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Pais compartilham histórias que definem o significado da missão

A paternidade pode nascer do sangue, da escolha, da convivência diária ou dos desafios inesperados da vida. Em comum, todas essas experiências têm o amor, o cuidado e a dedicação. Neste Dia dos Pais, quatro histórias de Bento Gonçalves mostram que, embora cada família tenha sua própria trajetória, o significado de ser pai vai muito além de um título.

Pai de trigêmeos

Esposa Simone, filha Clara, Wanderley, filhos Bruno e Pedro Garcia

A notícia de que a família iria aumentar já era motivo de alegria, mas o que Wanderley José Garcia não imaginava era que a chegada dos filhos viria em dose tripla. Após um tratamento e a possibilidade de uma gestação múltipla ser anunciada pela médica, ele recebeu a confirmação de que seriam três bebês: Clara, Pedro e Bruno Garcia, hoje com 28 anos. A partir daquele momento, a rotina da família mudou completamente. “Não eram duas fraldas, mas sim várias. Nossa vida virou do avesso, pois de um casal na casa, de repente tinha oito, ou mais pessoas contando com babás que se revezavam, empregada, pai, mãe, sogro, sogra, um exército. Fraldas eu comprava direto do distribuidor e em fardos. Leite eram caixas e caixas”, relembra.

Segundo ele, a rotina naqueles primeiros momentos, era intensa: “Me sentia como estar em uma gincana com várias tarefas para cumprir e tempo curto para poder executar”, conta.

Entre os desafios, ele cita a necessidade de reorganizar a vida financeira e até mudar de residência, já que o apartamento planejado antes da chegada dos filhos acabou ficando pequeno para a nova realidade.

Uma curiosidade mencionada por Garcia, foi que quando pequenos os meninos não batiam em Clara. “Apesar do Bruno implicar bastante, ela beliscava eles, que não falavam nada e nem revidavam”, relembra.

Ele lembra de uma situação da infância em que percebeu o forte laço entre os três. “Sinto uma grande parceria e preocupação um com o outro. Isso me fez lembrar um fato de uma pequena discussão que estava acontecendo quando eles tinham uns cinco anos e fui ver o que estava acontecendo e defender o Bruno que estava reclamando da Clara. Quando eu fui chamar a atenção dela, o Bruno e o Pedro vieram pra cima de mim e disseram, “ pai não briga com a nossa irmã”, bem daí entendi que era melhor não me meter mais nas pequenas discussões deles”, conta Garcia.

O tempo, segundo ele, passou mais rápido do que imaginava. Ele recorda com carinho momentos da infância dos filhos, como os dias na escola, piscina, praia e as partidas de pebolim, uma paixão que permanece até hoje. Atualmente, cada um segue seu próprio caminho: Pedro conclui engenharia elétrica e mora com os pais; Bruno está próximo de concluir medicina e vive em Caxias do Sul; e Clara mora na Espanha, onde cursa artes cênicas e trabalha. “Eu faria tudo de novo e aproveitaria mais ainda cada momento da infância deles e queria estar lá quando eles chegassem, o que não foi possível devido não ter espaço físico na sala de parto”, comenta.

Para ele, o maior presente da paternidade é saber que o amor construído ao longo dos anos é recíproco. “Saber que os amo e sou muito amado por cada um deles, e me orgulhar de ser o exemplo de homem que eles admiram, é a maior realização. Eu tenho orgulho de ser pai deles”, conclui.

Homenagem: O que falar do nosso herói? Pai. Tu sempre foi exemplo pra nós 3 e isso não é uma novidade. Desde o nosso nascimento até o presente momento das nossas vidas tu nunca deixou de acreditar em nós. Tu nos incentiva a sermos pessoas melhores todos os dias ao lado da mãe. O amor nos une. Um por todos e todos por um! Te amamos pai.

O pai que escolheu oito filhos para amar

Rubem Corrêa dos Santos ao lado do seu filho André

Para Rubem Corrêa dos Santos, ser pai nunca esteve ligado aos laços de sangue. Pai de André, Lindomar, Jurandir, Tatiane, Andréia, Jurema (in memoriam), Beatris e Maria. Ao longo da vida, ele abriu as portas de casa para oito crianças que precisavam de acolhimento e construiu uma família baseada no amor, no cuidado e na presença. Policial aposentado, ele conta que os filhos foram aparecendo em sua vida. “Criei eles com bastante dificuldade, mas com muito carinho e amor”, conta.

Mais do que oferecer um lar, Ruben procurou ensinar valores. Mesmo trabalhando muito, fazia questão de conversar com os filhos, incentivar os estudos e mostrar a importância do trabalho honesto. “Quando chegava em casa, conversava com eles, explicava para eles o que era ter uma vida honesta. Sempre dizia: estudem para não depender de ninguém”, conta.

Um dos momentos que mais marcaram Ruben aconteceu quando uma das filhas gostaria de encontrar o pai biológico. Ao ouvir a irmã dizer que o verdadeiro pai era quem a havia criado, ele percebeu que todo o esforço tinha valido a pena. “Meu pai está aqui. Me criou, me deu comida, colégio…” relembra. Neste momento, ele frisa: “O pai eu acho que é aquele que cria”.

Ele conta que, mesmo com a rotina intensa de trabalho, encontrava pequenas formas de demonstrar carinho aos filhos. Todos os dias, ao chegar em casa, deixava uma bala ao lado da cama de cada um como um gesto de afeto. “Eu saía cedo e voltava tarde, muitas vezes não tinha tempo de vê-los”, conta. Com o passar dos anos, os filhos cresceram e começaram a seguir seus próprios caminhos. “Foi uma escadinha, cada um foi fazendo a sua vida”, relembra. Para ele, ser pai é demonstração de afeto, amor e cuidado.

Homenagem dos filhos André dos Santos e Beatris dos Santos Nunes: Pai, obrigado por ser meu guia, meu herói e meu porto seguro. Cada conselho e abraço é exemplo de força e moldaram quem sou hoje. Te amo muito meu pai. Ele sempre foi um bom pai, nunca deixou faltar nada, trabalhava em dois serviços para dar tudo que a gente precisava. E sempre nos ensinou as coisas boas, as coisas certas, a ter responsabilidade com as nossas contas, com o nosso nome. Uma pessoa muito boa, que só tenho a agradecer a Deus por ele ter existido em nossas vidas, porque ele é um ótimo pai, avô, e bisavô.

No tatame e na vida

Wilson Giovanni Martinez Tuiran ao lado das filhas , Victoria Amélia, Alexa Sophia e Rebecca

Para Wilson Giovanni Martinez Tuiran, o Jiu-Jitsu nunca foi apenas uma modalidade esportiva. O que começou como uma preocupação de pai com a segurança das três filhas se transformou em uma experiência compartilhada, capaz de fortalecer vínculos, ensinar valores e criar memórias que vão muito além do tatame. “Sempre pensei que elas precisam treinar alguma arte marcial ou saber de defesa pessoal. Então isso estava aqui na minha cabeça e a gente começou a procurar. Encontramos o Jiu Jitsu e foi uma das melhores decisões da minha vida”, relata.

Pai de três meninas, Victoria Amélia, Alexa Sophia e Rebecca de Los Angeles Martinez, conta que seu envolvimento no esporte veio devido ao acompanhamento das filhas. “Elas começaram a querer participar e eu queria estar junto. Mas como que vou estar junto ou como que vou querer transmitir algo que eu não sei? Então acordou essa parte de querer fazer também esse esporte e comecei a treinar com elas”, menciona.

Para Tuiran, dividir o tatame com as filhas representa uma oportunidade rara de estar presente em uma rotina que muitas vezes é tomada pelo trabalho e pelas responsabilidades. “O pai as vezes fica um pouquinho do lado porque ele acha que sua responsabilidade é só prover o dinheiro, o alimento, e tudo mais. Mas para mim envolve mais que isso. Eu sempre queria ser mais presente, desde que elas chegaram na minha vida, um vínculo bem pertinho com elas”, diz.

Entre tantas lembranças, uma das mais marcantes aconteceu em julho, durante o Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, em São Paulo. Wilson disputava uma final quando ouviu a voz da filha na arquibancada. “Eu estava perdendo já por dois minutos. E minha filha mais velha estava junto na arquibancada e ela gritou, pai, só 40 segundos, é agora ou nada, só 40 segundos”, relembra emocionado. O resultado foi a conquista do título brasileiro, mas, para ele, a maior vitória foi compartilhar aquele momento ao lado dela. “E isso foi tipo um combustível, a voz da minha filha, eu sabia que ela estava ali, que só conseguimos estar nós dois”, ressalta. Segundo ele, apesar de compartilharem a mesma paixão pelo esporte e treinarem juntas, cada uma desenvolveu uma identidade própria dentro e fora do tatame.

A rotina exige organização. Entre trabalho, escola, estudos, e treinos diários, a família mantém uma agenda intensa. “Mesmo cansado, a gente vai para o treino. É algo que nos mantém unidos”, observa. Ao lado da esposa Maria de Los Angeles Montenegro, Wilson ressalta que a trajetória da família só é possível porque todos atuam como uma equipe. Para ele, o Jiu-Jitsu vai muito além das competições e representa uma ferramenta de aprendizado, disciplina e preparação para a vida. “O pai de menina precisa entender que é importante conhecer uma arte marcial. Não é apenas para competir, mas para adquirir conhecimento, disciplina e saber se defender, caso um dia seja necessário”, afirma.

Homenagem: Nós, como irmãs, somos muito gratas aos nossos pais por todo o apoio,incentivo e amor. Em especial, ao nosso pai, Wilson Martinez, que nos apresentou o jiu-jítsu e acreditou em nós desde o começo. Se não fosse por ele, talvez nunca tivéssemos iniciado essa jornada. Também agradecemos à nossa mãe, Maria Montenegro, por estar sempre ao nosso lado, nos apoiando em cada desafio e conquista. Tudo o que alcançamos hoje também é fruto do amor e da dedicação deles.

Pai e filho caminhoneiros

Airton ao lado do filho Anderson Stefenon

Para Airton José Stefenon, dividir as rodovias com o filho Anderson é a continuidade de uma história construída desde a infância. Ambos trabalham na Anderle Transportes. O pai conta que sempre esteve ligado à profissão de motorista e encontrou no filho a oportunidade de compartilhar esse caminho. “Para mim é muito gratificante. Eu também comecei como motorista e ensinei meu filho a trabalhar com caminhão. Desde pequeno, ele viajava comigo”, conta.

Ao perceber que ele escolheria a mesma profissão, Airton sentiu orgulho e confiança. Mesmo conhecendo os desafios da rotina nas rodovias, ele afirma que nunca teve receio da capacidade de Anderson. “Não tive medo em momento algum, pois eu sabia da capacidade dele em conduzir um caminhão”, relata.

Com anos de experiência ao volante, ele fez questão de transmitir ao filho valores que considera essenciais para quem vive nas rodovias. Mais do que dominar o caminhão, para ele, um bom motorista precisa entender a responsabilidade que carrega. “Tem que ter humildade, paciência e muita dedicação”, afirma.

Além de Anderson, Airton também é pai de outros dois filhos. Para ele, acompanhar a trajetória dos filhos é uma das maiores realizações da vida. “É uma sensação maravilhosa. Só quem é pai sabe. Tenho três filhos, um homem e duas mulheres”, diz.

Mesmo trabalhando em caminhões diferentes, pai e filho seguem conectados pela mesma profissão e pelos ensinamentos compartilhados ao longo dos anos. “É ver que a paixão que começou comigo continua nele e saber que não tô sozinho. Mesmo cada um em seu caminhão, eu sei que ele tá levando com ele tudo que eu aprendi. Isso, pra mim, é o maior presente de Dia dos Pais”, menciona.

Homenagem: Poder trabalhar com meu pai na mesma profissão e na mesma empresa é como se eu voltasse no passado, quando podia viajar junto, eu passei a maior parte da minha infância dentro do caminhão com ele, olhando como ele fazia, admirando ele a conduzir. Enfrentando as dificuldades da estrada… Me fez querer seguir a profissão… E hoje sendo motorista, admiro ainda mais meu pai, pois ele foi forte, não se tinha a tecnologia de hoje e ele fazia parecer tão fácil… E hoje é tão bom podermos nos encontrar nas viagens, parar para tomar um chimarrão, fazer um café, um almoço e poder conversar. Agradeço a Anderle Transportes, por nós conceder esse privilégio de trabalharmos juntos e termos mais tempo junto. Te amo pai.

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