Quinta-feira, 02 de Julho de 2026

ÚLTIMA HORA

Familiares querem transformar a dor em Memorial

Passados dois anos, muitas histórias, dor e lembranças ficaram da grande inundação de 2024 em todo o Rio Grande do Sul. Na Linha Alcântara, em Bento Gonçalves, a comunidade católica de Nossa Senhora dos Navegantes acabou sendo extinta. A pequena Capela de madeira, o salão da comunidade e o cemitério foram completamente levados pelas águas. A maioria dos restos mortais de entes queridos que estavam ali sepultados nunca mais foram encontrados, mas os familiares conseguiram recolher alguns corpos e vários ossos ao longo do rio sem que pudessem ser identificados.

Das inúmeras histórias que ficaram para ser contadas, uma é de Dona Fiorentina Pasquali Faccin, falecida há mais de 15 anos e sepultada naquele cemitério. Pouco antes de morrer, ela havia dito que jamais sairia de lá. Curiosamente, seu corpo foi o único que permaneceu ali, com o túmulo. Todos os outros foram levados pelas águas. Seu túmulo virou um marco. Outra história é de Dona Maria Lopes Faccin, cujo corpo foi levado pelas águas e encontrado, depois, justamente bem na frente do lugar onde ela morava.

Poucas famílias ainda moram naquela localidade. Para resgatar as histórias e homenagear as memórias, Alcides Mesacasa, antigo morador, teve uma ideia. Ele compartilhou essa ideia e a desenvolveu junto com outras pessoas que ali moravam: construir no local um Memorial, algo bonito, na simplicidade, um lugar para visita, reflexão e oração.

Entrou em contato com todas as famílias que tinham entes queridos sepultados nesse cemitério e logo todos ficaram de acordo com a realização do Memorial. A ideia foi transformada em uma maquete e, desde então, por onde tem sido levada, todos se dispõem a ajudar a erguer o Memorial, sem custos para as famílias e para a Paróquia. O Padre Moacir Canal, pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, em Faria Lemos, à qual pertencia a comunidade de Nossa Senhora dos Navegantes, também gostou da ideia e elaborou um documento autorizando Alcides a levar o projeto adiante.

Alcides Mesacasa explica que, no projeto, junto ao túmulo de Dona Fiorentina, será construído um ossário para sepultar com dignidade todos os restos mortais encontrados após a inundação. No painel, que será erguido ao lado, serão feitos registros das histórias e dos nomes de todas as pessoas que estavam ali sepultadas.

Um projeto de paisagismo fará do lugar um ambiente de conforto e oração aos que visitarem. Na última terça feira (30), o vereador Joel Bolsonaro levou o projeto para a sala de reuniões da Câmara Municipal e ele foi apresentado aos convidados. Alcides Mesacasa, Ivone Faccin Casarini e Paulo José Felippe, membros da comissão de familiares, expuseram o projeto com entusiasmo e foram aplaudidos. Agora, o projeto segue com mais alternativas para ser concretizado.

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