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São Miguel reúne tradição, agricultura e vida comunitária no interior de Bento Gonçalves

A cerca de 10 quilômetros do Centro de Bento Gonçalves, a comunidade de São Miguel, no distrito de São Pedro, tem características típicas do meio rural. A vitivinicultura continua presente na economia local, enquanto o cultivo de hortaliças tem ganhado espaço entre as famílias produtoras. Ao mesmo tempo, moradores ressaltam a tranquilidade, a proximidade com a cidade e o espírito comunitário como alguns dos principais atrativos para viver ali. Entre as demandas, apontam a necessidade de conclusão da pavimentação em alguns trechos e as limitações no transporte coletivo.

Natural de São Miguel, o agricultor Leocir Osmarin trabalhou por 20 anos como caminhoneiro e, depois, decidiu permanecer em casa. Atualmente, dedica-se ao cultivo de verduras e legumes e mantém também uma pequena produção de uva. “É um lugar calmo, perto de tudo. Em cerca de dez quilômetros já estamos no Centro da cidade. Também temos bons vizinhos”, afirma.

Leocir relembra eventos que marcaram a história da comunidade (Foto: Jornal Semanário)

Além da produção de uvas, a comunidade também concentra famílias que trabalham com hortaliças e outras que se deslocam diariamente para empresas da cidade. Segundo a empresária Simone Dal’Osbel, que também é natural da comunidade e administra uma empresa familiar instalada há cerca de 20 anos em São Miguel, parte significativa dos moradores divide a rotina entre o trabalho no campo e empregos urbanos. “A uva continua sendo importante, mas hoje muitas famílias encontraram nas hortaliças uma nova alternativa. Também, há pessoas empregadas na nossa empresa e outras que trabalham na cidade”, explica.

Pavimentação

Moradores relatam dificuldades de circulação em trechos de estrada de chão (Foto: Jornal Semanário)

Embora o acesso principal esteja pavimentado, moradores afirmam que ainda existem trechos que aguardam asfalto, principalmente em direção à divisa com Farroupilha.

Segundo Simone, falta aproximadamente um quilômetro para que a ligação seja concluída até o limite entre os municípios, além de outras estradas internas da comunidade que ainda necessitam de pavimentação.
Osmarin lembra que a situação das estradas já foi mais difícil e considera que houve melhorias nos últimos anos, embora ainda existam pontos que precisam de atenção.

A falta afeta diretamente a rotina da moradora Luiza Fantin Tramontina, que vive há cerca de 20 anos em São Miguel. Ela conta que o trecho onde mora é o único que permanece sem asfalto na divisa com Farroupilha e diz que o aumento no fluxo de caminhões tem provocado excesso de poeira. “Passam muitos, ultimamente mais do que o normal. Eu limpo a casa e, poucos minutos depois, ela já está cheia de poeira novamente. Estou pensando até em voltar para Bento Gonçalves. Também acabo com problemas de saúde por causa disso”, relata.

Transporte e abastecimento de água

A maioria dos moradores tem veículo próprio. Ainda assim, a comunidade é atendida por ônibus, embora os entrevistados considerem que a oferta de horários seja reduzida. “Os estudantes são bem atendidos pelo transporte escolar. Já para quem trabalha, a maioria precisa utilizar carro próprio porque há poucos horários de ônibus”, afirma.

Outra mudança recente ocorreu no abastecimento de água. Conforme os moradores, desde fevereiro a gestão do poço artesiano passou da Prefeitura para uma associação da comunidade, em razão de uma alteração relacionada à legislação que impede a administração municipal de manter esse tipo de sistema diretamente.
Segundo Simone, atualmente 89 famílias são abastecidas pelo sistema comunitário, enquanto outras utilizam poços próprios.

Simone reforça a força da comunidade e a preservação das tradições locais (Foto: Jornal Semanário)

Leocir lembra que, anteriormente, havia falta de água em alguns períodos, situação que considera ter melhorado após a mudança na administração do sistema. “Agora parece que está melhor”, comenta.

Memórias do Festival do Vinho Doce

Além da produção agrícola, São Miguel também preserva lembranças de eventos que marcaram a história da comunidade. Entre o fim da década de 1990 e os anos 2000, a localidade sediou diversas edições do Festival do Vinho Doce, que reunia moradores e visitantes.

Segundo Leocir, a programação incluía apresentações, almoço, baile e uma das atrações mais aguardadas: a corrida de carrinhos de lomba, competição disputada com carrinhos de madeira que desciam uma ladeira da comunidade. “Foi um evento que teve sete ou oito edições. Depois acabou porque ninguém mais quis assumir a organização. A corrida de carrinhos também foi deixando de acontecer”, relembra.

Outra tradição mantida pela comunidade é a festa do padroeiro São Miguel, celebrada anualmente em 29 de setembro. Conforme Simone, o evento reúne moradores e mantém viva a história de uma comunidade centenária.

Permanência dos jovens

Diferentemente do que tem sido observado em outras comunidades do interior de Bento Gonçalves, onde a sucessão familiar na agricultura aparece com mais frequência, em São Miguel os entrevistados relatam que boa parte dos jovens permanece morando na localidade, mas busca oportunidades de trabalho fora das propriedades rurais.

Para o agricultor Leocir Osmarin, a proximidade urbana e a oferta de empregos influenciam esse movimento. “Aqui é difícil manter os jovens porque há bastante emprego perto da cidade. Os meus filhos, por exemplo, trabalham fora”, afirma.

Apesar desse cenário, a agricultura continua presente na comunidade. Além de produtores de uvas, famílias seguem investindo no cultivo de hortaliças, atividade que vem ganhando espaço entre os produtores locais.

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