Pinturas e gravuras nas rochas, a chamada arte rupestre, cujos registros históricos e pré-históricos são estudados por profissionais paleontólogos, dão conta de que o primeiro instrumento de trabalho utilizado pelo ser humano foi um tipo de machado de mão, criado a partir de uma pedra lascada.
Imaginemos o uso de tal machado, a primeira extensão das mãos, servindo a vida para cortar plantas, caçar, se alimentar, se defender, mas, igualmente, servindo a morte, pois não nos esqueçamos, instrumentos são meros instrumentos, o seu uso e que fará toda a diferença.
Passados milhões de anos, saímos do machado de pedra lascada para a caneta e o bisturi, estes últimos, assim entendo, são os legítimos substitutos dos instrumentos que representam, nas mãos de seus operadores, médicos e juízes, a vida e morte do ser humano, cujas causas são as mais diversas, não se tratando de culpados, porém, cujas consequências são inerentes, a começar pelo impacto nas famílias e igualmente na sociedade como um todo, em especial cujo resultado venha a ferir seus princípios morais, éticos e culturais, aliado à tradição.
Pois bem, no último dia 04 de junho, no julgamento de crime de homicídio do menino Henry Borel, assassinado pelo padrasto em março 2021 no RJ quando tinha 04 anos de idade, cuja perícia constatou 23 lesões pelo corpo e tendo a efetiva participação da mãe, seja pela tortura praticada, seja pela postura omissa na proteção ao filho, teve pela caneta da juíza, ao conceder perdão judicial para a mãe, um abalo quanto aos valores morais que norteiam a nossa sociedade e me fez mais uma vez, recordar e admirar o sábio Juízo do rei Salomão, 1 Reis (capítulo 3, versículos 16 a 28) ao descobrir a verdadeira mãe da criança daquelas que se diziam legítimas.
Tal perdão judicial foi fundamentado sob a alegação de “reação desproporcional da sociedade, classificando-a como discriminatória e fruto de uma cultura que exige que a mulher seja uma mãe perfeita”, ao que me parece, data vênia, confunde perfeição com o sublime, mesmo que imperfeito, AMOR MATERNO, bem como, mesmo que sem intenção, deixa entreaberta a janela, correndo o risco de contaminar o ambiente da objetiva JUSTIÇA com o odor fétido e nauseabundo da ideologia.
Desculpem-me, mas a “mãe” que é omissa na segurança e cuidado de um filho, cujo amor materno se rende em troca da paixão da carne pela cara metade, questionável ser digna de ser chamada de MÃE, cujo exemplo, em letras maiúsculas, até mesmo no reino animal desafia a nossa humanidade haja visto tal caso.
Sim, a JUSTIÇA, por óbvio, não poderia trazer à vida o inocente Henry de 04 anos de idade, mas, pelo poder da caneta, poderia sim ter evitado a 24º lesão, agora, ferindo sua memória e demonstrando no abjeto perdão judicial a incapacidade de proteger as menores sementes da sociedade, as crianças.
Ao contrário, recentemente, em março deste ano, a mesma caneta, contudo, nas mãos da então juíza do 2º Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte, sentenciou pela inocência de uma MÃE, seguindo a voz da sociedade representada pelo Conselho de Sentença, absolvendo-a de assassinato de seu companheiro que, segundo ela, tentou abusar de sua filha de 11 anos de idade, razão pela qual, resumindo, cortou o mal pela raiz e, após, queimou o problema de uma vez por todas.
Alguns poderão pensar e até mesmo julgar que estaria aqui defendendo ou fazendo apologia em favor da violência ou da justiça pelas próprias mãos… Em definitivo, NÃO, pois, sabidamente, VIOLÊNCIA gera VIOLÊNCIA e o único antídoto para esse vírus que se alastra no país é quando o instrumento da caneta se sobrepõe a toda e qualquer arma e se transforma em JUSTIÇA…PERDÃO HENRY!