Quarta-feira, 01 de Julho de 2026

ÚLTIMA HORA

Cheirando mal

Tenho saudades dos caronas de minhas viagens de trabalho, especialmente quando das idas e vindas para a Capital do Estado, ocasiões em que podíamos conversar um pouquinho mais com cada um que nos acompanhava.

Memorável aquela viagem desde Bento até Rio Grande quando tive a honra de ter como carona o Irmão Rodrigues, diretor e professor do Colégio Aparecida, escola onde aprendi a ser gente. Foi uma viagem repleta de troca de conhecimentos, boas lembranças e fiquei deslumbrado com aquele homem que tanto eu já admirava e carinhosamente apelidara de Irmão “Bolinha”.

Um fato que sempre recordarei, por ter acontecido tantas vezes, se dava com as caronas da Dona Blandina. Já sexagenária, era a companhia que mais ocupava o banco de passageiros de meu “fuscão”. Madrugadas e noites a dentro lá íamos nós, muitas vezes ela dormindo, outras me alertando sobre o perigo das estradas e sempre companheira de viagem.

Interessante que depois de um tempo de viagem ela sempre perguntava:

-“Paulo, já passamos por aquele lugar dos curtumes?”

Era um ponto de referência da viagem pois, via de regra, o local fedia demais. Era um cheiro de fechar as janelas do carro e aguentar o calor.

– “Mãe, é aqui. Vou fechar os vidros”.

– “Não precisa fechar Paulo. A gente passa ligeiro e pronto”.

Custei para descobrir a sutileza da Dona Blandina. Foi num dia que eu me equivoquei sobre o local dos curtumes e avisei que estávamos chegando no nefasto local.

Deus meu! Parecia que de fato havia um curtume naquele local e que ele havia explodido naquele momento. Um fedor de não aguentar e eu, apressado, girando a maçaneta dos vidros.

Foi só então que descobri que ela aproveitava a passagem pelo local para poder liberar alguns gases. Desde então eu sempre avisei: – “Mãe! Aproveita que já chegamos no curtume.”

Uma resposta

  1. Há uma controvérsia sobre o autor do apelido “Irmão Bolinha”. Segundo uma fonte familiar, o autor teria sido Edegar Da Rolt, que inclusive fizera uma caricatura à lápis do Sr. Nadir B. Rodrigues com o referido apelido grifado e em negrito. Por tal feito, os pais foram chamados à diretoria para responder a tal “ofensa”. Entretanto, a caricatura (que parecia uma foto) foi tão perfeita e criativa que o Irmão Bolinha acabou rindo e elogiando o trabalho.
    Testemunha atual do fato: Édalo Darolt.

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