Criada no bairro Santa Helena, transforma o sonho de infância de participar do evento em compromisso com a comunidade e a preservação das raízes locais
Antes de integrar a corte da Fenavinho, Graziele Miszevski já conhecia a festa pelo olhar de quem caminhava entre os estandes de mãos dadas com os pais, observando tudo com encantamento. A menina que visitava o evento apenas para passear e admirar os detalhes cresceu, mudou de lugar na plateia e hoje ocupa o centro da celebração como Dama de Honra, não como símbolo distante, mas como representante direta das histórias que formam Bento Gonçalves.
A presença na corte, para ela, carrega um significado que vai além do título. É a continuidade de uma trajetória construída com trabalho, esforço e forte vínculo comunitário. Mais do que vestir a faixa de Dama de Honra, Graziele entende que representa o bairro, a família e as pessoas que a ajudaram a chegar até ali.
Valores que nascem do exemplo
Filha de Nelson, pedreiro, e de Janete, doméstica, Graziele cresceu acompanhando de perto a rotina de dedicação dos pais. A ética do trabalho e a humildade tornaram-se referências constantes na formação do seu caráter. “Cresci vendo de perto o valor do trabalho honesto, do esforço diário e da humildade. Em casa aprendi que nada vem fácil, mas que tudo pode ser conquistado com dedicação, respeito e muita vontade de fazer dar certo”, afirma. Segundo ela, é essa base que sustenta cada passo importante da vida.
Quando decidiu concorrer à corte, encontrou novamente apoio incondicional dentro de casa. “Minha família sempre esteve ao meu lado. A decisão foi recebida com orgulho e incentivo. Cada palavra de apoio e cada gesto deles fez parte dessa caminhada”, relata.
Muito além do endereço
Se a família é o alicerce, o bairro Santa Helena é o território afetivo. Nascida e criada na comunidade, Graziele associa o local às primeiras amizades, aprendizados e ao senso de coletividade que carrega até hoje. “Foi ali que aprendi sobre comunidade, pertencimento e união”, conta.
Representar a Associação do Santa Helena durante o processo da corte, diz, tornou a experiência ainda mais simbólica. “Foi uma forma de levar comigo as minhas raízes”, afirma.
Bento como escola de vida
A relação com o município se constrói no cotidiano. Para ela, a cidade ensina sobre perseverança e tradição, características que associa ao próprio povo. “É uma cidade construída por histórias de pessoas simples, batalhadoras e apaixonadas pelo que fazem. O que mais me orgulha é essa força coletiva, que une passado, presente e futuro”, destaca.
Ela observa um município em transformação, mas que preserva vínculos próximos. “Vejo Bento como uma cidade em constante movimento, que cresce sem perder suas origens”, avalia.
Na sua percepção, espaços como a Fenavinho ampliam oportunidades para jovens e mulheres. “Eventos como esse mostram que temos voz, espaço e protagonismo”, pontua.
Um sonho guardado desde pequena

O desejo de participar da festa acompanha Graziele desde a infância. As lembranças das visitas com os pais permanecem vivas, como pequenas cenas que alimentam o sonho. “O desejo nasceu quando eu ia com eles apenas para olhar, passear e me encantar com cada detalhe da festa”, relembra.
Anos depois, já trabalhando como promoter em eventos, ela vivenciou o lançamento da Fenavinho por outro ângulo. Incentivada por amigas, decidiu se inscrever. “Foi ali, vivendo a festa de perto, que percebi que aquele antigo sonho fazia ainda mais sentido”, afirma.
Crescimento e autoconfiança
O processo de preparação exigiu dedicação emocional. Entre ensaios, compromissos e exposições públicas, o maior desafio foi interno: controlar a ansiedade e confiar no próprio potencial. “Foi um processo intenso de aprendizado e autoconhecimento. O maior desafio foi acreditar em mim mesma”, relata.
Ao perceber que cada etapa fazia parte do crescimento, passou a enxergar a jornada com mais leveza.
Do público ao palco
Entre os momentos vividos, um se destaca: perceber que o antigo sonho de infância se tornara realidade. “O momento mais marcante foi entender que aquele sonho de infância havia se tornado real. Estar ali, agora como integrante da corte, ressignificou todas aquelas lembranças de quando eu apenas observava, encantada, segurando a mão dos meus pais”, conta. A memória, afirma, dá sentido à responsabilidade atual.
Como dama de honra, Graziele enxerga a função como elo entre gerações. Para ela, a corte é guardiã da cultura local e também espaço de fortalecimento feminino. “Representar Bento Gonçalves significa honrar a história da cidade e da festa, suas raízes e sua gente”, afirma.
Ela reforça que o papel vai além da estética. “Somos mulheres que contam histórias, que inspiram e que ajudam a manter viva a identidade cultural de Bento Gonçalves”, destaca.
Comunicação e novos caminhos
Com planos voltados ao meio digital, Graziele vê na comunicação uma ponte com o público. Para ela, influência não se mede apenas por números, mas por credibilidade. “A experiência na corte tem me ensinado que isso vai além dos números: ela nasce da responsabilidade e da forma como escolhemos usar nossa voz”, afirma.
Na despedida da próxima edição da Fenavinho, que marca o encerramento do ciclo como corte, ela quer viver cada instante com presença. “Espero celebrar cada momento como um encerramento bonito de um ciclo construído com dedicação, aprendizado e muito amor por Bento Gonçalves”, diz.
Ao final, deseja deixar uma mensagem simples: “A Fenavinho é feita de histórias reais, de pessoas comuns que carregam grandes sonhos”, ressalta.
É assim que gostaria de ser lembrada: “como alguém que exerceu seu papel com verdade, sensibilidade e comprometimento”, conclui.