O aleitamento materno é reconhecido como uma das principais estratégias para garantir a saúde e o desenvolvimento dos bebês, além de trazer benefícios para as mães. Durante o Agosto Dourado, campanha dedicada à conscientização sobre a importância da amamentação, especialistas reforçam a necessidade de apoio às mulheres para que esse processo seja vivido de forma segura e acolhedora.
De acordo com a médica pediatra Graciele Schermack de Oliveira, os benefícios do aleitamento materno para a mãe e o bebê são amplamente comprovados pela ciência. Entre as evidências, ela afirma um estudo de coorte conduzido pelo epidemiologista César Victora, de Pelotas, que acompanhou uma mesma população por cerca de 30 anos e demonstrou impactos positivos da amamentação ao longo da vida. “Ele tinha uma coorte, e comprovou os benefícios do aleitamento materno, inclusive em aumento do QI das crianças que foram amamentadas até um ano de idade. Consequentemente, na idade adulta, essas crianças apresentaram melhores resultados, inclusive em relação aos salários”, afirma.

Benefícios
A pediatra ressalta que o leite materno traz benefícios tanto para o bebê quanto para a mãe. “Ele é rico em anticorpos, então ele melhora a questão imune das crianças, ele tem esse benefício de desenvolvimento e maturação cognitiva, o fato de ser amamentado no seio tam bém diminui o risco de mortalidade, já que essas crianças são adequadamente alimentadas, e tem a questão psicológica de vínculo afetivo também. O leite materno, ele é fundamental até os seis meses de idade exclusivamente, porque ele tem tudo aquilo que o bebê precisa nesse período”, frisa.
Em relação à mãe, Graciele conta que a amamentação também proporciona ganhos importantes para a saúde. “Redução no sangramento pós-parto, visto que o aleitamento estimula a contratilidade da musculatura do útero, reduzindo o tamanho e fazendo ele retornar mais rápido para manter o seu tamanho original, também previne, reduz o risco de câncer de mama, de ovário, e ajuda na perda de peso também, do retorno ao peso pré-gestacional”.
Desafios
A pediatra ressalta que a amamentação nem sempre é um processo simples e que exige adaptação tanto da mãe quanto do bebê. Conforme a especialista, o acompanhamento de profissionais capacitados é fundamental para orientar e dar segurança às famílias, especialmente diante das dificuldades que podem surgir. “Uma das principais dificuldades é a pega incorreta, que pode causar fissuras e dor, tornando a amamentação mais difícil. Além disso, ainda existem muitos mitos que abalam a confiança das mães, como a ideia de que o leite materno é fraco, de que não será produzido em quantidade suficiente ou de que quem não conseguiu amamentar um filho também não conseguirá amamentar os próximos. Em situações específicas isso pode acontecer, mas são exceções. Com orientação adequada e apoio, a maioria das mães consegue amamentar com suces so”, afirma.
Ela acrescenta que a rede de apoio exerce um papel essencial para o sucesso da amamentação. “Apesar de a amamentação ser, em grande parte, uma responsabilidade da mãe, a rede de apoio tem um papel fundamental ao oferecer o suporte necessário. É importante fortalecer a autoconfiança dessa mulher, auxiliá-la nos demais cuidados com o bebê e até mesmo no próprio autocuidado. Ajudar a posicionar o bebê, oferecer um copo de água ou proporcionar mais conforto durante as mamadas são gestos simples que fazem a diferença. Esse apoio é fundamental para que a mãe consiga vivenciar a amamentação de forma mais tranquila”, orienta.
Visão de quem amamenta
Para Aline Fernanda R. Pereira, mãe de Mariana Pereira Foscarini, amamentar a filha pela primeira vez foi uma experiência marcada pela superação, pela emoção e por uma profunda conexão com Deus. Segundo ela, perceber que seu próprio corpo é capaz de produzir um alimento completo, suficiente para suprir todas as necessidades do bebê nos primeiros meses de vida, foi algo transformador. “A amamentação representou a afirmação e presença de Deus na minha vida, através de momentos eternizados na minha alma, cada vez que eu vejo minha filha mamando eu agradeço e admiro do que somos capaz ao ser fonte de vida para um serzinho que já nasce com o instinto de procurar, aceitar e digerir este alimento, como um quebra–cabeça as peças se encaixam é lindo e natural”, relata.

Aline conta que a filha nasceu com baixo peso e precisou permanecer internada na UTI Neonatal durante os primeiros dias de vida. Nesse período, seu principal objetivo era manter a produção de leite para que a bebê pudesse ser alimentada e, posteriormente, amamentada diretamente no peito. “Ela nasceu com baixo peso, precisou ficar na UTI até ter peso sufi ciente, ela ficou 20 dias internada e sendo alimentada, com leite através de sonda”, conta.
Segundo ela, o apoio da família e da equipe do Banco de Leite Humano do Hospital Tacchini foi fundamental durante esse período. “No período que eu ganhei a minha filha e ela precisou ficar internada na UTI, logo após ao nascimento dela, precisei estimular o leite pra ir tirando, neste momento tive um acolhimento e orientação das profissionais do Banco de leite. Enquanto minha filha tinha o cuidado e o tempo que precisava para crescer eu fui acolhida no banco do leite e ali pude manter o meu vínculo e sabia que o que eu podia fazer naquele momento era cuidar deste alimento, que ela precisaria quando saísse da UTI, eu tirava o meu leite e era le vado para alimentá-la, desde o colostro cada gotinha sempre foi valorizada e assim qdo minha filha, no tempo dela, pode mamar eu tive leite e até hoje ela mama já vai fazer 1 ano este mês de agosto”, afirma a mãe.
Para Aline, a amamentação representa muito mais do que a alimentação do bebê. Segundo ela, esse período fortalece os vínculos entre mãe e filha e é marcado por amor, cuidado, conhecimento e confiança. “Não é só por sentir fome que minha filha corre pros meus braços e procura a mama é quando ela quer se acalmar, quando quer dormir, quando quer carinho, ela se sente protegida, sente o cheiro da mãe é um vínculo muito especial”, aponta.
“Esse momento é o mais lindo da minha vida”, diz Adriana Araldi
Assim como Aline Pereira, Adriana Araldi guarda a amamentação como uma das experiências mais marcantes da maternidade. Para ela, esse período foi vivido com intensidade e se tornou um momento único de conexão com sua filha, Maria Luiza. “Esse momento da amamentação é o mais lindo da minha vida, parecia que o mundo tinha parado e eu não queria saber de mais nada a não ser viver esse momento. Representou para mim conexão, amor, aconchego e segurança”, relata.
Adriana conta que um dos maiores desafios durante o período de amamentação foi lidar com a privação de sono. “Sabia que mesmo exausta ninguém faria isso por mim , eu precisava ser forte , mas sabia que Deus estava me sustentando”, afirma.
Ela diz que todos os períodos foram especiais, mas ressalta o momento em que o colostro desceu. “Foi quando pude ver o rostinho dela lambuzado de leite , foi uma sensação de alívio , como se fosse ‘eu consegui’”, recorda a mãe de Maria Luiza. Assim como para Aline, Adriana menciona que o apoio que recebeu foi fundamental. “Sem ele eu não conseguiria , meu marido foi o que mais apoiou nesse momento e as consultoras de amamentação são anjos”, relata.
Para Adriana, a amamentação vai muito além da nutrição. Segundo ela, esse momento fortalece o vínculo entre mãe e filho e proporciona uma conexão única, marcada pelo carinho e pela troca de afeto. “É o nosso momento, é uma conexão sem explicação, toda vez que ama mento eu me sinto preenchida, cada olhar, cada toque com suas mãozinhas, cada risadinha me renova por inteira”, afirma.




