica que a origem da iniciativa remonta a um ato no México, protagonizado pela artista plástica mexicana Elina Chauvet, que perdeu a irmã vítima de feminicídio. Diante da dor, ela transformou o luto em manifestação e criou uma instalação com sapatos vermelhos, que rapidamente se espalhou pelo mundo e se consolidou como símbolo da luta contra a violência de gênero. À época, o país enfrentava um cenário alarmante, com uma média de 11 mulheres assassinadas por dia.
O projeto
Denise menciona que, no Brasil, os bancos estão sendo instalados desde março de 2024. “O primeiro, enquanto a Defensoria Pública lançava na rodoviária de Porto Alegre, eu estava na Câmara Legislativa, no Distrito Federal, lançando lá, em parceria com a Procuradoria-Geral do DF. E, de lá para cá, nós viemos instalando esses bancos. Em julho de 2024, Maria Reis, então deputada federal, fez a lei incluindo o projeto Bancos Vermelhos dentro do Agosto Lilás”, explica a coordenadora.
De acordo com Camile De Bacco Pasquali, presidente da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Bento Gonçalves, a iniciativa representa um importante símbolo de enfrentamento aos crimes. “Finaliza o mês de março, período em que projetamos diversas ações nesse sentido. Na semana passada, como já foi lembrado, realizamos o Dia D contra os feminicídios, com palestras em escolas voltadas a adolescentes. Agora, com a inauguração neste local, temos um marco e um lembrete a toda a sociedade sobre a importância da luta contra a violência doméstica, para que possamos, por meio de ações, reduzir os números dessa verdadeira epidemia”, frisa.
Ela relembrou que, em 2025, no Rio Grande do Sul, foram registrados 80 casos de feminicídio, conforme o Mapa do Feminicídio divulgado pela Polícia Civil. “A maioria deles, as vítimas não tinham sequer um boletim de ocorrência registrado. Então, esse banco é uma lembrança para denunciar, mesmo que você não tenha relação com a pessoa que está sendo agredida. A denúncia pode ser anônima e partir de um amigo ou familiar”, orienta.
Rede de apoio
Camile ressalta que o município conta com uma rede estruturada de apoio às mulheres em situação de violência doméstica, envolvendo a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), o Centro de Referência da Mulher que Vivencia Violência (Revivi) e a Coordenadoria da Mulher. “Somos uma cidade verdadeiramente privilegiada nesse sentido. No entanto, para que tudo funcione efetivamente, é fundamental que as pessoas saibam que ela existe e tenham coragem para agir”, frisa.
Outras ações
A presidente destaca que, no dia 25 deste mês, foram realizadas palestras em sete instituições de ensino de Bento Gonçalves, com foco na conscientização e prevenção da violência contra a mulher. “Os conteúdos abordam o que é o feminicídio, o que caracteriza a agressão doméstica, por que esses atos são tão graves e como esse processo nem sempre começa com agressões físicas. Trata-se de uma escalada que pode iniciar na falta de respeito e evoluir gradativamente até chegar à violência física, psicológica, que hoje também é criminalizada, e patrimonial”, explica.
A presidente também destaca o caráter acessível das ações educativas promovidas junto aos jovens. Segundo ela, as conversas com os alunos são conduzidas de forma simples e direta, sem juridiquês, para que os adolescentes compreendam a gravidade da violência contra a mulher e não reproduzam comportamentos muitas vezes naturalizados. Ela ressalta ainda que o machismo, por vezes, pode partir da própria mulher e que é fundamental desconstruir essas práticas, evidenciando que esse tipo de comportamento costuma começar de forma sutil e evoluir gradativamente.
Canais de Denúncia
- Disque 180;
- Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – DEAM;
- Patrulha Maria da Penha (3º BPAT): (54) 98414-9182;
- Coordenadoria da Mulher/Centro Revivi: WhatsApp (54) 99132-8148 (segunda a sexta, das 8h às 17h);
- Brigada Militar (Emergência): 190.