Em momentos de emoção intensa, seja em casamentos, formaturas, despedidas ou até em situações de estresse, uma preocupação costuma surgir junto com as lágrimas: a maquiagem. O rímel borrado, a base manchada e o delineado que escorre pelo rosto são cenas comuns quando a produção encontra um dos seus maiores desafios.
Diferentemente do suor ou da oleosidade, as lágrimas possuem composição específica, com água, sais minerais, enzimas e proteínas, capazes de interferir diretamente na fixação dos cosméticos. Ao entrar em contato com produtos não resistentes à água, elas diluem pigmentos e rompem a aderência da maquiagem à pele, provocando o efeito conhecido como “derreter” ou “escorrer”.
De acordo com a dermatologista Andréa Severa, a composição das lágrimas interfere diretamente na fixação dos cosméticos. “A lágrima dissolve parte da maquiagem, especialmente produtos que não são totalmente resistentes à água, fazendo com que eles tenham esse efeito”, explica.

Oleosidade
Ela explica ainda que pessoas com pele oleosa ou mista apresentam maior dificuldade na aderência dos produtos. “Favorece que a maquiagem ‘quebre’ ou saia mais rápido. Por isso, controlar e preparar bem a pele faz muita diferença”, destaca.

Tipos de produtos
Muitas pessoas acreditam que produtos à prova d’água são totalmente impermeáveis, mas não é o que de fato acontece. “Ele significa resistente, mas não totalmente impermeável. O volume de lágrimas, a fricção ao enxugar os olhos e a própria composição podem romper a camada protetora do produto”, menciona Andréa.
Ela explica ainda que determinados tipos de maquiagem tendem a borrar com mais facilidade. “Produtos muito cremosos, lápis macios, máscaras de cílios que não são a prova d’água e maquiagens que não foram seladas tendem a borrar mais. Fórmulas com menos agentes fixadores também têm menor durabilidade”, explica.

Riscos
A dermatologista ressalta que chorar com maquiagem não costuma representar riscos significativos à saúde. “Pode ocorrer irritação nos olhos, sensibilidade na pele ou obstrução das glândulas das pálpebras em pessoas predispostas. O ideal é sempre remover bem a maquiagem depois”, salienta.

Lacrimejamento
Algumas pessoas apresentam lacrimejamento excessivo, quadro que pode estar associado a diferentes condições oftalmológicas e dermatológicas. “Relacionado a alergias, olho seco, blefarite, dermatites ou até obstrução do canal lacrimal. Quando é frequente ou persistente, é importante procurar avaliação médica”, aponta.

Fixadores
Andréa destaca que existem produtos que podem ajudar na duração da maquiagem e que são recomendados quando já existem possibilidades de choro. “Primers e fixadores ajudam a formar uma barreira e melhorar a fixação da maquiagem, principalmente em peles oleosas ou em situações em que se deseja maior durabilidade”, orienta a dermatologista.
O primer é aplicado após a hidratação e antes da base. Sua principal função é criar uma película uniforme sobre a pele, reduzindo poros aparentes, linhas finas e controlando a oleosidade. Ao formar essa camada intermediária, ele melhora a aderência da produção e diminui a transferência de produto ao longo do dia.
Já o fixador é aplicado ao final da maquiagem. Ele atua formando uma camada protetora que “sela” os produtos, reduzindo o desgaste causado por suor, oleosidade, atrito e variações de temperatura. Além de aumentar a resistência, também pode uniformizar o acabamento, deixando a pele com aspecto mais natural.

Diferenças das lágrimas
Embora muitas vezes pareçam iguais, elas possuem composições e funções distintas. A chamada lágrima basal é produzida de forma contínua pelas glândulas lacrimais e tem papel fundamental na proteção e manutenção da saúde ocular. Ela lubrifica a superfície dos olhos, fornece nutrientes à córnea e atua como barreira contra micro-organismos, formando o chamado filme lacrimal, composto por camadas lipídica, aquosa e mucosa.
Já a lágrima do choro, desencadeada por estímulos emocionais como tristeza, alegria intensa ou estresse, é produzida em maior volume e costuma escorrer pelo rosto. Além de água, sais e proteínas, estudos apontam que esse tipo pode apresentar maior concentração de hormônios e substâncias ligadas ao estresse, refletindo a ativação do sistema nervoso e das respostas emocionais do organismo.

Erros que podem afetar a durabilidade
A dermatologista destaca que os problemas mais recorrentes são não preparar a pele corretamente, usar excesso de produto, não selar maquiagens cremosas, ignorar o tipo de pele e dormir maquiada.
Andrea finaliza destacando alguns cuidados essenciais ao realizar a produção. “Remover completamente a maquiagem, limpar suavemente, hidratar e usar protetor solar diariamente. Esses cuidados preservam a saúde da pele e evitam irritações e acne cosmética”, conclui.