ÚLTIMA HORA

Tiago Fronza Frare quer conduzir a Cooperativa Vinícola Aurora ao centenário com inovação e continuidade

A Cooperativa Vinícola Aurora inicia um novo ciclo administrativo sob a liderança de Tiago Fronza Frare, eleito presidente do Conselho de Administração para o biênio 2026-2028. Aos 38 anos, o viticultor e engenheiro agrônomo torna-se o mais jovem a assumir o comando da maior cooperativa vinícola do Brasil nas últimas seis décadas. Ao lado dele estão o primeiro vice-presidente, Moisés Cavalleri, e a segunda vice-presidente, Amanda Lerin, primeira mulher a integrar a diretoria do Conselho de Administração da cooperativa.

A nova gestão assume a cooperativa em um momento de expansão. Em 2025, a Aurora registrou faturamento de R$ 874 milhões, crescimento de 3,9% em relação ao ano anterior, alcançando o sétimo recorde histórico consecutivo. Para 2026, a expectativa é atingir R$ 945 milhões em faturamento.

Embora represente uma mudança geracional, Frare afirma que sua administração será marcada pela continuidade dos projetos desenvolvidos nos últimos anos. Entre as prioridades estão o crescimento de mercado, investimentos em infraestrutura, melhorias nos processos industriais, desenvolvimento de novos produtos e a preparação da cooperativa para o centenário, mantendo o cooperado no centro das decisões.

Segundo o presidente, sua eleição representa a valorização do trabalho construído durante as gestões de Renê Tonello e da confiança depositada pelos associados na continuidade desse modelo de administração. “A gente atribui isso a um trabalho coletivo realizado durante as gestões do Tonello. A votação que tivemos foi um reconhecimento desse trabalho. O associado aprovou essa continuidade”, afirma.

Trajetória construída no campo e na própria Aurora

Conselho de Administração: Amanda Lerin, Tiago Fronza Frare e Moisés Cavalleri

Natural de Bento Gonçalves e morador da comunidade de São Valentim, Frare é associado da Aurora desde 2012 e cultiva variedades como Niágara Branca e Rosada, Isabel, Isabel Precoce, Riesling, Bordô e Cabernet Sauvignon. Formado em Agronomia pela Universidade Federal de Pelotas (campus de Bagé), iniciou a carreira como engenheiro agrônomo na Serra Gaúcha e trabalhou durante seis anos na própria cooperativa.

Depois de deixar o quadro de funcionários, foi convidado pelo então presidente Renê Tonello para integrar o Conselho de Administração. Atuou como secretário entre 2020 e 2022, afastou-se por determinação do estatuto e retornou na gestão seguinte como segundo vice-presidente. Agora, assume a presidência após uma trajetória construída tanto na produção de uvas quanto na gestão da cooperativa. “Assumir esse posto é uma grande missão. Eu já estava acostumado com a gestão por causa das experiências anteriores, mas assumir a presidência representa um novo momento, uma renovação”, afirma.

Segundo Frare, a composição da nova diretoria foi pensada para reunir experiência e renovação. “Tenho o Moisés ao meu lado, que é uma pessoa experiente, e a Amanda, que representa a juventude. Conseguimos unir experiência e renovação”, ressalta.

A nova diretoria também simboliza um momento histórico para a cooperativa, com a primeira mulher na diretoria do Conselho de Administração da Aurora. Conforme explica o presidente, sua escolha representa a renovação do quadro social e reforça o incentivo à participação de jovens na governança da cooperativa.

Mercado, exportações e novos hábitos de consumo

Na avaliação dele, a vitivinicultura brasileira ainda possui amplo espaço para crescer. Entre as principais oportunidades estão a ampliação do mercado de espumantes, do suco de uva, dos produtos de baixa graduação alcoólica e das bebidas desalcoolizadas, tendência observada mundialmente.

Ele também acompanha com atenção as discussões envolvendo o acordo entre Mercosul e União Europeia. Embora ainda existam dúvidas sobre os impactos da medida, acredita que o entendimento do novo cenário poderá abrir oportunidades para ampliar as exportações brasileiras. “Precisamos entender esse acordo, estudar o que ele prevê e buscar oportunidades para exportar produtos específicos para determinados países. Ainda temos um potencial de crescimento muito grande”, afirma.

O dirigente também acompanha com atenção as discussões sobre a reforma tributária e o chamado Imposto Seletivo, popularmente conhecido como “imposto do pecado”. Segundo ele, a cooperativa segue as definições da nova legislação para avaliar os impactos sobre a competitividade do setor vitivinícola brasileiro.

Cooperado no centro do crescimento

Para Tiago Fronza Frare, o progresso da cooperativa somente faz sentido se gerar benefícios diretos às mais de 1,1 mil famílias associadas. “Todo o crescimento da Aurora é voltado ao cooperado. Quando a Aurora gera resultados, esse retorno permanece com as famílias associadas. A empresa pertence ao associado. Ela é uma extensão da casa dele”, resume.

Segundo ele, o modelo cooperativista garante que a riqueza produzida permaneça na própria região. Diferentemente de empresas privadas tradicionais, os resultados financeiros retornam aos associados, movimentando o comércio, fortalecendo a economia dos municípios onde a cooperativa atua e estimulando novos investimentos.

Jovens no campo e renovação da viticultura

Um dos principais desafios da nova administração será incentivar a sucessão rural. Para isso, a Aurora vem ampliando programas voltados à formação de jovens produtores, como o Aprendiz Cooperativo do Campo, destinado aos filhos de associados entre 16 e 24 anos, além de encontros de jovens cooperados, cursos de formação e capacitações técnicas.Outra iniciativa ressaltada pelo presidente é o Vitis Aurora, feira de tecnologia voltada ao setor vitivinícola que reúne empresas, pesquisadores, instituições de ensino e produtores rurais. “Hoje o jovem procura tecnologia e acesso à informação. Quando oferecemos isso, criamos mais um incentivo para que ele permaneça na propriedade”, afirma.Além dos produtores, o evento traz universidades, empresas, escolas e profissionais ligados ao agronegócio. Instituições como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal de Santa Maria participam da programação, aproximando estudantes, pesquisadores e agricultores das novas tecnologias aplicadas à viticultura.
Apesar do crescimento da cooperativa, a Aurora não está recebendo novos associados. Segundo Frare, a capacidade produtiva atual impede novas admissões. A exceção são os filhos de cooperados, que podem ingressar na cooperativa dentro das regras previstas no regimento interno. Para o presidente, incentivar essa sucessão familiar é uma das formas de garantir a continuidade da atividade vitícola nas propriedades rurais.

Aurora e Bento Gonçalves: uma história em comum

Ao falar da relação entre a cooperativa e o município, Frare afirma que o desenvolvimento da cidade e da vinícola caminham juntos desde a fundação da empresa. “Eu acho que Bento não seria Bento sem a Aurora, e a Aurora não seria a Aurora sem Bento. As duas coisas estão entrelaçadas”, diz.

Adaptação às mudanças climáticas

Outro eixo da gestão será a preparação dos produtores para enfrentar eventos climáticos severos. A cooperativa intensificou as ações de orientação técnica diante da previsão de um novo ciclo de El Niño, promovendo reuniões e capacitações sobre manejo dos vinhedos, adequação da adubação, cobertura vegetal, poda e conservação do solo, com o objetivo de reduzir perdas nas próximas safras.

Entre as recomendações repassadas aos produtores estão práticas como podas mais abertas, poda verde, desponte, manutenção da cobertura vegetal e adequação da adubação, medidas que ajudam a minimizar os efeitos do excesso de umidade sobre os vinhedos.

Frare reforça que o sucesso da próxima safra dependerá da adoção dessas orientações pelos viticultores. “Gostaria de pedir que todos estejam atentos às orientações técnicas. Precisamos ter uma boa primavera, uma brotação saudável e um manejo adequado dos vinhedos para evitar perdas ao longo da safra. Como teremos um ano de El Niño, com maior umidade, os solos permanecem encharcados e as videiras ficam mais expostas a problemas. Por isso, peço que os produtores tenham cuidado, prudência e sigam as orientações de manejo em suas propriedades”, diz.

Rumo ao centenário

A nova gestão também terá como foco uma série de investimentos estruturais previstos para os próximos anos. Entre eles está a conclusão da nova cantina no Vale dos Vinhedos, considerada um dos principais projetos da cooperativa, além da ampliação do parque fabril, do desenvolvimento de novos produtos e da expansão da presença da Aurora em novos mercados. Grande parte dessas entregas está prevista para marcar o centenário da empresa.

Para Frare, o desafio será manter o ritmo de crescimento alcançado pela Aurora nos últimos anos sem perder a essência cooperativista que transformou a empresa em referência nacional. “A gente acredita que a Aurora ainda vai crescer muito. Esse primeiro ano será muito voltado ao planejamento. Depois, todas essas ações entrarão em execução”, conclui.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ANUNCIE CONOSCO

Sua marca em destaque para milhares de leitores