Tentemos esquecer a Copa do Mundo por alguns instantes, ao menos em relação à bola rolando, àquela no sentido literal, redonda e, para os mais antigos, com gomos pretos e brancos e cheirando a couro natural.
Mas, se for para falar da “bola” no sentido de dinheiro frio pago para fazer ou deixar de fazer algo ao arrepio da lei, a cada dia as novas investigações do escândalo do Banco Master dão conta de que, nos campos do poder da capital federal, Brasília, o plantel do “time” era grande, não tinha posição onde não jogavam, os passes e repasses ocorriam em profundidade, o país levava de goleada a cada ataque e o povo, sem saber, na torcida, não imaginava estar pagando muito mais caro pelo ingresso… no banco…
Ao que tudo indica, essa “bola” está virando uma bola de neve, talvez, uma lembrança das viagens pagas por Vorcaro nos Alpes Franceses…
Contudo, na semana passada, um juiz nos salvou de mais uma goleada dos 171, se lembrou… muito pior do que os 7X1… esqueça…
Estou a me referir ao embate entre dois ministros do STF, um deles teorizando o voto pela soltura do pai e primo do banqueiro Vorcaro e o MINISTRO André Mendonça, que, sem relativismos, mas dentro da realidade que há muito não se via, sendo claro e objetivo, sem qualquer jogo de palavras, apitou, em cima do lance, que o caso Master se trata de uma “organização criminosa com contornos de máfia”!!!
Foi ainda mais longe: defendeu as investigações da Polícia Federal e, ao dizer que não temia a morte em razão de ter sido alvo de intimidações por atuar em tais processos de grande repercussão, que, vamos lá, num trocadilho, repercute aos grandes, me fez lembrar daquela longínqua frase ao largo do riacho Ipiranga – INDEPENDÊNCIA OU MORTE –, soando, agora, em outros tempos, com a espada da JUSTIÇA em riste, como um sopro de esperança de que ainda algumas instituições respiram por conta própria… mesmo que não seja a todos pulmões…
Do outro lado da margem do Ipiranga, o mais alto poder da República, em mais uma bola fora sobre o assunto, pois, numa ocasião, dizia que o roubo de celular servia para “ganhar um dinheirinho”, agora colocou em dúvida a honestidade dos delegados de polícia, ao sugerir que o portador de celular sabidamente roubado, caso viesse a se arrepender – ao meu ver, leia-se, sem meios termos, arrependido ou não, será sempre receptador de fruto de crime – e tivesse receio de entregar o celular nas delegacias, poderia fazê-lo diretamente nos correios.
Tal declaração fez com que legitimamente as associações dos delegados levantassem a bandeira em protesto, marcando, ainda, pode se dizer, pelas consequências de tal fala, além de uma falta grave de quem deveria defender as instituições de Estado que representa, um impedimento flagrante de quem adentrou na área da ética do servidor público, cujo discurso generalista arranhou a reputação de todos, um gol contra numa partida em que a violência e a criminalidade não obedecem a regras, cuja sociedade está sempre correndo atrás do placar.
Sei… é mais fácil, em tempos de Copa do Mundo, esquecer ou tentar esquecer os problemas do país, pois sonhar com o Hexa é a bola da vez, bater no peito e cantar em alto e bom som “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, “com brasileiro não há quem possa”, renova o patriotismo na sua cor original, sem partidos que nos dividem fora dos estádios.
E quem sabe, um dia, possamos acordar do berço esplêndido, sem alarme falso, tão pouco pelas “travessuras” do fenômeno El Niño, que esperamos não tenha crescido, e ver que o BRASIL do brasileiro que não desiste nunca VENCEU, com a bola nas redes e o time da “bola” nas grades!