Prática integrativa está disponível desde 2017 na rede municipal, sem necessidade de encaminhamento médico, e é indicada para dores crônicas, ansiedade e promoção do bem-estar
Ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de Bento Gonçalves há oito anos, a auriculoterapia tem ampliado o acesso da população a terapias complementares de cuidado físico e emocional. Integrada à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), a técnica é aplicada hoje em diferentes serviços da rede municipal e já soma centenas de atendimentos.
Somente em 2025 foram realizadas 310 sessões, e neste ano o município já contabiliza 70 aplicações, demonstrando a procura crescente pelo tratamento.
Conforme explica a coordenadora do Núcleo Municipal de Educação em Saúde Coletiva (NUMESC), Michele Girolometo Fracalossi, a auriculoterapia passou a ser oferecida na rede pública local em 2017 e está disponível no CAPS II, CAPS Infantojuvenil (CAPSi), CAPS Álcool e Drogas (CAPS AD), Espaço do Idoso, Serviço de Assistência Domiciliar (SAD), Unidade Central e em Estratégias de Saúde da Família de diversos bairros.
Acesso direto ao serviço
Diferentemente de muitos atendimentos especializados, não é necessário encaminhamento médico. O próprio usuário pode procurar sua unidade de referência e solicitar o atendimento. Caso o serviço não esteja disponível naquele local, o paciente é direcionado para a unidade mais próxima.
O tratamento costuma ser organizado em ciclos de cerca de 10 sessões semanais, com intervalo médio de sete dias entre elas.
Indicações e benefícios
Embora não haja uma indicação única, a prática tem sido utilizada principalmente em casos de dores crônicas, ansiedade, estresse, sintomas depressivos, constipação intestinal, além de auxiliar no controle do tabagismo e da compulsão alimentar. Também é aplicada como estratégia de cuidado para profissionais de saúde.
Segundo Michele, os resultados são acompanhados ao longo das sessões. Há relatos de redução de crises de ansiedade, melhora do sono e diminuição de dores persistentes, reforçando o caráter complementar da auriculoterapia.
Técnica integrativa e complementar
Baseada na medicina tradicional chinesa, a auriculoterapia estimula pontos específicos do pavilhão auricular, considerado um reflexo do organismo. Para isso, podem ser utilizadas sementes, esferas magnéticas, cristais, agulhas ou laser.
A coordenadora destaca que a prática não substitui tratamentos convencionais, atuando de forma integrada ao acompanhamento médico. “É uma ferramenta complementar, que olha o usuário de forma holística e amplia as possibilidades de cuidado”, observa.
Profissionais capacitados e expansão do serviço
No município, a aplicação é realizada por enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos com formação específica reconhecida pelos conselhos profissionais. A capacitação é ofertada por instituições como a Escola de Saúde Pública da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com etapas teóricas e práticas.
A Secretaria de Saúde também projeta ampliar as práticas integrativas. A meta é que, nos próximos cinco anos, cada serviço de saúde disponibilize ao menos uma modalidade, incluindo atividades como dança circular, Lian Gong, arteterapia e aromaterapia.
Divulgação junto à comunidade
Para informar a população, o município promove ações em eventos e espaços públicos. A técnica já foi apresentada em iniciativas como o Festival de Balonismo, atividades do Janeiro Branco e campanhas temáticas ao longo do ano, aproximando o serviço da comunidade.
Para a coordenadora, a proposta é justamente ampliar as possibilidades de cuidado dentro da atenção básica. “A auriculoterapia é uma prática segura, acessível e que complementa os tratamentos convencionais. Nosso objetivo é que cada vez mais pessoas conheçam e utilizem esse recurso como parte do cuidado com a própria saúde”, afirma.