A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Bento Gonçalves tem se consolidado como porta de entrada e suporte contínuo para quem enfrenta sofrimento psíquico. Com três Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em funcionamento, voltados a públicos distintos, o município registra aumento na procura por atendimentos e aposta na ampliação dos serviços para garantir cuidado integral e humanizado.
De acordo com a coordenadora de Saúde Mental, Giovana Karoline Franceschini Brugnera, a busca por atendimento cresceu nos últimos anos, refletindo mudanças sociais, econômicas e uma maior conscientização da população sobre a importância do cuidado emocional. “As pessoas estão mais atentas às necessidades emocionais, buscando apoio qualificado e encontrando na rede pública de saúde uma porta de acesso”, afirma.
CAPS II: cuidado contínuo e reinserção social de adultos
O Serviço de Atendimento Psicossocial está localizado na Rua Emílio Pozza, 590, Maria Goretti, tendo o telefone (54) 3055-8523 para contato. Funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 11h30min e das 13h às 17h, tendo capacidade para cerca de 2.920 atendimentos mensais, entre consultas individuais agendadas, acolhimentos sem agendamento e atividades grupais. Atualmente, aproximadamente 1.500 usuários ativos são acompanhados regularmente.
A principal finalidade do serviço é a reabilitação psicossocial de adultos a partir dos 18 anos com transtornos mentais severos e persistentes, que não apresentem comprometimento significativo relacionado ao uso de álcool e outras drogas. Entre os quadros mais frequentes estão os transtornos de humor, como depressão e transtorno bipolar, ansiedade e transtornos de personalidade, especialmente o borderline.
A equipe multiprofissional está completa e inclui coordenação, assistente social, psicólogas, terapeuta ocupacional, enfermeiras, técnicas de enfermagem, médicos, equipe administrativa e profissional de higienização.
O CAPS II atua como alternativa à internação psiquiátrica, oferecendo cuidado contínuo e promovendo autonomia. O serviço desenvolve oficinas terapêuticas, grupos psicoterapêuticos, práticas expressivas e corporais, além de acompanhamento familiar, visitas domiciliares e parcerias com escolas profissionalizantes e iniciativas de inserção no mercado de trabalho.
Os encaminhamentos ocorrem principalmente via Unidades Básicas de Saúde (UBS), pela regulação municipal, além da UPA 24h e do Hospital Tacchini. Também há acolhimento eventual de demanda espontânea. A fila de espera é reduzida, entre quatro e cinco usuários, e o tempo máximo para acolhimento é de até duas semanas.
CAPSi: atenção especializada para crianças e adolescentes
O Centro de Atenção Psicossocial Infantil tem sua sede na Rua Carlos Dreher Filho, 261, bairro São Francisco, tendo como telefone (54) 3055-4120. Funciona de segunda a sexta-feira, nos mesmos horários que o CAPS II.
Voltado ao público infantojuvenil, o CAPSi realiza, em média, 1.600 atendimentos mensais e acompanha cerca de 290 usuários ativos.
O serviço atende crianças e adolescentes em sofrimento psíquico, priorizando intervenções que estimulem acolhimento, expressão, socialização e reabilitação psicossocial. Entre os diagnósticos mais frequentes estão transtorno depressivo grave (com ou sem sintomas psicóticos), transtorno bipolar e transtorno opositor desafiador.

na Rua Carlos Dreher Filho, 261, bairro São Francisco
De acordo com a coordenadora, a equipe conta com psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, técnicos de enfermagem e educador social.
Segundo Giovana, houve aumento expressivo da demanda após a pandemia da Covid-19, com agravamento após a enchente de 2024. O uso excessivo de telas e redes sociais também aparece como fator de impacto na saúde mental dessa população.
Há fila de espera para atendimento psicológico, com tempo variável conforme a gravidade do caso. O CAPSi trabalha de forma intersetorial, articulando-se com escolas das redes municipal, estadual e privada, além de serviços da assistência social, Conselho Tutelar, Ministério Público e Judiciário. O acompanhamento familiar é considerado parte essencial do cuidado.
CAPS AD: porta aberta para tratamento de dependência química
O Serviço de Atendimento Psicossocial Álcool e Drogas está localizado na Rua 15 de Novembro, 132, bairro Planalto, tendo para o contato os telefones (54) 3055-8506 ou 3055-8531. Funciona nos mesmos horários que os demais Centros de Atendimento Psicossocial e realiza até 800 atendimentos mensais, possuindo cerca de 4.000 prontuários registrados. O serviço é destinado a pessoas com dependência química grave e funciona como porta de entrada para tratamento ambulatorial especializado.
Diferentemente de outros serviços, o CAPS AD trabalha com demanda livre: não é necessário encaminhamento prévio. O usuário é acolhido no momento em que procura atendimento e, a partir daí, é construído um Plano Terapêutico Singular (PTS), com atendimentos individuais, grupos terapêuticos, acompanhamento intensivo, orientações familiares e visitas domiciliares.
A equipe é formada por médicos, enfermeira, técnica de enfermagem, psicólogos, terapeuta ocupacional, assistente social, coordenação, equipe administrativa, estagiários e profissional de higienização.
O tratamento pode incluir estratégias de redução de danos ou busca pela abstinência total, conforme o perfil e a decisão do usuário. O CAPS AD também atua de forma integrada com a Comunidade Terapêutica Rural de Bento Gonçalves, no distrito de Tuiuty, que dispõe de até 30 leitos para internação voluntária, com acompanhamento contínuo da equipe.
Atendimento em crise e ampliação da rede
Situações de crise e emergências psiquiátricas fora do horário regular são atendidas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e da Guarda Civil Municipal (GCM) nos casos mais graves.
Como parte do fortalecimento da RAPS, o município implantou, em fevereiro deste ano, atendimentos em Psiquiatria e Psicologia no Centro de Especialidades Médicas, que passa a atuar como Ambulatório de Saúde Mental.
O novo serviço atende casos de gravidade moderada e intermediária, que necessitam acompanhamento especializado, mas não se enquadram nos critérios clínicos para os CAPS. “Com isso, o município qualifica os fluxos de cuidado, amplia o acesso ao atendimento especializado e contribui para a organização da RAPS, garantindo maior resolutividade, continuidade do cuidado e uso adequado dos diferentes pontos da rede de saúde mental”, destaca Giovana.
Para ela, o desafio é permanente: “Para responder a essa realidade, os serviços locais e nacionais vêm se organizando para ampliar a oferta de cuidado integral, desde a atenção primária até os dispositivos especializados garantindo suporte contínuo e humanizado à população”, finaliza.