Terça-feira, 30 de Junho de 2026

ÚLTIMA HORA

Capitéis e Igrejas

Pequenas capelas de madeira ou construções sólidas em pedra eram sempre centro da vida colonial.

Ao contrário da maioria dos alemães, que sofreram por serem protestante, num país em que a religião oficial era a católica, os italianos, fizeram da atividade religiosa o foco da vida comunitária. “A escola e o professor não eram exigidos pelos colonos, assim como exigiam o padre e a igreja, diz o relatório do governo provincial de 1886. Em cada núcleo colonial, a igreja ocupava o ponto principal, e a construção de igrejas e capelas mobilizava sempre a participação coletiva, com doações de material e trabalho voluntário.

Os estilos de matérias eram variados, desde a simples casinha de madeira até a importante obra de pedra talhada ou de tijolo artesanal, transportados para o local um a um pelos fiéis enfileirados.

Frequentemente separado do corpo principais das capelas, o campanário concentrava as atenções em todos os templos católicos da região.

Os capitéis, as pequenas capelinhas construídas ao longo das estradas, geralmente em uma encruzilhada, ou em terras particulares, testemunham a religiosidade dos imigrantes e a frequência dos cultos familiares. Suas formas podem variar desde uma cruz com cobertura de duas águas, uma capelinha com uma imagem e até capelas maiores com pequenos altares. Eram erguidas, muitas vezes, para testemunhar uma graça recebida ou dedicadas ao santo de sua devoção. O fervor religioso era cultivado com rigor nas famílias. Havia orações para todo momento: para a manhã, para a noite, para a hora das refeições. “A noite, mesmos cansados, rezavam o terço, de joelhos no chão, ao lado da mesa… alguns vencidos pelo cansaço mal balbuciavam…” , conta o depoimento de um pioneiro imigrante.

Foi decisivo o papel das igrejas na aglutinação dos colonos e na formação de cidades e vilas em toda a região de ocupação italiana no Estado. Muitos sacerdotes, principalmente os italianos que acompanhavam os imigrantes, ajudavam a superar a saudade.

No início da colonização, os vigários (sacerdotes) eram encarregados do império para receber as declarações para o registro de suas terras. Cabia a eles instruir os fiéis da obrigação do registro dos lotes dentro do prazo estabelecido pelo governo e alertar sobre as penalidades que poderia acarretar o não cumprimento dessa obrigação.
Aos padres, também cabia o registro, em livro, dos nascimentos, casamentos e óbitos, até a organização civil. Isto permaneceu até a queda do império (1889).

O interior das pequenas capelas e capitéis guardava também grande parte da produção artesanal da arte sacra da região colonial italiana. A maior expressão se concentra nos altares e nas portas ou em pequenas imagens de santos esculpidos em madeira pelas mãos de artistas anônimos.

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