Passados meses de incertezas após as intempéries climáticas que devastaram trechos da rodovia e destruíram a antiga travessia sobre o Rio Taquari, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) detalha o cronograma de obras que somam investimentos superiores a R$185 milhões.

Datas e execução das obras na ponte
Atualmente, a construção da nova ponte, que liga Bento Gonçalves a São Valentim do Sul, apresenta evolução em sua estrutura física. De acordo com os dados mais recentes fornecidos pelo Daer, a obra atingiu a marca de 100% dos encontros e das estacas de fundação executados. Esta etapa avança com 89% dos blocos concluídos, enquanto a superestrutura ganha forma com 65% dos pilares e 43% das travessas finalizados. A nova estrutura, que terá 320 metros de extensão, tem entrega prevista para o segundo semestre de 2026. Até lá, a balsa permanece como o único elo de ligação, operando com limitações de horário e sujeita às oscilações do nível do rio.
Investimentos
Paralelamente à ponte, o Daer divide a recuperação da ERS-431 em dois grandes lotes. O primeiro deles, denominado Lote 3, compreende o trecho de 22,85 quilômetros entre o entroncamento com a BR-470, em Bento Gonçalves, e a localidade de Santa Bárbara. Para este segmento, o investimento previsto supera os R$100 milhões, com prazo de conclusão estendido até 2027. A obra é regida pela modalidade de Contratação Integrada (RCI), na qual a empresa vencedora assume desde os estudos técnicos até a execução final. Conforme o órgão, a expectativa é que o projeto executivo receba autorização para o início efetivo das ações de restauração ainda neste mês de abril.
O segundo trecho sob intervenção liga a localidade de Santa Bárbara a Dois Lajeados, totalizando pouco mais de 20 quilômetros. Neste lote, o aporte financeiro é de R$84,82 milhões, também com término projetado para 2027. Diferente do trecho anterior, o projeto executivo deste segmento está em andamento e deve ser finalizado ainda no primeiro semestre de 2026. Ambas as frentes de trabalho incluem, contratualmente, a obrigação de serviços preliminares de manutenção, como limpeza e operações tapa-buracos.
Insegurança e críticas
A precariedade do asfalto e a falta de sinalização adequada, contudo, alimentam o descontentamento de quem utiliza a via diariamente. Segundo o Daer, os contratos estabelecem com as empresas também a realização dos serviços complementares, como as roçadas no entorno da pista e obras de manutenção da mesma. Seguindo o cronograma, elas devem ser realizadas ainda em abril.
Transtornos causados
O impacto severo da deterioração da ERS-431 reflete diretamente na rotina das comunidades que dependem do trajeto para trabalho e educação. Segundo Itajiba Soares, que trafega constantemente pela região, o prejuízo é generalizado. “As condições impactam muito, principalmente as pessoas que utilizam diariamente a rodovia. Tem muitas pessoas que se deslocam da região toda, e também tem os estudantes que dependem da ERS-431 e voltam à noite, correndo risco devido ao estado em que se encontra esta rodovia, onde nem roçadas são feitas”, relata.
Preocupação semelhante é compartilhada por Alex Giuriatti da Silva, um dos organizadores dos protestos realizados em abril de 2025, que afirma que ambiente é de risco iminente. “Já enfrentamos situações em que o veículo estragou no trecho devido às péssimas condições de tráfego, durante a noite e com crianças a bordo. Além disso, já prestei auxílio a diversas famílias que passaram pelas mesmas dificuldades”, relata.

Busca de soluções
Soares destaca que muitas pessoas correm riscos todos os dias pela precariedade da via, incluindo os danos mecânicos em seus veículos particulares. Questionado sobre a postura do governo frente às reclamações, o morador é enfático ao apontar a falta de continuidade nas ações. “O retorno do poder público só ocorre quando são feitos alguns movimentos da população de fechar a rodovia. Eles vêm, dão uma ‘tapiada’ e nada mais”, lamenta.
Silva relembra que a paralisação realizada anteriormente foi essencial para pressionar as autoridades. “Fizemos um protesto sobre a ponte e na ERS-431. Logo após o ato, o diretor do Daer se pronunciou comunicando a liberação de verba para a nova rodovia. No entanto, em relação ao trecho até a ponte de Santa Bárbara, a única intervenção feita até o momento foi a sondagem do terreno, sem que novas informações fossem repassadas à sociedade”, lamenta. Ele ressalta ainda o impacto para outros setores. “Os estabelecimentos comerciais que sobreviviam com o fluxo da ERS fecharam as portas ou demitiram seus funcionários, restando apenas os proprietários na condução dos negócios, o que amplia o cenário de desemprego na região”, finaliza.