Sexta-feira, 06 de Novembro de 2026

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O Bento+20 e a urgência de remodelar o futuro das ferrovias gaúchas

Vamos comparar, ao final desta coluna, o mapa das ferrovias no Rio Grande do Sul em 1997 com o retrato de 2025. A partir dele, é possível compreender a dimensão do retrocesso logístico enfrentado pelo nosso Estado. Em quase três décadas, ramais inteiros que conectavam regiões produtivas como a Serra Gaúcha desapareceram das rotas operacionais. Esse processo contínuo de sucateamento reduziu pela metade a velocidade média dos trens, que hoje opera na média de 12 km/h (a metade da velocidade comum de uma bicicleta), paralisando cargas essenciais e encarecendo severamente o transporte das nossas indústrias.

Superar essa paralisia histórica exige encarar com prioridade absoluta a modelagem da nova concessão da Malha Sul. As diretrizes em definição pelos governos federal e estadual definirão o fluxo de cargas e o custo logístico das próximas três décadas. Esse contrato com duração de 20 a 30 anos representa a oportunidade decisiva para estabelecer metas claras de investimento, reativar ramais abandonados e estruturar um sistema multimodal capaz de devolver eficiência e competitividade à produção gaúcha.

Consciente da gravidade desse momento, o Bento+20 articulou o painel estratégico “O Futuro nos Trilhos” durante a Mercopar em Caxias do Sul. Moderado pela jornalista Giane Guerra, o debate reuniu mais de 130 empresários, técnicos e representantes do Governo do Estado para apresentar diagnósticos e propostas regionais. A pauta incluiu os estudos de viabilidade do BRDE, a consolidação de Vacaria como hub logístico rodoferroviário e a visão industrial da Fiergs na defesa dos corredores.

A presença ativa do Bento+20 busca garantir que as reais necessidades da comunidade fiquem gravadas no contrato definitivo de concessão. A integração contínua entre a iniciativa privada, as entidades e o poder público é o caminho para transformar diagnósticos técnicos em obras físicas. Defender o transporte sobre trilhos é assegurar a redução do custo do frete, a atração de novos investimentos e o desenvolvimento sustentável de Bento Gonçalves e da Serra Gaúcha pelas próximas décadas.

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