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Emprego feminino cresce 30,1% em Bento Gonçalves

A presença das mulheres no mercado de trabalho formal em Bento Gonçalves deu um salto expressivo nos últimos seis anos. Levantamento feito com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) aponta que o número de trabalhadoras contratadas cresceu 30,1%, saltando de 18.200 em 2020, ano da pandemia, para 23.680 hoje

Com salto expressivo no pós-pandemia, presença feminina já representa 44,1% das carteiras assinadas no município. A expansão supera a média geral da cidade e elevou a participação feminina para 44,1% do total de empregos com carteira assinada.

O avanço, impulsionado pelos setores de Serviços e Indústria de Transformação, traz impactos econômicos positivos, mas acende o alerta para a necessidade de políticas públicas de apoio ao cuidado familiar e ao empreendedorismo local.

O crescimento de mais de 30 pontos percentuais na mão de obra disponível é o principal motor da expansão do mercado de trabalho local no pós-pandemia. Em 2020, Bento Gonçalves contava com 18.200 mulheres no mercado formal, número fortemente impactado pelas restrições sanitárias do período. Em agosto de 2026, o contingente atingiu o patamar histórico de 23.680 trabalhadoras formais ativas, acumulando um ganho líquido de 5.480 novos postos de trabalho ocupados por mulheres.

Jornada dupla

De acordo com a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Condim), Karina Preisig Paggi, historicamente a economia do município dependia da força de trabalho masculina alocada na indústria metalmecânica e na construção civil, recente ciclo de crescimento foi impulsionado por setores em que a presença feminina é tradicionalmente forte. No entanto, o sucesso profissional esbarra em barreiras culturais antigas. “Ao longo das últimas décadas as mulheres entraram definitivamente no mercado de trabalho, incluindo posições de poder e liderança. Pelo mundo todo essa entrada trouxe impactos positivos na economia, contudo, essa mudança não veio acompanhada de mudanças culturais no papel da mulher em relação à função do cuidado”, pontua.

Conforme Karina, o trabalho doméstico e o cuidado com filhos e idosos seguem sendo atribuídos majoritariamente à população feminina. “Essa realidade leva à conhecida sobrecarga pela dupla ou tripla jornada de trabalho, que vem aumentando índices de adoecimento mental feminino. A queda da natalidade é também uma resposta a essa condição. Para avançarmos, significa criar estratégias para que as mulheres possam trabalhar e realizar seus projetos. Divisão de responsabilidades, rede de apoio com creches de qualidade e programas contra o assédio nas empresas são ações fundamentais”, defende a presidente do Condim.

Oportunidades

O setor de Serviços, impulsionado pelo fortalecimento do enoturismo, da gastronomia e dos serviços de saúde e educação, responde por mais de 42% de todas as novas contratações femininas no período. Em seguida, a Indústria de Transformação, com realce para a fabricação de bebidas, sucos e para a indústria alimentícia, também registrou alta na absorção de mão de obra feminina.

O Comércio Varejista completa o pódio das áreas que mais abriram portas na cidade.Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Paulo Souto, o crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho formal é um avanço muito importante para Bento Gonçalves. “Cada vez mais vemos mulheres empreendendo e conquistando espaço em diferentes setores da nossa economia, o que fortalece as empresas e contribui para o desenvolvimento do município. Nosso compromisso é seguir fortalecendo políticas públicas que incentivem a geração de emprego e o empreendedorismo, garantindo que as mulheres encontrem cada vez mais oportunidades para crescer. Na Secretaria, trabalhamos para que todas as pessoas tenham oportunidades de empreender. A Sala do Empreendedor oferece atendimento, orientação para abertura de empresas e parcerias com o Sebrae. Com suporte gratuito, o local impulsiona a economia local e fortalece os microempreendedores da região”, frisa Souto.

Fala, Cidadão

“Atuo no mercado de trabalho formal em Bento Gonçalves há 22 anos e acompanho de perto o crescimento expressivo da presença feminina em diversos setores de serviços. Ao longo dessa trajetória, percebo que as mulheres se destacam por uma determinação singular, demonstrando alto nível de empenho e responsabilidade em suas funções. Ver mulheres ocupando espaços de destaque confirma que a dedicação e a competência rompem qualquer barreira. Valorizar o talento feminino é acelerar o progresso de toda a comunidade”.

Iara Rejane de Oliveira
(Balconista de padaria)

“O crescimento das mulheres no mercado de trabalho é uma realidade que acompanho de perto há anos. Eu trabalho no mercado formal há 20 anos. Hoje, muitas profissionais não apenas gerenciam a rotina do lar com excelência, mas também assumem o papel de principais provedoras financeiras de suas famílias, superando a renda de seus parceiros. Isto prova que a capacidade e a independência financeira são reflexos diretos de muita dedicação da mulher no trabalho”.

Débora Bettoni Nobre
(Empresária)

“Atuo no mercado de trabalho formal há pouco mais de cinco anos e, nesse período, tornou-se evidente a presença das mulheres em todas as áreas profissionais de Bento Gonçalves. Hoje, a conquista de espaços em setores tradicionalmente masculinos é uma realidade notável em qualquer empresa da nossa região. Ver o talento feminino liderando novos caminhos serve de inspiração para as próximas gerações e acelera o progresso do nosso município”.

Sumaia Barros
(Vendedora)

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