Sexta-feira, 07 de Agosto de 2026

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Projeto regional conquista 2º lugar na Consulta Popular

A união de esforços entre os municípios de Bento Gonçalves, Farroupilha e Pinto Bandeira garantiu um importante ganho financeiro para o setor agrícola, com a conquista do segundo lugar na Consulta Popular, na área de abrangência do Corede Serra

O projeto regional focado no “Fortalecimento da Feira Regional do Produtor Rural”, vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), conquistou o segundo lugar na área de abrangência do Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra (Corede Serra) na Consulta Popular 2026/2027. Com o resultado, a iniciativa dos municípios de Bento Gonçalves, Farroupilha e Pinto Bandeira foi contemplada com a verba estadual de R$ 565.714,29.

R$ 1,88 milhão à Região

O Corede Serra definiu o destino de R$ 1.885.714,29 do orçamento estadual com a vitória de três projetos voltados à inclusão, agricultura e turismo. A proposta “Infância protegida e inclusiva” liderou a votação regional com 2.612 votos e ficará com 40% de todo o recurso destinado à Serra. O projeto beneficiará Farroupilha, Montauri e União da Serra com o repasse de R$ 754.285,72 para a construção de um parque inclusivo.
Na segunda colocação, a proposta “Fortalecimento da Feira Regional do Produtor Rural”, (Bento Gonçalves, Farroupilha e Pinto Bandeira) com 1.379 votos e recurso de R$ 565.714,29.

E o terceiro beneficiado da região Corede Serra foi a proposta “Implantação do Sistema Regional de Sinalização Turística” (Antônio Prado), com 1.189 votos e recurso de R$ 565.714,29; totalizando R$1.885,714,29 para as três propostas escolhidas na região do Corede Serra.

Propostas por regiões

Treze Coredes tiveram três propostas classificadas: Alto da Serra do Botucaraí, Campanha, Centro-Sul, Fronteira Noroeste, Litoral, Médio Alto Uruguai, Noroeste Colonial, Norte, Produção, Serra, Sul, Vale do Jaguari e Vale do Rio Pardo.

Outros 12 Coredes tiveram duas propostas classificadas. Hortênsias, Nordeste e Vale do Caí tiveram uma proposta cada. Entre os temas presentes estão estradas vicinais, agricultura familiar, Defesa Civil, desenvolvimento rural, esporte e lazer, meio ambiente, assistência social, turismo e desenvolvimento urbano.

Votação

A Consulta Popular deste ano contabilizou 92.356 votos nas 28 regiões dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes). O processo reúne 65 propostas classificadas, vinculadas a 11 secretarias e órgãos estaduais.

Na distribuição regional, o Corede Sul registrou 7.283 votos, seguido por Missões, com 7.018; pelo Vale do Rio dos Sinos, com 6.756; pela Serra, com 6.379; pela Fronteira Noroeste, com 5.221; e pelo Vale do Rio Pardo, com 5.077. Os resultados incluem os votos recebidos pelo site e pelo WhatsApp. Entre os Coredes, os totais variaram de 1.499 a 7.283 votos.

30 propostas no Estado
A distribuição de recursos entre as demais pastas contempla o financiamento de 30 propostas que, juntas, somam mais de R$ 34,9 milhões em investimentos públicos.

Foto: Alessandro Manzoni

A Secretaria do Esporte e Lazer (SEL) lidera os repasses deste grupo com R$ 6,9 milhões para seis projetos, seguida de perto pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), que receberá R$ 6,8 milhões para sete iniciativas.

Na sequência, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) conta com R$ 5 milhões (seis propostas), a Secretaria de Turismo (Setur) com R$ 3,8 milhões (quatro propostas), a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedur) com R$ 2,5 milhões (três propostas) e a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH) com R$ 2,1 milhões (duas propostas). Por fim, os investimentos de menor escala atendem à Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict), com R$ 1,2 milhão para uma proposta, e à Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Profissional (STDP), que destinará R$ 628,5 mil a um único projeto.

“A participação é baixa diante do colégio eleitoral”

A Consulta Popular de 2026 na Serra Gaúcha teve uma dualidade: ao mesmo tempo em que registrou uma disputa acirrada e intensa mobilização na escolha de propostas regionais, evidenciou o desafio histórico da baixa participação do eleitorado. O diagnóstico é da economista Mônica Beatriz Mattia, presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra (Corede Serra). Em balanço sobre o processo, a dirigente alertou para o distanciamento da comunidade local e apontou entraves burocráticos e políticos dentro do governo do Estado que atrasam a execução das demandas eleitas.

6.379 votos na Serra

Mesmo posicionando a região em quarto lugar no número total de votos entre os 28 Coredes do Rio Grande do Sul, a votação final mobilizou pouco mais de seis mil eleitores nos 32 municípios de abrangência. Mônica classifica o índice como “muito baixo” diante do tamanho do colégio eleitoral da Serra e aponta os motivos para o esvaziamento das urnas.

“Isso decorre de um processo que não consegue ser difundido entre todos os segmentos de eleitores. Seja por desconhecimento de um processo que já completou 30 anos e pode estar desconectado do interesse político, pelo pouco recurso disponibilizado para os projetos ou pela falta de alcance das mídias utilizadas para divulgação. Há também uma ausência de outros processos de participação cidadã que poderiam criar a prática de contribuir com decisões que envolvem o orçamento estadual”, analisa a presidente.

Apesar do desafio na engrenagem de votação, a dirigente ressalta que o movimento de bastidores e o engajamento da sociedade civil organizada seguem fortes. O processo iniciou com a proposição de 43 projetos, afunilados para 13 apresentados em assembleias microrregionais em Nova Prata, Bento Gonçalves e Caxias do Sul. Esses encontros reuniram mais de 500 defensores de propostas para definir a cédula final com cinco itens, dos quais três saíram vitoriosos. De toda forma, a Diretoria Executiva do Corede Serra compreende que o processo é válido, por toda uma estrutura formalizada pelo Governo Estadual e pelos Coredes, possibilitando a execução de projetos que não seriam concretizados sem os recursos da Consulta Popular”, explica a líder das 32 cidades que foram o Corede Serra

O que ocorre agora?

A presidente Mônica salienta que a execução dos projetos eleitos passa por uma tramitação legal conduzida por todos os aspectos de uma execução pública. Ao executor municipal ou regional cabe apresentar um plano de trabalho detalhado. “O Fórum dos Coredes tem atuado fortemente no diálogo direto com o Piratini, enquanto a própria diretoria do Corede Serra realiza incursões em algumas Secretarias Estaduais buscando acelerar alguns projetos ainda não executados”, finaliza.

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