A presença de ratos segue em bairros como Santa Rita, Progresso, Juventude e Santa Helena. “Continua um cheiro horrível. Os vizinhos logo abaixo da reciclagem vivem com a casa trancada. Isso não é vida”, relata uma moradora do bairro Santa Rita que não quis se identificar. Este estabelecimento foi interditado pela Vigilância por alguns dias, para se adequarem às exigências da administração, como: limpeza geral da área, controle da presença de roedores e construção de um novo piso.

Outro morador afirma que ainda há ratos no Lago Santa Helena. “Em relação a duas semanas atrás tem menos, mas ainda incomodam”, frisa.

De acordo com o biomédico e coordenador da Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Dener Salvador, levantamentos recentes indicam diminuição da presença de roedores em áreas que anteriormente registravam maior incidência. O monitoramento é feito a partir de avaliações em campo realizadas por agentes de combate às endemias, além de registros encaminhados pela Ouvidoria Municipal.

O combate aos animais ocorre por meio de uma força-tarefa envolvendo diferentes setores da administração municipal. A Secretaria de Meio Ambiente atua na limpeza urbana, roçada, podas e orientação sobre descarte correto de lixo. Já a Secretaria de Saúde desenvolve ações educativas e de conscientização, além de contar com uma empresa terceirizada especializada no controle de pragas.

Outras frentes incluem a Secretaria de Obras Públicas, responsável pela limpeza e desobstrução de bueiros, e a Secretaria de Segurança Pública, que atua na remoção de veículos abandonados, possíveis abrigos para os animais.

Segundo Salvador, as campanhas de orientação à população já estão em andamento, com foco na prevenção. “A eliminação de abrigo, água e alimento é essencial para evitar a proliferação”, ressalta.

Demanda constante

As ações de desratização seguem um fluxo baseado nas denúncias da comunidade. Equipes técnicas avaliam os locais e, quando confirmada a infestação, os pontos são incluídos em um mapa interno que orienta o cronograma de intervenções.

Após essa etapa, é emitida ordem de serviço para a empresa responsável realizar o manejo e controle dos roedores, principalmente em áreas públicas.

O aumento da presença de ratos está relacionado a diversos fatores. Entre eles, o descarte inadequado de lixo, a mistura de resíduos orgânicos e recicláveis, além da oferta de alimento, abrigo e água. Outro ponto destacado é o crescimento das temperaturas, que favorece a reprodução dos roedores. A administração também menciona problemas em alguns estabelecimentos de reciclagem, onde o controle de pragas nem sempre é realizado de forma adequada, sendo interditados dois deles no último mês.

Em relação à saúde, o município registrou, até o momento, um caso positivo de Leptospirose neste ano. Segundo Salvador, foi confirmado no início do ano e não tem relação com os casos recentes.

A Vigilância Ambiental reforça que a prevenção é a principal ferramenta no combate à infestação. Entre as orientações estão o armazenamento adequado de alimentos, uso de lixeiras com tampa, respeito aos dias de coleta, vedação de frestas em imóveis e eliminação de entulhos. “Hoje, com o uso de contêineres, ainda há falhas na separação correta dos resíduos por parte da população, o que contribui para o problema”, finaliza.