A cada quatro anos, o mundo inteiro decide esquecer os problemas e se render à Copa do Mundo, essa grande celebração do esporte e, por vezes, da diplomacia instantânea. Afinal, nada diz “unidos pelo futebol” como abrir a bandeira do Irã em plenos Estados Unidos, mesmo que só por alguns minutos. É o poder do futebol: rivais históricos sentam lado a lado, torcem juntos e fazem de conta que a política é apenas um detalhe.

Aqui no Brasil, país pentacampeão, a pressão é eterna. Substituir Pelé, Garrincha, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros craques é uma tarefa hercúlea. E mesmo com os jogadores mais caros do mundo, o show em campo às vezes deixa a desejar. Falta garra, ousadia, amor à camisa… talvez até aquela malícia do futebol de rua, aprendido na infância, com bolas de meia ou tênis de futsal na quadra de cimento do bairro.

Lembro-me da minha infância: pausa na aula para acompanhar cada lance, decorar placares, saber o nome de todos os jogadores. A TV não mostrava apenas futebol, mostrava países, culturas e sonhos. E eu fazia bolões, apostando quem levantaria a taça. Hoje, esse encanto parece ter se perdido. Alguns jogadores jogam pelo salário, outros ostentam nomes famosos sem grandes conquistas. Neymar Jr., Raphinha, Vini Jr… cada um à sua maneira, nem sempre inspirando o futebol que sonhamos.

E não importa o horário do jogo do Brasil, as ruas se transformam em verde e amarelo. Pode olhar nos hospitais, nos bairros, nos shoppings… tudo fica deserto. É mentira que as pessoas preferem ficar no celular; elas gostam é de festa, querem comemorar cada gol, vibrar, cantar, se abraçar. Imaginem então a emoção da Copa realizada no Brasil, a festa das ruas, dos bares, das praças… uma explosão de alegria coletiva que só o futebol consegue criar.

A Copa nos lembra que, mesmo com todas as críticas, dramas e comparações com os craques do passado, há algo universal e imbatível no esporte: a capacidade de unir pessoas, quebrar rivalidades por alguns minutos e transformar simples partidas em momentos de memória e emoção que duram para sempre.

Que mesmo após a Copa, o espírito esportivo não se apague. Continuamos torcendo, incentivando crianças a praticarem e talvez, quem sabe, a se tornarem os ídolos da nossa infância. Porque no fundo, o futebol faz muito mais que decidir campeonatos: une pessoas, desperta paixões e ensina que, no jogo da vida, a vitória é apenas uma consequência.