A visita da reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, à Bento Gonçalves na última terça-feira, trouxe uma discussão que interessa muito ao futuro da Serra Gaúcha. No auditório do CIC-BG, empresários, entidades e lideranças regionais participaram de um debate produtivo sobre a implantação do Campus Serra da UFRGS, previsto para Caxias do Sul. O encontro reuniu diferentes instituições em torno de uma pergunta. Que ensino superior a nossa região quer ajudar a construir para as próximas décadas?
Essa é uma pauta que ultrapassa limites municipais. Embora a implantação esteja projetada para Caxias do Sul, é evidente que um campus dessa natureza precisa nascer com vocação regional. A Serra é um território de forte dinamismo econômico, tradição empreendedora e grande capacidade de inovação. Por isso, faz sentido que Bento Gonçalves tenha afirmado, nesse diálogo com a UFRGS, suas virtudes, suas prioridades e a expectativa de que esse novo espaço acadêmico enxergue a região como um todo.
Há algo muito estratégico nisso. Quando uma universidade pública de referência se aproxima da realidade regional, ela amplia a produção de conhecimento, fortalece a pesquisa aplicada, aproxima ciência e setor produtivo, forma talentos e ajuda a responder desafios concretos do território. O ensino superior, quando bem pensado, passa a ser também uma alavanca de desenvolvimento.
É justamente nesse ponto que o Bento+20 se conecta de forma natural com esse debate. O movimento existe para articular entidades, instituições e poder público em torno de uma agenda de futuro para Bento Gonçalves. Sua vocação sempre foi criar pontes, aproximar atores, qualificar discussões e defender uma visão de desenvolvimento que não seja imediatista.
Também há valor na forma como essa conversa aconteceu. O espírito que precisa prevalecer é o da cooperação entre instituições. A Serra cresce mais quando entende que alguns projetos são grandes demais para caber em lógicas estreitas. Um campus regional forte interessa a toda a região e amplia oportunidades para quem estuda, pesquisa, empreende e trabalha.
A visita da reitora da UFRGS deixou uma mensagem importante. O futuro do ensino superior na Serra Gaúcha será melhor quanto mais ele nascer do diálogo, da escuta e da capacidade de reunir forças diferentes em torno de um objetivo comum. E esse é exatamente o tipo de construção que o Bento+20 acredita que vale a pena fazer.