Na semana em que é comemorado o Dia do Policial Civil, Bento Gonçalves celebra uma queda histórica na criminalidade, fruto de investigações estratégicas e trabalho integrado. Apesar dos avanços, desafios como efetivo reduzido e crimes digitais ainda exigem atenção
No dia 21 de abril, quando é celebrado o Dia do Policial Civil, os profissionais da investigação criminal ganham reconhecimento por um trabalho muitas vezes silencioso, mas essencial para a segurança da população. Em Bento Gonçalves, os resultados desse esforço aparecem de forma concreta: a queda expressiva nos índices de criminalidade ao longo dos últimos anos.
De acordo com o delegado Rodrigo Veiga Morale, titular da 2ª Delegacia de Polícia (DP) do município, a atuação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul tem sido estratégica no enfrentamento da criminalidade, com foco na investigação qualificada e na responsabilização dos autores. “Os dados mostram claramente a efetividade desse trabalho”, afirma.
Entre os exemplos citados pelo delegado está o roubo de veículos, que atingiu o pico em 2015, com 108 ocorrências, e atualmente está zerado em 2026. O roubo a pedestres, que chegou a 391 casos em 2016, caiu para apenas três registros. Já o furto de veículos despencou de 418 ocorrências, em 2015, para nove neste ano.

Nos crimes mais graves, como os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), isto é, os homicídios, a redução também é significativa: de 51 casos em 2018 para seis registros em 2026.
Segundo Morale, esses números são resultado de um trabalho integrado entre forças de segurança, com uso de inteligência e análise de dados para direcionar ações mais eficientes.
Dificuldades que persistem
Apesar dos avanços, o delegado ressalta que ainda há desafios. A alta demanda, o efetivo reduzido e a crescente complexidade dos crimes, especialmente os digitais, estão entre as principais dificuldades enfrentadas pelos policiais. “A necessidade de atualização tecnológica é constante, assim como o aprimoramento das técnicas investigativas”, explica.
A modernização da Polícia Civil tem sido uma das estratégias para enfrentar esse cenário. O uso de tecnologia, inteligência policial e a leitura estratégica dos indicadores criminais têm permitido respostas mais rápidas e eficazes.
Além disso, a aproximação com a comunidade e a integração com outras forças de segurança são apontadas como fundamentais tanto para a prevenção quanto para a repressão qualificada.
Para o delegado, o Dia do Policial Civil também é um momento de refletir sobre a valorização da categoria. “Ainda há espaço para melhorias, principalmente em estrutura e efetivo, mas o reconhecimento da sociedade é fundamental e vem crescendo diante dos resultados apresentados. É uma atividade essencial para que os crimes sejam devidamente investigados e não fiquem impunes”, destaca.
Por fim, ele reforça o papel da população na construção da segurança pública. “Denunciar, colaborar e confiar nas instituições faz toda a diferença. A investigação é fundamental para quebrar o ciclo do crime e evitar a reincidência. Segurança pública é uma construção coletiva”, finaliza.