Uma batida na porta, um colete azul-marinho e um crachá de identificação. Moradores de Bento Gonçalves e de todo o país podem receber, até o dia 30 de novembro, a visita de entrevistadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A ação faz parte da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada em parceria com o Ministério da Saúde, considerada o principal levantamento domiciliar sobre as condições de saúde da população brasileira.
A pesquisa
A análise coleta informações sobre hábitos de vida, acesso aos serviços de saúde, doenças crônicas e outros indicadores que servem de base para o planejamento e a avaliação de políticas públicas. Em parte dos domicílios selecionados, também são realizadas aferições de peso, altura e pressão arterial. Em uma parcela da amostra, haverá ainda coleta de material biológico, conforme os critérios definidos pelo estudo.
IBGE Bento
Segundo o chefe da Agência do IBGE em Bento Gonçalves, Ricardo Bottega, os entrevistadores passaram por uma capacitação específica para conduzir as visitas e esclarecer dúvidas dos moradores.
Bottega salienta que em recente capacitação no Rio de Janeiro, sobre o Plano Nacional de Saúde, o treinamento teve caráter teórico e prático e foi voltado principalmente para a aplicação do questionário, considerado mais complexo do que o utilizado em outras pesquisas domiciliares do instituto. Além dos aspectos técnicos, os profissionais foram preparados para lidar com situações comuns durante as visitas, como recusas, desconfiança dos moradores e dificuldades na abordagem. “Os participantes foram estimulados a discutir diferentes situações encontradas em campo e a desenvolver estratégias adequadas para cada realidade. As atividades foram conduzidas por servidores experientes do quadro permanente do IBGE, que compartilharam orientações e experiências práticas”, explica.
Outra novidade desta edição, segundo Bottega, é a aferição da pressão arterial durante a visita domiciliar. Para isso, os entrevistadores receberam treinamento específico sobre o uso correto dos equipamentos e os cuidados necessários durante o procedimento.
De acordo com o chefe da agência, a orientação é que todo o atendimento seja realizado com respeito, responsabilidade e transparência. Antes de qualquer contato físico necessário para as medições, o entrevistador deve informar o morador sobre o procedimento e solicitar sua autorização. Também há exigências quanto à calibração e à higienização dos equipamentos utilizados.
Polícia alerta
O avanço da pesquisa ocorre em paralelo a uma preocupação das forças de segurança com criminosos que utilizam o nome de instituições públicas para acessar o interior de residências ou extrair dados sigilosos de idosos. Em Bento Gonçalves, as autoridades policiais monitoram a ação do IBGE e dão orientações claras para que a população participe da pesquisa com tranquilidade e não seja vítima de estelionato.
O delegado Rodrigo Morale, titular da 2ª Delegacia de Polícia de Bento Gonçalves, orienta que os profissionais estejam sempre devidamente identificados. “Com o aumento de golpes praticados por pessoas que se passam por representantes de órgãos públicos, a orientação é que os moradores confirmem a identidade dos entrevistadores antes de fornecer qualquer informação. Em primeiro instante, o morador deve solicitar a identificação funcional e, em caso de dúvida, confirmar a autenticidade junto aos canais oficiais”, frisa.
Morale ressalta que não há necessidade de permitir a entrada dos entrevistadores na residência “Caso o cidadão note qualquer comportamento atípico, recusa em mostrar identificação, pressa excessiva ou perguntas que fujam da área da saúde, como senhas, dados bancários ou rotinas financeiras, o atendimento deve ser interrompido imediatamente”, explica.
Identificação
Os profissionais usam: crachás (nome do agente, matrícula e uma foto); vestimenta (usam colete com a logomarca do IBGE) e equipamento (registram os dados em telefone celular específico do instituto).
A identidade dos profissionais pode ser checada pelo telefone 0800 721 8181 ou no site respondendo.ibge.gov.br
Fala, cidadão

“Estou ciente da pesquisa, mas prefiro não abrir a porta. A segurança vem em primeiro lugar. Hoje em dia é muito fácil falsificar coletes e crachás para aplicar golpes. Para ter certeza absoluta da identidade do entrevistador, eu precisaria parar minhas atividades, acessar o site do IBGE e checar os dados do profissional. Isso demanda um tempo que nem sempre temos na correria do dia a dia. Por isso, considero mais seguro e prático realizar meus exames e acompanhar minha saúde nos locais tradicionais de atendimento que já costumo frequentar”.
Júlio Andrei da Cruz, produtor cultural.

“Acho muito válida essa ação do Ministério da Saúde, pois é fundamental participarmos de pesquisas de saúde para melhorar o país. No entanto, o cuidado com a nossa segurança deve vir sempre em primeiro lugar. Por isso, considero correto responder às perguntas apenas no portão de casa. Antes de abrir ou passar dados, checo todas as informações possíveis dos entrevistadores. Se ainda restar qualquer dúvida, o melhor é chamar as autoridades de segurança.”
Maria Eduarda Tonetto, produtora hoteleira.

“Olha, morar em apartamento hoje em dia me deixa em constante estado de alerta. Para mim, abrir a porta de casa ou autorizar alguém a entrar no prédio virou um dilema absurdo. Com a tecnologia de hoje e a criatividade maldosa dessa gente, os golpes de estelionato estão muito fáceis de cair. A gente não corre só risco de perder dinheiro, corre risco de vida mesmo. Não autorizo a entrada de absolutamente ninguém que eu não conheça ou não esteja esperando, porque a minha segurança e a minha vida valem muito mais”.
Rafaela dos Santos Luqueño, servidora pública.





