Quarta-feira, 01 de Julho de 2026

ÚLTIMA HORA

Sonhos de uma noite de verão

Cada sonho que a gente realiza, muitas vezes é um caminho longo e árduo a ser percorrido. Mas poucos sacrifícios ou dificuldades ficam como lembranças ruins. O sonho da casa própria, por exemplo. A gente acompanha a obra do prédio desde a preparação do terreno e vai lá passear todo o mês, fotografa cada andar que está subindo. E quando chega no seu? Lá embaixo, numa tarde quente de domingo, você se imagina naquela sacada bruta sem acabamentos. Imagina uma vida lá dentro.
O cheiro estranho dos móveis novos, da madeira, a sujeira para instalar o granito na cozinha. Passar a noite limpando a bagunça só para poder ver ele, mesmo que ainda não tenha o fogão, só com aquela meia luz daquele abajur cor de carne que só serve mesmo para fazer charme.
Eu me imaginava linda e plena vestida numa camisa branca meio desabotoada, tomando uma taça de vinho numa noite qualquer. E eu fiz muito isso. Só não tinha a camisa branca, mas me imaginava em um clipe musical mesmo assim. Quando você está sem companhia em um lugar que te faz bem, você decide se está só ou livre.
Quando entrei na faculdade, achei que fosse apenas uma experiência nova, algo que nunca ia chegar até o fim, como muitas das coisas que já fiz. Aquela velha dificuldade em terminar as coisas que começo. Os semestres foram passando, e, por mais que eu seja uma boa estudante, não levava 100% a sério, pois trabalhar e me sustentar estava sempre em primeiro lugar. Passou metade do curso e de repente eu estava fazendo estágio. Pensava: “É só o estágio, depois eu vou parar”. Eu não acreditava que ia conseguir. Não tinha pretensões reais de parar, mas não me imaginava com o canudo na mão. Tirei um tempo para meus problemas, e no próximo semestre lá estava eu. Pausa muito importante e crucial. Troquei o tema do TCC e estava muito mais focada.
O TCC 2 foi muito difícil. Sempre trabalhei bastante, mas de repente, estava cheia de freelas! Era minha mãe que limpava a minha casa e muitas vezes até levava comida para mim. E com muito orgulho, minha nota foi 10. O dia da apresentação foi indescritível, sabe quando dizem que você sente dor até um ponto, depois não sente mais? Eu estava assim, mas sentindo adrenalina. Eu estava tão nervosa, que nem sentia mais o nervosismo. Quando terminei de apresentar, não esperava os comentários tão positivos que ouvi. Caminhando até o estacionamento eu pensava: “Quê?”
Pra fechar com chave de ouro, com a comemoração você entende que tudo o que você faz não é em vão. Você pode juntar os seus melhores amigos e a família e ver olhares admirados, pois eles sabem um pouco do que você passou, nunca tudo, mas um pouco.
Sonhos não estão só na nossa cabeça nem são impossíveis. É um conjunto de passos, alegrias e tristezas, trabalho, foco e persistência. No final, cada lágrima será lembrada com muito amor. Melhor do que sonhar, só realizar! Parabéns para cada conquista, seja ela grande ou pequena. Nunca deixem de comemorar e lembrar
com carinho cada momento que ajudou a construir
sua história.

Uma resposta

  1. Primeiramente, eu preciso dizer que quando li o título do teu texto, inevitavelmente minha mente cantou “Milton Guedes”! (Só a galera com 30 vai entender de quem eu falo, e eu espero que tu lembres também kkkk).

    Mas bem… toda semana, tu me toca de uma maneira diferente e a gente divaga por inúmeros assuntos após escrevermos, mas dessa vez, era tudo o que eu precisava ler. Cada sonho que a gente realiza, é um caminho longo e árduo, muitas vezes bem difícil. Tão difícil que incontáveis vezes pensamos em desistir. Mas poucos sacrifícios ou dificuldades ficam como lembranças ruins.

    Poucas coisas difíceis de serem conquistadas não valem a pena. Aliás, parei rapidamente para pensar por um instante, e não consegui elencar absolutamente nada do que tenha sido difícil em minha vida que não valeu pena: pirar a cabeça, chorar, surtar, pensar em desistir e chorar novamente (sim sou bem chorona, libriana nata).

    Eu poderia citar inúmeros exemplos aqui, mas vou acompanhar os teus incialmente. O sonho da casa própria então. Quantos e quantos lugares visitados até a decisão da compra. Eu nunca imaginei que tão cedo eu concretizaria essa conquista. Inicialmente parecia algo impossível. Eu pensei em desistir, pensei que não daria certo (eu e minha mania de quase nunca pensar positivo).

    Inventei e arrumei empecilhos, quase tentei me confortar dizendo que não era pra mim. Até que um dia, depois de chorar muito a conquista foi alcançada. Me imaginei naquela sacada olhando o pôr-do-sol incontáveis vezes. Me imaginei na sala, servindo um vinho, de cabelo amarrado, camisa branca e em boa companhia. Ressalvo que tive somente o bom vinho até hoje.

    Quando entrei na faculdade jamais achei que concluiria. Pensei em desistir. Pensei em trocar de curso. Me perguntei o que eu fazia ali. Passei inúmeras disciplinas levando tudo na brincadeira. Verificava todo fim de semestre as notas boas e me questionava: como?? Quando vi, o estágio estava feito (e feito ao teu lado, aliás, obrigada e tu sabe porquê!). Em seguida, TCC 1… TCC2 e meu deus! A banca! Apresentação, nota 10 e fim de faculdade. Eu estava formada.
    O encerramento, não foi nada como imaginei ou sonhei, mas enfim, o diploma estava na mão.

    Alguns anos depois, numa “brincadeira” comecei uma pós e novamente; imagina não vai dar certo. É muito difícil eu não consigo (já mencionei meus pensamentos negativos né?!) e quando eu vi, o certificado de conclusão estava na minha casa.

    Nesse tempo todo, inúmeras coisas me derrubaram, sorte que a gente aprende a cair e levantar não é mesmo? Eu cansei de chorar escondida, cansei de me torturar e de ficar sozinha pensando na vida. Cansei de achar que eu não podia e eu não conseguiria. E tu bem sabe que isso tudo foi verdade. Eu nunca achei que conseguira tudo que consegui até hoje, afinal, a gente tinha que parecer sempre bem e sempre forte. Sempre fomos o pilar de sustentação da família, dos amigos, até do cachorro né?! Mas por dentro nem sempre era assim, e afirmo que ainda não é.

    Pra fechar com chave de ouro, a gente tão pouco acreditava que o amor era possível. Tínhamos quase desistido de certa forma não é mesmo? Queríamos #paznavida, tá bom assim, quase aceitamos, e mal sabíamos o que ainda estava por vir. Agora é difícil também né? É difícil acreditar, difícil entender que podemos e merecemos ser felizes… e quer saber? Eu acho que dentre todas dificuldades mencionadas aqui, essa é a maior delas, porque é uma luta diária e interna contra nós mesmas e contra tudo o que já vivemos.

    Ah… quantos sonhos! Que bom saber que eles podem se tornar realidade né? Que bom saber que nada até aqui foi em vão. Que bom podermos reunir a família e ver olhares admirados, pois eles sabem tudo, ou quase tudo que passamos. Sonhos não são impossíveis. É um conjunto de altos e baixos, passos, trajetos, alegrias, tristezas, e principalmente persistência. Foco no objetivo! Cada lágrima com certeza será lembrada com muito amor e junto com aquele pensamento: “como fui boba em não acreditar”! Melhor do que sonhar… só realizar!

    Que possamos então realizar mais do que sonhar!

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