Quarta-feira, 01 de Julho de 2026

ÚLTIMA HORA

É fácil entender! Ou não?

Tenho percebido pelos contatos que recebi, pelas leituras de cartas de leitores em jornais do Brasil, revistas, blogs, sites de agências de notícias, redes sociais, enfim de todos os meios e mecanismos de comunicação hoje disponíveis, que ainda há muitas pessoas que não entenderam o impeachment – aprovando ou não – da ex-presidente Dilma Rousseff. Acontece que Dilma foi alijada do cargo por alegado “crime de responsabilidade”, que caracterizaram pelas chamadas “pedaladas fiscais” (expressão que já pode ser aplicada a muitos atos de governadores e prefeitos Brasil afora) e pelos “decretos não autorizados pelo legislativo”. Tentava entender quando vejo que o jornalista e escritor Juremir Machado da Silva, colunista do Correio do Povo, em seu artigo desta terça-feira, dia 6, sob o título “Moral Política”, aborda os tais de “decretos sem autorização” de forma que, a exemplo de tantos, eu também não entendi. Escreveu Juremir: “Três dias depois do impeachment de Dilma, o Senado aprovou uma mudança na lei dos decretos de suplementação orçamentária flexibilizando alguns itens.

O projeto, concebido ainda no governo Dilma, só recebeu aprovação na última terça-feira. A Agência Senado noticiou assim a aprovação da nova lei: – O projeto amplia, de 10% para 20%, o limite para suplementação e cancelamento de subtítulos da LOA de caráter geral, que se aplicam ao maior número de ações orçamentárias. Segundo o Executivo, o percentual de 20% permite que os gestores públicos tenham mais flexibilidade ao fazer ajustes necessários ao orçamento, principalmente em anos de restrição de receitas.” Li e reli essa parte do artigo e, confesso, não consegui entender. Talvez meu lado moral e ético não quisesse entender. Resolvi reler o texto todo. E destaquei o seguinte trecho de Juremir Machado da Silva: “O que era crime ontem, não é mais crime hoje? O crime não começa mais depois de 10%, mas depois de 20%? É o escalonamento criminal? Até 20 facadas, legal. A vigésima-primeira facada caracteriza crime?… Bem, entendi menos ainda.

Ou não quis entender. Por comodismo, talvez. E Juremir continuou citando o escrito de Ricardo Lodi, professor da UERJ. Escreveu ele: “O Congresso, que nunca considerou as condutas supostamente praticadas pela presidente Dilma como ilícitas, encerrado o processo de impeachment, passa a considerar tal conduta como absolutamente legitimada. Ou seja, até ontem era crime, hoje é conduta legitimada. A conduta não era ilícita antes nem seria depois. Só foi considerada crime para aprovação do impeachment”. O que entendi, e muito bem, é que se essa farsa toda (descrita como tal não só por mim, mas por jornais como o Le Monde, Francês, e o New York Time) trouxe marcas nas pessoas. Se concorda com a farsa, beleza! Se não concorda, bem, aí a pessoa é “petista”. Simples, não? Bem mais simples do que pensar e tirar as próprias conclusões, fugindo do “efeito manada”. Na verdade-verdadeira, a história terá muito para registrar e contar sobre tudo isso. Quem viver, verá!

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