Sexta-feira, 07 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

Praça CEU, no bairro Ouro Verde, promove espaço de convivência, cultura e solidariedade

O que começou como um espaço destinado ao lazer tornou-se um dos principais pontos de encontro da comunidade do bairro Ouro Verde. Inaugurada em 2019, a Praça CEU completa sete anos reunindo atividades culturais, esportivas, sociais e de convivência, oferecendo oficinas gratuitas, promovendo eventos e desenvolvendo projetos que aproximam os moradores da gestão do espaço. Entre eles, a horta comunitária se destaca pelo impacto social e pelo reconhecimento nacional conquistado neste ano.

Coordenador do local desde janeiro de 2021, Clóvis Chaves Prates conta que a transformação do espaço aconteceu gradualmente, sempre com participação da comunidade e apoio de parceiros locais. “Quando cheguei aqui, conversei com a antiga coordenadora e ela comentou que não existia uma horta, mas que esse também era um sonho dela para a Praça CEU. Então eu disse: ‘Vamos fazer’. Foi assim que tudo começou”, afirma.

A partir dessa ideia, moradores, empresários e comerciantes do bairro passaram a colaborar. Um vizinho cedeu máquinas para preparar o terreno, outro conseguiu pallets para cercar a área, enquanto uma empresa agrícola passou a doar mudas que antes seriam descartadas. Assim nasceram os primeiros canteiros da horta.

Segundo Prates, o envolvimento espontâneo dos moradores foi decisivo para que o projeto ganhasse força. “As pessoas foram vendo aquele sonho acontecer e começaram a participar. Depois, elas mesmas passaram a trazer mudas para plantar conosco”, relata.

Fotos: Nathielly Paz

Produção beneficia moradores e instituições

Hoje, a horta comunitária funciona de forma organizada para garantir produção durante todo o ano. Os canteiros são cultivados em etapas, permitindo que sempre haja alimentos prontos para a colheita.

Um grupo formado principalmente por participantes da terceira idade auxilia no plantio e na manutenção do espaço, enquanto a colheita acontece conforme a necessidade de quem procura atendimento. “Se a pessoa chega aqui e a alface está pronta, a gente vai lá e colhe. Eu acredito que, quando alguém vem buscar esse alimento, é porque está precisando naquele dia. Então é naquele dia que ela será atendida”, explica.

Além das famílias do bairro, a produção também beneficia instituições assistenciais do município.

Quando a quantidade de hortaliças é maior, a equipe entra em contato com entidades, como o Lar do Ancião, ou realiza a entrega diretamente. Não há necessidade de cadastro para receber os alimentos, já que o atendimento ocorre conforme a demanda apresentada pelos moradores.

Respeito ao espaço fortaleceu o projeto

Apesar das dúvidas que surgiram quando a horta foi criada, o projeto encontrou justamente o efeito contrário: despertou senso de pertencimento entre os moradores. “Muita gente dizia que iam invadir a horta ou arrancar tudo. Isso nunca aconteceu. As pessoas entenderam que era um projeto para a comunidade. Ninguém destrói nada, e isso nos deixa muito felizes”, ressalta.

Para o coordenador, esse comportamento demonstra que a população passou a enxergar a Praça CEU como um patrimônio coletivo, fortalecendo a relação entre moradores e poder público.

Projeto conquista reconhecimento nacional

O trabalho desenvolvido na horta comunitária ultrapassou os limites do bairro. Inscrito em um edital cultural, o projeto foi selecionado para uma premiação realizada em Brasília e conquistou o terceiro lugar entre iniciativas de todo o país. O reconhecimento ocorreu no Prêmio Boas Práticas dos CEUs das Artes, do Ministério da Cultura, realizado dentro do 2º Encontro Nacional Territórios da Cultura, em Brasília. A iniciativa foi premiada em terceiro lugar na categoria Intersetorialidade, em reconhecimento à contribuição para a promoção da cultura, o fortalecimento da gestão dos equipamentos culturais e o desenvolvimento dos territórios.

O reconhecimento garantiu R$ 17,5 mil para novos investimentos no espaço. Os recursos estão sendo aplicados na reorganização da horta, que mantém a área total de aproximadamente 20 por 30 metros, mas ganha uma nova estrutura para otimizar o cultivo. Os antigos canteiros estão sendo substituídos por oito novos espaços delimitados por meio-fio: quatro medindo 2 por 8 metros e outros quatro com 2 por 15 metros. A adequação também inclui a reposição de terra, permitindo ampliar a área efetiva de plantio e aumentar a capacidade de produção de hortaliças. “Receber a notícia de que aquele projeto, que começou com tanta dificuldade, havia sido reconhecido foi muito emocionante. É gratificante ver esse trabalho valorizado”, afirma.

Local tem cultura, esporte e lazer

Embora a horta tenha se tornado um dos principais símbolos da Praça CEU, ela representa apenas uma parte das atividades oferecidas no local.

Ao longo do ano, o espaço recebe oficinas gratuitas de balé, violão, judô, muay thai e dança do ventre, promovidas pela Secretaria Municipal de Cultura. Também abriga apresentações culturais, cinema, atividades do Verão Cultural e ações desenvolvidas por projetos contemplados pelo Fundo Municipal de Cultura, que utilizam o espaço como contrapartida social.

Segundo Prates, a movimentação constante é um dos fatores que fazem o local um ambiente de convivência. “A Praça CEU está sempre movimentada. Quanto mais atividades e eventos conseguirmos trazer para cá, melhor para toda a comunidade”, ressalta.

Por ser um espaço público, todas as atividades são gratuitas. O regulamento também proíbe a comercialização de bebidas alcoólicas durante os eventos realizados no local, buscando preservar o ambiente familiar.

Solidariedade faz parte da rotina

Outro projeto que ganhou força no local é o Varal Solidário, criado em 2022 para arrecadação e distribuição gratuita de roupas e agasalhos.

As doações ficam disponíveis diariamente para quem precisa, sem limite de retirada. O funcionamento é baseado na confiança e na consciência da própria comunidade. “A gente trabalha muito essa questão da consciência. Se você precisa, leva. Se não precisa, deixa para outra pessoa. A comunidade entendeu a proposta e continua colaborando”, afirma.

O espaço permanece aberto durante todo o dia para receber doações e atender famílias em situação de vulnerabilidade.

Trabalho contínuo para ampliar o espaço

Além da manutenção diária, a equipe da praça trabalha na revitalização dos jardins, ampliação da horta e preparação de novos espaços para receber as atividades da primavera e do verão. Segundo o coordenador, a equipe é reduzida, formada por quatro colaboradores, mas conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura para executar melhorias e atender as demandas estruturais do espaço. “Quem trabalha no espaço público precisa pensar no legado que vai deixar. Quero que, no futuro, as pessoas olhem para este lugar e saibam que ele foi construído por muitas mãos. Nosso papel é fazer com que a comunidade continue se sentindo parte da Praça CEU”, conclui.

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