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Moradores dizem que KM2, em Bento, é um lugar tranquilo e com vizinhos prestativos

Moradores da localidade do KM2, em Bento Gonçalves, avaliam que a segurança no local é tranquila e que a rotina ocorre sem registros frequentes de violência ou movimentações consideradas suspeitas. Os relatos também apontam para a presença periódica das forças de segurança, principalmente da Brigada Militar, durante diferentes horários.

Para Elvina Barbosa de Mesquita, a realidade atual é de tranquilidade. Segundo ela, não há movimentações suspeitas nas ruas e o patrulhamento realizado à tarde e à noite tem contribuído para a sensação de segurança dos moradores. “Aqui a gente vive uma vida tranquila”, afirma.

Elvina também considera importante a continuidade das rondas policiais. Para ela, a presença da Brigada Militar é necessária para que os moradores possam manter a rotina com maior sensação de proteção. “Não existe violência à noite”, relata.

Nelson Ribas, que mora na localidade há cerca de dois anos, diz que o KM2 é um local onde os moradores conseguem sair e retornar para casa sem preocupação. “Aqui é um lugar bom. Não tem barulho, não tem perigo. A gente sai e volta a hora que quer, não tem roubo, não tem nada, é bem tranquilo”, afirma.

Ribas menciona que há bastante fluxo de pessoas em direção à Comunidade Terapêutica Rural de Bento Gonçalves, para tratamento de dependentes químicos e pessoas com problemas de alcoolismo. Ainda assim, segundo ele, essa movimentação não interfere na rotina.

Por morar no KM2 há apenas dois anos, Ribas afirma não ter condições de comparar a situação atual com períodos anteriores. Na propriedade onde vive, entretanto, considera a rotina sossegada e sem ocorrências que tenham alterado sua percepção sobre a segurança.

Com uma relação de quase seis décadas e meia com a localidade, Luis de Paula, também descreve o local como um lugar calmo. Morador da região desde o nascimento, ele afirma nunca ter presenciado movimentações relacionadas ao tráfico de drogas. Para ele, a realidade da localidade sofreu poucas alterações ao longo dos anos.
Segundo De Paula, as forças policiais passam eventualmente pela região e realizam verificações em alguns pontos. Apesar de não considerar a presença constante, ele afirma que as equipes circulam pela localidade quando julgam necessário.

Na avaliação dele, o local sempre manteve características de sossego, sem uma mudança significativa na segurança ao longo dos anos. No entanto, chama a atenção que ao abordar um morador para pedir entrevista ele já pensou se tratar de um golpe.

Outro morador também relata a passagem de diferentes forças policiais pela região. Conforme ele, a Brigada Militar realiza patrulhamentos e outras equipes de segurança também circulam. Ele afirma que as rondas não seguem horários fixos, podendo ocorrer com intervalos que variam de aproximadamente 15 dias a um mês.

Os relatos dos quatro moradores indicam uma percepção positiva sobre a segurança no KM2, especialmente em relação à ausência de crimes presenciados diretamente e à circulação de equipes policiais.

Segundo a delegada titular da 1ª Delegacia de Polícia do município, Raquel Machado Peixoto, não há quase ocorrências de crimes no local. “Tráfico no local é um que outro caso, são raros. Assumi em abril de 2025 a delegacia e, desde então, não temos roubo ou furto. Ou as pessoas não estão registrando ou são delitos de menor potencial ofensivo”, declara.

Nelson Ribas mora no KM2 há cerca de dois anos

Transportes, saúde e estradas

O problema da falta de transporte coletivo até a localidade foi levantado. Viviane Batista, que morou há 15 anos no KM2, relata que havia linhas que atendiam os moradores, mas o serviço deixou de chegar à comunidade há cerca de oito anos.

Segundo ela, atualmente quem precisa utilizar o transporte público precisa caminhar até a BR-470 para chegar à parada mais próxima. A distância é de aproximadamente um quilômetro e meio.

No entanto, ela avalia de forma positiva o transporte escolar. Segundo ela, atualmente os veículos realizam o embarque dos estudantes próximo às residências, depois de reivindicações feitas por moradores.

Já a dificuldade de acesso aos serviços de saúde é outro ponto levantado. Para conseguir atendimento na unidade de saúde de Tuiuty, local mais perto do KM2, é necessário entrar em contato previamente e conseguir uma das fichas disponibilizadas diariamente.

Viviane diz que já tentou marcar consultas em diferentes ocasiões, mas encontrou dificuldades pela limitação de vagas. Na avaliação dela, moradores que vivem mais próximos da unidade acabam tendo maior facilidade para conseguir atendimento.

Ela defende uma alternativa de organização por localidades, com períodos específicos para que moradores de comunidades mais distantes possam solicitar consultas. A medida, segundo ela, poderia evitar deslocamentos desnecessários para quem não tem veículo.

Em relação às estradas, a empresária afirma que os serviços de manutenção são realizados, mas considera que os problemas retornam rapidamente por causa das condições das valetas e do escoamento da água.

Para ela, seria necessário investir em uma estrutura de drenagem mais eficiente para evitar que a água provoque novos danos.

Elvina também classifica as estradas como um dos principais problemas da comunidade. Segundo ela, o local estaria sendo deixado de lado e necessita de manutenção. Em períodos de chuva afirma que o deslocamento fica mais difícil e perigoso.

A preocupação ganhou força após as enchentes. Viviane relata que muitos moradores deixaram a localidade depois das ocorrências, principalmente por receio de novos deslizamentos e alagamentos.

Iluminação e coleta de lixo

Em relação à iluminação pública e à coleta de lixo, a avaliação dos moradores é mais positiva. Viviane afirma que o recolhimento ocorre semanalmente, às quartas-feiras.

Ela relata que chegou a solicitar a troca de uma lâmpada queimada em frente à residência e que o atendimento ocorreu, embora tenha levado cerca de 20 dias.

Falta de opções de lazer e esporte

Segundo Elvina, atualmente não há opções suficientes para a comunidade. Viviane lembra que existe uma pequena praça com quadra e brinquedos, que era mais utilizada quando havia mais crianças na localidade. Com a saída de famílias após as enchentes, porém, ela percebe que o espaço passou a ser menos frequentado.

Viviane defende que o local poderia receber projetos voltados às crianças, aos adolescentes e também aos adultos. Entre as possibilidades, cita atividades esportivas, oficinas e outras ações que aproximariam os moradores e ofereceriam alternativas de convivência.

Apesar das dificuldades, ela faz questão de apontar que a percepção sobre o KM2 não se resume aos problemas estruturais. Para ela, a comunidade é formada por moradores trabalhadores e existe uma relação de solidariedade entre os vizinhos.

Ela conta que, durante as enchentes, precisou deixar a residência por estar em uma área de risco. Enquanto esteve fora, os vizinhos permaneceram atentos à casa e ajudaram a cuidar do imóvel.

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