A Prefeitura Municipal e a associação Voz Azul TEA irão realizar ações

Celebrado em 2 de abril, o Dia Mundial da Conscientização do Autismo reforça a importância da inclusão, do respeito e da garantia de direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A data também marca o início do Abril Azul, período dedicado à promoção de ações de conscientização em todo o país. Instituída pela Organização das Nações Unidas, a iniciativa busca ampliar o debate sobre o tema, combater o preconceito e incentivar o acesso ao diagnóstico precoce, ao tratamento adequado e a políticas públicas que garantam qualidade de vida às pessoas autistas e suas famílias.

O que é o Transtorno do Espectro Autista?
De acordo com o Ministério da Saúde, ele é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por desafios na comunicação e na interação social, além de padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos. O termo espectro é utilizado justamente para indicar a ampla variação de manifestações do transtorno, que pode se apresentar em diferentes níveis, desde quadros mais leves, que permitem maior autonomia, até situações que demandam suporte mais intensivo no dia a dia.

Dados
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revela que o Brasil possui cerca de 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o que corresponde a 7,3% da população com dois anos ou mais. Entre os dados inéditos, o Censo Demográfico de 2022 identificou, pela primeira vez, aproximadamente 2,4 milhões de pessoas com TEA no país. A divulgação desses números de forma separada atende à Lei nº 13.861/2019, que determina a inclusão de informações específicas sobre o autismo nos censos demográficos. As informações fazem parte dos resultados preliminares da amostra do levantamento.
De acordo com Silvana Alves, presidente da Associação Voz Azul e pedagoga, embora o número de diagnósticos tenha aumentado, principalmente em razão do maior acesso à informação e às avaliações, ainda há muitas pessoas sem o devido diagnóstico e acompanhamento adequado.

Silvana Alves, presidente da Associação Voz Azul e pedagoga

Conscientização
Ela destaca que a data é importante, pois é fundamental dar visibilidade ao autismo e às pessoas que muitas vezes são invisibilizadas. “Ele existe para combater o preconceito, levar informação correta e lembrar que pessoas autistas têm direitos, sonhos e potencial como qualquer outra pessoa”, menciona.
Ela destaca ainda que, ao longo de todo o mês, estão sendo promovidas diversas ações em Bento Gonçalves. Conhecido como Abril Azul, o período é marcado por iniciativas como palestras em escolas, rodas de conversa com famílias e campanhas nas redes sociais. A associação também realiza momentos de acolhimento e conscientização, com o objetivo de aproximar a comunidade da realidade das pessoas com autismo. “No dia 11 de abril, teremos nossa festa para as famílias, que será no ginásio do Bairro Santa Helena. Nesse dia, haverá brinquedos infláveis, pintura facial, lanches, doações de roupas, além de um momento de acolhimento às famílias. O evento é oferecido de forma gratuita pela associação. Também teremos, em 25/04, uma sessão de mágica, que acontecerá no Mundo Mágico de Elis e Ademar. Ainda na mesma data, faremos o pedágio solidário”, explica.

Principais desafios das famílias
Segundo a presidente, hoje, um dos maiores obstáculos é a inclusão, principalmente na escola. “Além disso, muitas famílias enfrentam dificuldade no acesso a terapias, diagnóstico e suporte, sobrecarga emocional e financeira, falta de políticas públicas efetivas. E existe algo que pouca gente vê: o desgaste emocional das famílias, principalmente das mães, que muitas vezes carregam tudo sozinhas”, aponta.
Ela menciona ainda que, apesar da campanha já existir há alguns anos, ainda há muito preconceito e desinformação. “Muitas pessoas ainda acreditam em mitos, como pensar que o autismo é uma doença ou que todas as pessoas autistas são iguais. Isso machuca, exclui e atrasa o processo de inclusão. Por isso, falar sobre o tema é tão importante”, esclarece.
O ambiente escolar desempenha um papel essencial na promoção da inclusão efetiva. “Isso envolve capacitar professores, adaptar atividades e, principalmente, ensinar empatia aos alunos. Uma escola inclusiva transforma não apenas o estudante autista, mas toda a sociedade”, destaca Silvana.

Voz Azul TEA
A presidente destaca que a associação é uma rede de apoio. “Nós acolhemos famílias, orientamos, lutamos por direitos e levamos informação para a comunidade. Além disso, muitas vezes auxiliamos as famílias com alimentos, medicações e consultas com especialistas. Também temos o projeto Faixa Azul, que oferece atividade física para crianças, adolescentes e seus familiares. Mas, acima de tudo, mostramos para essas mães que elas não estão sozinhas”, frisa.
Silvana destaca que, hoje, a associação atende cerca de 240 famílias, e o número cresce constantemente. “Isso mostra o quanto esse trabalho é necessário e o quanto ainda precisamos avançar como sociedade”, conta.

Diagnóstico
A pedagoga destaca que a identificação do transtorno pode ser observada tanto pelas famílias quanto pelas escolas. “Muitas vezes, observa-se um atraso na fala, uma dificuldade de interagir com outras pessoas e crianças, além da falta de contato visual. A partir daí, vem a avaliação com profissionais, como o neuropediatra ou psiquiatra infantil. Precisa ser um especialista para que ele possa avaliar essa criança ou adolescente”, esclarece.
Ela destaca que, em muitos casos, o diagnóstico é realizado de forma tardia, o que dificulta que o profissional faça uma avaliação adequada, baseada em critérios científicos, como os estabelecidos pelo DSM-5. “É avaliada a comunicação, a interação social, os padrões de comportamento dessa criança. E então, a partir do resultado positivo, essa criança é encaminhada, a família é orientada a procurar um atendimento multidisciplinar”, explica.
Quanto antes a criança receber o diagnóstico correto, mais cedo ela começa o acompanhamento adequado. “Com isso, procura-se recursos para que ela receba os estímulos certos, no momento certo, e assim consiga se desenvolver de forma funcional, para que, conforme avance em idade, possa ter uma vida mais independente”, destaca.
Diante disso, inicia-se também a busca pelos direitos da criança. “A família e a escola passam a entender o porquê ela entende de forma diferente, qual é a melhor maneira de intervir e de manejar os direitos dela, como a inclusão escolar e o atendimento com esses profissionais, que muitas vezes, pela rede pública, é difícil”, salienta.
Como mensagem final, Silvana Alves reforça o apelo por mais empatia e responsabilidade coletiva diante da realidade das pessoas com TEA. “Por trás de cada diagnóstico, existe uma criança, uma família, uma história. O autismo não precisa de julgamento, precisa de compreensão. Não precisa de exclusão, precisa de oportunidade. E nenhuma mãe deveria precisar lutar tanto para garantir o básico para o seu filho”, finaliza.