A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou redução no número de mortes decorrentes de sinistros de trânsito no trecho da BR-470 sob responsabilidade da unidade de Bento Gonçalves. Entre janeiro e 27 de agosto deste ano, foram contabilizados oito óbitos no trecho de circunscrição, que se estende por aproximadamente 155 quilômetros, entre Montenegro e André da Rocha. No mesmo período de 2025, foram 12 mortes, o que representa uma redução de 33,3%.
Em todo 2025, foram 19 óbitos em acidentes de trânsito no trecho. Já em 2024, a PRF contabilizou dez mortes decorrentes exclusivamente de sinistros de trânsito, sem considerar as vítimas relacionadas ao desastre climático daquele ano.
Segundo o Chefe de Operações da PRF, João Vicente Trevisan, a redução observada em 2026 está relacionada principalmente à intensificação da fiscalização sobre comportamentos considerados de maior risco. “A redução expressiva nos óbitos na nossa região é resultado direto de um esforço estratégico focado na preservação de vidas”, afirma Trevisan.
Fiscalização é direcionada para pontos de maior risco

A PRF afirma que passou a utilizar de maneira mais intensa dados estatísticos, tecnologia e inteligência policial para definir onde e quando as equipes serão posicionadas. A estratégia busca identificar antecipadamente os locais e horários com maior probabilidade de ocorrência de acidentes graves.
Entre as principais condutas fiscalizadas estão o excesso de velocidade e as ultrapassagens indevidas, apontadas como fatores diretamente relacionados aos acidentes fatais registrados. “Não posicionamos equipes de maneira aleatória, mas direcionamos a fiscalização utilizando-se de inteligência e tecnologia baseada em evidências para prever e antecipar pontos e horários críticos de risco. Esse mapeamento permite antecipar os locais onde a probabilidade de acidentes graves é maior, agindo preventivamente. O comportamento do motorista muda quando ele percebe essa presença ostensiva e estratégica, fazendo com que os condutores reduzam a velocidade e evitem manobras arriscadas”, explica.
Em 2026, os pontos considerados mais críticos estão concentrados principalmente em Bento Gonçalves e Garibaldi. Conforme ele, a combinação entre o tráfego urbano, o intenso fluxo de veículos de carga e o grande número de acessos e interseções contribui para aumentar os riscos nesses locais.
Entre os acidentes fatais registrados neste ano, as principais ocorrências envolvem colisões frontais e saídas de pista. Também houve um óbito provocado por atropelamento de pedestre.
Velocidade e cinto estão entre as principais preocupações
De acordo com o Chefe de Operações, as infrações mais flagradas pela PRF no trecho são o excesso de velocidade e o não uso do cinto de segurança, tanto por motoristas quanto por passageiros.
A velocidade elevada reduz o tempo de reação do condutor, aumenta a distância necessária para a frenagem e eleva a energia envolvida em uma eventual colisão. Já o cinto de segurança não impede o acidente, mas reduz significativamente o risco de que os ocupantes sejam arremessados contra partes do veículo ou ejetados para a pista.
A fiscalização também envolve o uso do celular ao volante, equipamentos obrigatórios e as condições dos veículos, especialmente aqueles utilizados no transporte de cargas. Pneus, freios e a correta amarração das mercadorias estão entre os itens observados pelos agentes.
A atuação é reforçada em períodos de maior movimento, como finais de semana e feriados. Nesses momentos, as equipes são posicionadas estrategicamente para tentar conciliar a segurança com a fluidez do trânsito.
Infraestrutura
Além da fiscalização, a PRF considera a infraestrutura um dos pilares para a redução dos acidentes. A corporação mantém diálogo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e com a Caminhos da Serra Gaúcha (CSG), concessionária responsável pelo trecho, indicando locais que necessitam de melhorias na sinalização e na engenharia da rodovia.

Trevisan aponta ainda a existência de estudos para um projeto de duplicação da BR-470 na região. Segundo ele, uma obra desse porte poderia contribuir para a segurança e a fluidez ao reduzir conflitos provocados por acessos diretos, interseções e rotatórias no mesmo nível.
A análise dos dados históricos também é utilizada para orientar as ações. A PRF acompanha a evolução dos acidentes, identificando os tipos de infrações mais frequentes, além dos dias, horários e trechos em que o risco de acidentes graves aumenta.
Educação complementa fiscalização
A estratégia da PRF não se limita à fiscalização. A corporação também realiza campanhas educativas para diferentes públicos, incluindo motoristas de veículos de passeio, passageiros de ônibus e profissionais do transporte de cargas.
Palestras em empresas e instituições de ensino fazem parte das ações, assim como os Comandos de Saúde, voltados aos motoristas profissionais. Nessas atividades, são avaliadas condições físicas dos condutores e repassadas orientações sobre os riscos relacionados à fadiga e à falta de descanso.
Para Trevisan, a conscientização é fundamental para que a redução dos acidentes seja mantida. A atuação educativa da PRF também engloba campanhas relacionadas à proteção de grupos vulneráveis e ao enfrentamento de crimes, como a Alerta Lilás, realizada durante o mês de agosto com foco na conscientização e no combate à violência contra a mulher.





