A combinação de geada, umidade elevada e baixa incidência solar exige correções específicas no solo e rigoroso controle de irrigação para garantir a sobrevivência das plantas ornamentais
A chegada das baixas temperaturas no estado impõe desafios rigorosos para a manutenção de áreas externas e espaços verdes. A combinação de fatores climáticos característicos da Serra Gaúcha, como a menor incidência de radiação solar, o aumento da umidade no solo, a ocorrência de geadas e a constante cerração, altera diretamente o metabolismo das plantas. Segundo João Miguel Camargo Moreira, proprietário da empresa Moreira Jardinagem e Paisagismo, os jardins sofrem danos severos neste período, especialmente quando não há o acompanhamento de um profissional capacitado para realizar os ajustes sazonais necessários.
A preservação da estética e da saúde das plantas ornamentais depende diretamente da compreensão das condições físicas do ambiente. Moreira destaca que o acúmulo de folhas secas, a falta de nutrientes essenciais e a deficiência em sistemas de drenagem são problemas que se agravam sob o clima frio e chuvoso. Para ele, a negligência nesses aspectos compromete a integridade do jardim a longo prazo, tornando a intervenção técnica um requisito fundamental para atravessar os meses de inverno sem perdas significativas.

Análise de solo e nutrição
Diferente do que ocorre em períodos de crescimento vigoroso, a adubação no inverno exige cautela e precisão técnica. Moreira explica que, devido ao estado de dormência de diversas espécies, a aplicação indiscriminada de fertilizantes pode ser prejudicial ou simplesmente inútil, uma vez que o solo frio e úmido impede a absorção correta dos nutrientes.
Ele ressalta que sempre faz uma análise do solo antes do inverno para garantir a correção necessária, pois essa preparação serve como base para manter a saúde da vegetação no frio. Ele afirma que a estratégia de manutenção foca no equilíbrio, evitando tanto a carência quanto o excesso, e orienta que cada cliente receba um planejamento individualizado, definindo quais correções são vitais para sustentar o ecossistema do jardim durante as variações térmicas bruscas da região.
Controle de irrigação e umidade
Um dos erros mais frequentes apontados pelo setor de paisagismo é a manutenção dos mesmos hábitos de rega utilizados no verão. No inverno, a necessidade de água varia drasticamente entre as espécies e depende diretamente da temperatura ambiente e dos dias de estiagem. O excesso de umidade é um dos principais vetores de morte de plantas ornamentais nesta época do ano.
A recomendação técnica para a irrigação invernal é que o procedimento ocorra preferencialmente no período da manhã. Isso permite que a planta utilize a água durante o dia e evita que a umidade excessiva permaneça nas raízes durante as noites geladas, o que poderia levar ao apodrecimento ou ao congelamento radicular em caso de geada forte. Moreira reforça que a observação constante da real necessidade do solo é a única forma de garantir a saúde hídrica da vegetação.

Escolha de espécies e renovação visual
A seleção de plantas é determinante para a vitalidade do jardim no frio. Espécies como a cerejeira, o cipreste, a camélia e a boca de leão, além do tradicional amor-perfeito, são as mais indicadas por sua resistência e adaptação. Em contrapartida, Moreira recomenda evitar o cultivo de begônias, lírios e azaleias, que são sensíveis às condições severas do inverno local. Para conferir cor ao cenário cinzento da estação, o profissional sugere o uso de folhagens como a nandina, que apresenta mudança de tonalidade, e a abélia.
O profissional defende que o inverno é a época ideal para o planejamento, justamente porque as plantas entram em dormência. Esse período permite a realização de podas, plantios e mudanças no visual do jardim sem os riscos trazidos pelo calor excessivo. O planejamento antecipado garante que o cliente não tenha preocupações futuras e que o jardim esteja preparado para as estações seguintes. Embora o uso de coberturas protetoras seja indicado em alguns casos para resguardar espécies mais frágeis, ele esclarece que a técnica não é obrigatória para todo o jardim, devendo ser aplicada conforme a análise técnica de cada planta.
Erros comuns e riscos de amadorismo
A manutenção de jardins no inverno não admite erros de execução, sob risco de perda total de espécimes valiosos. Entre as falhas mais recorrentes listadas por Moreira estão as podas realizadas fora da época adequada ou de forma tecnicamente incorreta, a rega excessiva e a aplicação de adubos incompatíveis com a análise do solo.
A contratação de mão de obra sem experiência é apontada como um fator de risco elevado. Segundo Moreira, a falta de conhecimento sobre as correções necessárias e as particularidades climáticas resulta em danos que muitas vezes só são percebidos na primavera, quando a planta deveria retomar seu crescimento.