Reconhecimento do Ministério da Cultura fortalece ações de educação antirracista, amplia acesso a recursos e consolida o coletivo como referência no Estado

O Movimento Negro Raízes, fundado em 2018, foi reconhecido oficialmente como Ponto de Cultura em Bento Gonçalves. A certificação foi concedida no dia 20 de março pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural, após o cumprimento dos critérios da Política Nacional Cultura Viva.

A conquista marca um novo momento para o coletivo, que ao longo dos últimos anos vem acumulando reconhecimentos por sua atuação cultural e social no município, na região e em todo o Rio Grande do Sul. Hoje, o grupo é considerado uma das principais referências do movimento negro no Estado, com iniciativas voltadas à educação antirracista, ao fortalecimento da identidade e ao protagonismo da população negra.

Reconhecimento e impacto

Na avaliação da coordenação, o título representa mais do que uma certificação formal. “Tornar-se um Ponto de Cultura que representa um reconhecimento nacional pelo Ministério da Cultura, consolida a trajetória do movimento como agente de transformação social e cultural”, afirma o coordenador Marcus Flávio Dutra Ribeiro.

Ele destaca que, na prática, o reconhecimento fortalece a legitimidade do grupo, amplia a visibilidade das ações e insere o movimento em uma rede nacional de iniciativas voltadas à cultura e à cidadania.

Segundo ele, esse novo status também abre caminhos para a ampliação das atividades e articulações.
Ele ressalta que o título também fortalece a credibilidade institucional do coletivo em processos de captação e na construção de parcerias. De acordo com o coordenador, o grupo já se organiza para participar de novas oportunidades e ampliar sua rede de apoio.

Educação antirracista

As ações do Movimento Negro Raízes têm como foco a conscientização e a formação social. Oficinas, rodas de conversa e eventos culturais estão entre as estratégias utilizadas para estimular o debate e ampliar o entendimento sobre questões sociais. “Também dialogamos com escolas, empresas e instituições, contribuindo para uma educação mais inclusiva e antirracista”, explica o coordenador, ao destacar o alcance das iniciativas para além das atividades internas do movimento.

Visibilidade

Mesmo em uma cidade que não é historicamente associada à cultura negra, o movimento tem contribuído para ampliar o debate e dar visibilidade a comunidade. “Embora muitas vezes invisibilizada, a presença negra sempre existiu no município e na região. Hoje, vemos um movimento crescente de reconhecimento”, observa.

Ele aponta que, apesar dos desafios, há avanços no espaço público e maior abertura para discussões relacionadas ao tema.

Expansão regional

O Movimento também ampliou sua atuação para além de Bento Gonçalves. Desde novembro de 2025, o grupo formalizou sua presença em municípios como Pelotas, São Lourenço do Sul, Santa Vitória do Palmar e Arroio Grande, além de manter articulações em Rio Grande. “A expansão já começou de forma orgânica, a partir de demandas e conexões com outras comunidades”, afirma Marcus Flávio, ao destacar que o reconhecimento deve contribuir para estruturar melhor esse crescimento.

Desafios e sustentabilidade

Apesar dos avanços, o Movimento ainda enfrenta desafios para manter e expandir suas atividades, especialmente no que diz respeito à estrutura e à continuidade dos projetos. “Entre os principais desafios estão a sustentabilidade financeira, a ampliação da estrutura e o enfrentamento ao racismo estrutural”, aponta o coordenador, ao detalhar os entraves que ainda limitam o crescimento do coletivo.

Ele destaca que o acompanhamento do impacto das ações ocorre por meio da participação da comunidade, do retorno das atividades e das parcerias estabelecidas. Segundo ele, já é possível perceber mudanças na visibilidade da cultura negra no município.

Envolvimento e pertencimento

A participação da comunidade é considerada essencial para o fortalecimento do movimento. As atividades são abertas e há espaço para novos integrantes interessados em contribuir com as ações. “Estamos sempre acolhendo novas pessoas interessadas em contribuir, aprender e fortalecer o movimento”, afirma Marcus Flávio, ao destacar a importância do engajamento coletivo.

Para ele, o reconhecimento como Ponto de Cultura também tem um significado simbólico importante, especialmente no fortalecimento da identidade e do pertencimento da população negra. “Reforça a importância da nossa história, da nossa cultura e da nossa luta”, conclui, ao enfatizar o valor das expressões culturais e da trajetória construída pelo movimento.