Com a chegada do verão e o aumento das atividades ao ar livre, cresce também a incidência de queimaduras, seja pela exposição excessiva ao sol ou pelo contato com águas-vivas nas praias. O que muitas vezes começa como um simples descuido pode resultar em lesões dolorosas, inflamações e até complicações mais graves, exigindo atendimento médico. Especialistas alertam que, além do uso correto do protetor solar, é fundamental conhecer medidas de prevenção e primeiros socorros para reduzir os riscos e aproveitar a estação com mais segurança.
De acordo com Caroline Dalla Costa, médica dermatologista, as queimaduras solares estão entre as ocorrências mais frequentes durante o verão. “Além delas, temos também as lesões causadas por águas-vivas e as fitofotodermatoses, que são reações cutâneas tóxicas causadas por dois fatores associados: o contato com substâncias presentes em certas plantas (limão, laranja, figo, por exemplo) aliado à exposição ao sol”, explica.
Perigo das queimaduras solares
A dermatologista explica que as lesões térmicas causadas pelo sol, em curto prazo, podem provocar:
- Vermelhidão;
- Ardência;
- Descamação;
- Manchas;
- Formação de bolhas.
Em quadros mais graves, podem surgir febre, vômitos e desidratação.
Já a longo prazo, o principal risco é o câncer de pele. “Carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma”, menciona Caroline.
Casos
A médica explica que, em situações em que o quadro de queimadura é leve, geralmente envolve pequenas áreas afetadas ou sintomas brandos, como vermelhidão leve e desconforto local tolerável. “Pode ser manejado em casa com hidratação da pele, hidratação via oral e repouso”, orienta.
Já nos quadros mais graves, que envolvem grandes áreas da pele acometidas ou sintomas intensos, como bolhas, dor, náuseas, vômitos e mal-estar, a orientação é buscar atendimento especializado.
Principais cuidados
A dermatologista destaca que os cuidados iniciais são fundamentais para evitar o agravamento das lesões. “Primeiramente, é preciso evitar uma nova exposição até que a pele se recupere, protegendo a região com barreiras físicas, como camisetas e chapéus, e/ou com o uso de protetor solar, além de hidratar a área com produtos adequados. Pode-se usar compressas frias no local”, destaca.
Caroline também menciona outras situações em que é necessário procurar atendimento médico. “Além das citadas anteriores, pode haver dor persistente, coceira intensa e saída de secreção”, lista.
Hidratantes
A médica reforça que a nutrição da pele correta é essencial no processo de recuperação. “O uso de hidratantes adequados, que ajudam a recuperar a barreira cutânea e que podem ou não conter ativos como o aloe vera, mais conhecido como babosa, é indicado. Deve-se evitar o uso de misturas caseiras sem orientação médica, pois podem piorar o quadro ou retardar a melhora”, recomenda.
Águas-vivas
Com mar quente, cristalino e intenso fluxo de turistas, o verão tem sido marcado pela alta incidência de águas-vivas no litoral gaúcho, fenômeno que se repete com força nesta temporada. Em Torres, a situação chama ainda mais atenção: o município já ultrapassou a marca de 6,6 mil casos de queimaduras apenas neste início da operação Verão Total 2025/26, com guarda-vidas, liderando o ranking do Litoral Norte do Rio Grande do Sul nesse tipo de ocorrência. O número representa um crescimento expressivo em comparação ao mesmo período do ano passado, acendendo um alerta para banhistas e autoridades.
De acordo com dados oficiais do Corpo de Bombeiros, até o dia 31 de dezembro, já haviam sido registrados mais de 23 mil atendimentos por queimaduras em todo o Litoral Norte. No mesmo período de 2024, o número era de 9,1 mil casos, o que evidencia um aumento significativo nesta temporada.
Segundo Caroline, ao entrar em contato com a pele, o animal libera nematocistos. “São estruturas que injetam toxinas na pele”, explica.
Ela também orienta sobre os principais cuidados após o contato com o animal marinho. “Não se deve esfregar a área, usar água doce, aplicar amônia, álcool ou urina, pois essas práticas podem aumentar a descarga de nematocistos ou causar lesões adicionais”, alerta.
Grupos de risco
Caroline ressalta que alguns grupos são mais vulneráveis aos efeitos da exposição solar. “As crianças ainda estão com a barreira cutânea em desenvolvimento e, assim como os idosos, podem desidratar mais facilmente após uma queimadura. Além disso, a pele é mais fina e sensível. Em relação aos indivíduos de fototipo baixo, que são aqueles que se queimam com mais facilidade e costumam bronzear menos após a exposição ao sol, há menor tolerância à radiação e menos proteção natural da melanina, tornando-os mais suscetíveis a queimaduras”, explica a médica.
Prevenção
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as principais orientações são:
- Evitar a exposição excessiva à Radiação Ultravioleta (UV), limitando o tempo ao sol, especialmente entre 10h e 16h;
- Consultar o Índice de Radiação Ultravioleta (UVI), sendo recomendada proteção quando o índice está em 3 ou acima;
- Vestir roupas de proteção, como tecidos que bloqueiem os raios UV, chapéus de aba larga e óculos com proteção UV;
- Usar protetor solar de amplo espectro, que bloqueia tanto os raios Ultravioleta A (UVA) quanto Ultravioleta B (UVB);
- Evitar camas de bronzeamento artificial, que emitem altos níveis de radiação UV e estão associadas ao aumento do risco de câncer de pele.
Caroline alerta que as queimaduras solares recorrentes ao longo da vida estão diretamente associadas ao aumento do risco de câncer de pele. “O dano causado pela radiação solar é cumulativo no DNA e não conseguimos reverter esse processo a nível celular. Mesmo que a pele aparentemente tenha se recuperado do ponto de vista macroscópico, o risco de desenvolver câncer no futuro permanece”, finaliza a médica.