Terça-feira, 30 de Junho de 2026

ÚLTIMA HORA

O estereótipo masculino de um filme de ação

Grande, forte e cheio de habilidades físicas, o herói de ação é aquele personagem que resolve todos os problemas literalmente lutando, explodindo e matando. Normalmente, no início do longa, ele está passando por um momento de balanço e confinamento em sua vida, onde vive a se punir por erros cometidos no passado, como matar alguém por engano, dirigir bêbado e matar a própria família e ser o único sobrevivente, não conseguir ter salvo o parceiro de guerra, sofrer a morte prematura da esposa – extremamente linda, carinhosa e gentil – pela máfia – com a qual se envolveu por engano (…).
Treina com afinco, assiste a todos os noticiários, vive em isolamento social, foge como o diabo da cruz de qualquer tipo de relacionamento com outra pessoa, e assim por diante.
Na vida real, geralmente, as pessoas não fizeram coisas tão terríveis assim. Às vezes só pegaram a estrada errada ou ainda, sofrem uma culpa que não lhes cabe, porque outra pessoa a fez se sentir assim.
Pessoas com históricos complicados tendem a se punir.
A pessoa tende a se esconder, ser menos sociável, não se cuidar. Quando tenta ser, não é aquela a sua realidade, mas ela adoraria que fosse e vive um mini conto de fadas, até que sente falta dos seus vícios. Chega em casa, derruba sua armadura e se deleita com sua própria versão. Uma versão que venenosamente é mais gostosa, temporariamente mais prazerosa e verdadeiramente mais letal.
Ela se pune não deixando muita gente entrar na sua vida, ou afugentando antes de ser largada, fumando e bebendo, fazendo exercícios em demasia, jogando sua raiva em um saco de pancadas, estudando e trabalhando mais do que seu corpo saudável permitiria. Dizendo sempre que está tudo bem. Porque se falar que não, não haverá tempo para uma conversa casual, e tampouco, terá alguém para ouvir do jeito que ela merece. Pouca gente realmente quer saber como a gente está, e ela sabe disso. Por isso, prefere dizer que “sim, tudo bem e contigo?”.
Essa pessoa é bonita. Não se cuida como gostaria, mas é.
Ela é muito forte, demonstra sempre que precisa e não cobra nada em troca. Dificilmente pede ajuda, e quando pede, é para outra pessoa.
Ela acha que está sozinha no mundo. E às vezes está mesmo. Ninguém quer se aprofundar nesse mar duvidoso, perigoso e tão divertido ao mesmo tempo. Ninguém mais aparece na sua porta de surpresa. Ninguém mais lhe manda flores, ou uma mensagem pedindo como foi o seu dia. Cada um com seus problemas. Aquela história de ‘ninguém solta a mão de ninguém’, acabou no momento que a pandemia tocou no seu bolso. DANE-SE, preciso salvar o meu negócio. Como se alguém tivesse um Taurus 38 apontado na sua cabeça, dizendo para você escolher entre duas coisas totalmente diferentes e possíveis de se fazer simultaneamente.
Pessoas com histórias dolorosas deveriam ter o final feliz de um filme de ação. Recebendo os méritos pelos seus feitos e ficando com aquela pessoa que tanto queria. Só podia deixar pra lá a parte da regata branca suja e rasgada, as marcas de graxa na cara e os cortes sendo suturados na ambulância.
A vida real é um pouco diferente. Muita gente forte, machucada e linda, ninguém vai conhecer. Alguns até ganham fama após a morte.
Uma pessoa forte nega qualquer sinal de depressão ou tristeza. Diz ela que faz parte da vida, que vai passar e ninguém se esforça em duvidar.

Respostas de 2

  1. Essa visão é meio ultrapassada. De alguns anos pra cá esse paradigma já mudou e muito. Até os filmes de super-heróis, que são os grandes exemplos desse estereótipo, já não seguem mais esses padrões. Vide a trilogia Batman, onde são exploradas todas as fraquezas do homem morcego e dado mais espaço para os vilões como indivíduos igualmente (ou até mais) fortes. Ou a trilogia Bourne, em que um agente usado pelo governo busca recuperar sua memória e busca uma vida “normal” enquanto é caçado e não tem exatamente final feliz. Kill Bill e Anna, em que as personagens principais são mulheres, muito belas, diga-se de passagem, tem mais elementos estereotipados do que os mencionado anteriormente. Então há que se respeitar essa dinâmica nas produções artísticas.

    1. Olá! tudo bem contigo?
      Meu propósito não foi, de forma alguma, vulgarizar esse “estereótipo”, nem compará-lo somente a homens, nem dizer que está na moda e, muito menos, falar de produções cinematográficas.
      A metáfora foi utilizada para mostrar como pessoas fortes lidam com suas fraquezas, dores e processos de cura. Mostrar como, mesmo com o “coração partido”, continuamos lutando e muitas vezes, com um sorriso no rosto. Ao chegar em casa, desabamos no choro, nos punimos de diversas formas e remoemos coisas que nos aconteceram.
      Não sei se me fiz entender, mas era isso! bjosss <3

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