Atualmente, cerca de 70 mulheres participam das atividades desenvolvidas ao longo de cinco dias da semana, que incluem oficinas de artesanato, resgate da cultura italiana e alemã, dança, desenvolvimento humano e acompanhamento psicológico, entre outros. Aos sábados pela manhã, a entidade também desenvolve um projeto voltado a crianças em situação de vulnerabilidade social. As ações contam com o apoio do poder municipal, Sicredi e WEF Cestari.
De acordo com a presidente da entidade, Vânia Kratz Mendes, as oficinas de artesanato têm como foco o reaproveitamento de materiais que seriam descartados. Retalhos de tecido provenientes de empresas do setor moveleiro e de estofaria, calças jeans inutilizadas e potes de vidro ganham uma nova utilidade nas mãos das participantes, que transformam os materiais em ecobags, peças artesanais e velas decorativas.
Para a voluntária e oficineira Manu Dequigiovanni, a sustentabilidade é um dos pilares das oficinas, pois mostra aos participantes que é possível criar peças de valor utilizando materiais que seriam descartados. Segundo ela, a proposta também busca desconstruir a ideia de que é preciso investir muito dinheiro para produzir artesanato. “Às vezes, a gente não percebe que o que vai para o lixo pode virar arte. Resgatamos e reciclamos muitos materiais, transformando tudo em arte criativa. Mais do que artesanato, esse trabalho estimula a coordenação motora, o raciocínio e o contato com as mãos, funcionando também como uma forma de arteterapia”, afirma.

Assim como Manu, a oficineira Tatiana Sellmer Nilson também desenvolve atividades voltadas à sustentabilidade através de uma parceria com a Prefeitura. Segundo ela, as oficinas buscam conscientizar as participantes sobre o reaproveitamento de materiais e incentivar um consumo mais responsável. “ Queremos que as participantes reflitam sobre o consumo e o descarte, pensando para onde esses resíduos vão e como podem ganhar uma nova utilidade. Além de desenvolver a criatividade e produzir peças únicas, acredito que o maior benefício seja o convívio. Enquanto realizam as atividades, elas conversam, desabafam e conseguem espairecer um pouco das questões do dia a dia. Acho que é esse contexto que elas mais valorizam”, afirma.
A psicóloga Eduarda Bassolli, que conduziu um dos projetos durante três meses, encerrado na última quinta-feira, 30, explica que um dos principais objetivos das atividades foi incentivar as participantes a resgatarem sua identidade para além dos papéis assumidos no cotidiano. “Ao longo desse período, trabalhamos muito a questão do ‘eu’, ajudando-as a recuperar a própria identidade. Com as demandas do dia a dia, como ser mãe, esposa ou avó, muitas acabam deixando de olhar para si mesmas. Buscamos resgatar essa feminilidade e esse cuidado consigo”, relata.
Voz de quem participa
Participante e, também voluntária da Ação Social São Roque, Pedrinha de Fátima Fernandes Oliveira conheceu a entidade à nove anos, em um período delicado de sua vida. Desde então, construiu uma relação de carinho com o espaço, onde atualmente participa das oficinas e também contribui com as atividades desenvolvidas. “Para mim, estar aqui é uma terapia. A gente esquece um pouco dos problemas que tem em casa. Aqui todo mundo sai feliz. Eu gosto principalmente das oficinas de artesanato e fico contando os dias para voltar. Venho às quartas, quintas e sextas-feiras”, conta.

Para a participante Rosa Maria da Silva, as atividades representam mais do que momentos de aprendizado: são uma oportunidade de cuidar da saúde, fazer amizades e sair da rotina. Ela conta que procura participar de todas as atividades oferecidas pela entidade, como por exemplo ginástica e artesanato. “Quando dá, eu participo de tudo. Qualquer oficina é boa, porque ajuda a cabeça. Eu já tive problemas e essas atividades me distraem, fazem muito bem. Moro no bairro Ouro Verde e venho de ônibus, porque vale a pena. Estar aqui me faz bem”, afirma.

Moradora do bairro São Roque, Márcia Grumiker Soares da Silva participa dos projetos da entidade há mais de 10 anos. Artesã, ela conta que encontrou nas oficinas uma oportunidade de aprender novas técnicas e ampliar seus conhecimentos. “Estou adorando o curso de pintura. Sempre quis aprender essa técnica. Há muitos anos sobrevivo do crochê, foi com ele que criei meus filhos e também cuido da minha irmã, que é deficiente. Sempre gostei de artesanato e de fazer doces. Agora também estou participando das oficinas porque quero aprender cada vez mais e aplicar esse conhecimento na pintura, no crochê e nos trabalhos artesanais”, relata.

Marcia também leva a irmã para participar das atividades da Ação Social São Roque. Segundo ela, os encontros proporcionam momentos de convivência e fazem diferença na rotina da familiar, que está prestes a completar 60 anos. “Ela fica muito feliz quando vem para cá. Interage com as outras participantes, conversa e se sente muito bem. É um momento que faz muito bem para ela”, conta.
Além do convívio, ela afirma que os conhecimentos adquiridos nas oficinas refletem em seu trabalho com artesanato. “As minhas clientes gostam muito do que faço. Produzo trilhos de mesa, jogos de banheiro, tapetes, guardanapos, sousplats e outras peças. Cada curso que participo me ajuda a aprender novas técnicas e a melhorar ainda mais o meu trabalho”, afirma.
Vendas
A presidente menciona que, neste ano, foram confeccionadas bolsas para a Open Closet, e comercializadas. As voluntárias afirmam que algumas das idosas participantes demonstram interesse em empreender, e a iniciativa serve como incentivo para que desenvolvam essa possibilidade.
Vagas abertas
Vânia afirma que os projetos ainda têm vagas abertas. Entre eles está o Contando Histórias e Construindo Futuros, destinado a crianças de seis a 10 anos, em parceria com o COMDICA. As atividades ocorrem aos sábados, das 8h às 12h. Também há vagas para o projeto Raízes Vivas: Resgate Cultural Italiano e Alemão, realizado em parceria com o Sicredi, com encontros nas sextas-feiras, das 13h30 às 16h30.
Doações, participação e voluntariado
Manu afirma que a entidade recebe diversos tipos de doações, desde vidros para confecção de velas, móveis, cordas, tecidos, enfeitas que iriam fora. “Não é apenas roupa ou alimento, tem outras coisas também que fazem parte de um projeto social e sustentável”, afirma.
Vânia menciona que é possível entrar em contato através do telefone: 3454-3097 ou enviar email
acaosocialsaoroque@gmail.com. Além disso, ir até o local, de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e 13h30 às 17h30.





