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Projeto do Esportivo quer prevenir a violência doméstica

O futebol também pode se tornar um instrumento de prevenção à violência contra a mulher, como mostra a proposta do projeto “Respeito que Protege”, defendido na Consulta Popular e idealizado pela orientadora educacional Cláudia Refatti Benato. A iniciativa busca utilizar o esporte como ferramenta para incentivar o respeito, fortalecer a cultura de paz e prevenir diferentes formas de violência, especialmente a doméstica.

Facilitadora de Justiça Restaurativa e de Círculos de Construção de Paz desde 2012, Cláudia explica que a ideia surgiu a partir de sua atuação voluntária junto às categorias sub-17 e sub-20 do Clube Esportivo, onde desenvolve atividades voltadas ao fortalecimento de equipes, autoconhecimento e autorresponsabilização dos atletas. Integrante do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Condim), ela afirma que a convivência com diferentes realidades despertou a necessidade de levar o debate também ao ambiente esportivo.

Segundo Cláudia, uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) aponta que episódios de violência doméstica podem aumentar após partidas importantes de futebol, principalmente quando fatores como consumo de álcool e frustração com o resultado do jogo se somam a comportamentos violentos já existentes. Diante desse cenário, o projeto pretende atuar justamente na prevenção.

Cláudia Refatti Benato é a idealizadora do projeto

Entre as ações previstas estão rodas de conversa com torcedores e lideranças das torcidas organizadas, campanhas educativas em dias de jogos, distribuição de materiais informativos e a instalação de telões no estádio para exibição de mensagens de valorização da família, do respeito e da não violência.

Outra frente importante será a participação de um atleta do Clube Esportivo como embaixador da causa. A proposta é que ele participe de encontros em escolas e instituições de ensino, promovendo diálogos com estudantes sobre respeito, responsabilidade e convivência. Ao final das atividades, alunos e jogador deverão assinar um termo simbólico de compromisso com a promoção da cultura de paz.

O projeto também prevê uma ampla rede de parcerias com órgãos públicos e entidades da sociedade civil. Entre os envolvidos estão o Condim, Brigada Militar, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Coordenadoria da Mulher, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Ministério Público, Sindilojas, secretarias municipais, Centro de Referência à Mulher em Situação de Violência (REVIVI) e outras instituições que deverão participar do planejamento e da execução das ações.

Além das atividades educativas, a iniciativa pretende desenvolver mecanismos para avaliar os resultados do programa. A intenção é contar com o apoio de universidades para mensurar o impacto das ações e construir um modelo que possa ser ampliado para outras cidades do Rio Grande do Sul.

Para Cláudia, o protagonismo do Clube Esportivo é um dos diferenciais do projeto. Ela acredita que jogadores de futebol exercem grande influência sobre crianças, adolescentes e adultos e podem contribuir para a construção de novos comportamentos. “Não é só sobre esporte. É sobre educação, cuidado e, principalmente, sobre salvar vidas e cuidar das famílias”, afirma.

A idealizadora reconhece que a mudança cultural não acontece rapidamente, mas acredita no potencial da iniciativa para transformar realidades. “Vai ser um trabalho árduo, de formiguinha, mas a gente vai chegar lá. O que pedimos é que a comunidade vote no projeto e venha junto conosco nessa construção da cultura de paz”, pontua.

Caso seja contemplado na Consulta Popular, o “Respeito que Protege” deverá iniciar a organização das parcerias e o planejamento das primeiras ações, com a expectativa de tornar Bento Gonçalves uma referência estadual no uso do esporte como ferramenta de prevenção à violência e promoção da convivência pacífica.

A votação do projeto está aberta e ocorre de 20 a 26 de julho. A iniciativa concorre na cédula regional do Corede Serra para receber investimentos do Estado e o voto é totalmente online pelo site da Consulta Popular RS, utilizando a conta gov.br ou o título de eleitor.

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