Domingo, 06 de Setembro de 2026

ÚLTIMA HORA

Comunidade do Barracão pede manutenção e retirada de entulhos do rio

Moradores da região do Barracão, em Bento Gonçalves, estão chamando a atenção para a quantidade de entulhos, galhos, árvores e outros materiais acumulados no Rio Barracão. O problema é considerado preocupante principalmente nas proximidades da principal ponte do bairro, que leva o mesmo nome, onde a vegetação e os resíduos carregados pela correnteza acabam dificultando a passagem da água.

De acordo com os moradores, a situação pode se tornar ainda mais crítica em períodos de chuva intensa. O temor é de que o acúmulo de materiais provoque o represamento do rio, aumente a pressão sobre a estrutura da ponte e cause alagamentos, além de possíveis danos às cabeceiras, construídas de taipa.

Um dos moradores ouvidos pela reportagem afirma que a ponte é centenária e que a estrutura não possui as mesmas características de construções mais modernas. Segundo ele, a quantidade de árvores, galhos e lixo acumulados nas proximidades pode representar um risco para a passagem da água. “Ela está bloqueada de entulho, plantas, árvores, lixo, tudo que o rio leva”, relata.

O morador lembra ainda que uma intervenção de desassoreamento realizada anteriormente aumentou a capacidade de vazão do rio. No entanto, segundo ele, a passagem da água pela região da ponte acaba formando um ponto de estrangulamento, o que poderia aumentar a pressão sobre a estrutura durante uma enchente. “É importante, com as enchentes que estão vindo logo mais, fazer um desbloqueio dessa madeira toda, lixo, porque depois a passagem da água fica difícil, vai fazer uma pressão muito grande na ponte, podendo destruir parte dela”, afirma.

Risco de queda de árvores para dentro do rio preocupa moradores

Entulhos são carregados pela correnteza

Além dos galhos e das árvores, os moradores relatam que diferentes tipos de resíduos acabam chegando ao rio. Entre os materiais que já teriam sido retirados durante o desassoreamento estão pneus, latarias de veículos e até partes de motocicletas.

A avaliação é de que o Rio Barracão recebe materiais provenientes de diferentes regiões por onde passa, carregando-os até pontos de menor vazão. Entre os bairros citados pelo morador estão Santa Marta e Santa Helena, além de córregos que desembocam no rio.

A preocupação aumenta, segundo ele, porque a própria estrutura existente na região favorece o acúmulo de areia e outros materiais. Com a redução da velocidade da água, os resíduos acabam se depositando no leito.
O morador também sugere que seja estudada a instalação de uma comporta na barragem. Na avaliação dele, a medida poderia permitir maior controle da vazão em períodos de chuva e ajudar a evitar o acúmulo de areia, galhos e outros materiais no trecho.

Outros pontos considerados vulneráveis

O alerta da comunidade, entretanto, não se limita à ponte localizada nas proximidades da Corsan. Outro morador ouvido afirma que existem outros pontos que merecem atenção caso ocorram chuvas volumosas.

Cabeceiras da ponte são feitas de taipa

Segundo ele, a ponte próxima ao Castelinho também apresenta situação que preocupa, especialmente diante da circulação de veículos pesados. A estrutura estaria sujeita à pressão provocada pelo trânsito de caminhões com maior tonelagem.

Outro ponto citado é a tubulação responsável pela passagem da água que desce da região da Vila dos Eucaliptos. Conforme o morador, essa estrutura também estaria comprometida e poderia contribuir para problemas de escoamento durante uma chuva mais intensa.

A avaliação da comunidade é de que uma eventual enchente poderia provocar diferentes impactos simultaneamente: alagamento de estradas, dificuldades para o trânsito de veículos, comprometimento de estruturas de passagem e, no caso da ponte próxima à Corsan, risco de danos provocados pelo represamento da água.

Para os moradores, a retirada preventiva dos entulhos e a avaliação das estruturas são medidas necessárias para reduzir os riscos antes que um episódio de chuva forte transforme o problema em um prejuízo maior.

O que diz a Corsan

Sobre a situação apresentada, a Corsan esclarece que a presença de galhos e outros materiais de origem natural no leito do rio pode ocorrer em razão da própria dinâmica do curso d’água, especialmente após períodos de chuva, e não representa, por si só, comprometimento da qualidade da água captada, tratada e distribuída à população. “Na área de captação, a Companhia monitora as condições do local e adota as medidas necessárias sempre que a presença desses materiais possa interferir no funcionamento do sistema de abastecimento. Quando necessário, são realizadas ações de limpeza e retirada de detritos na estrutura, inclusive com o apoio de mergulhadores. Os crivos instalados no sistema também funcionam como barreira física, impedindo a entrada de materiais maiores”, afirma a empresa.

Em relação à movimentação de sedimentos, galhos e outros materiais no leito do rio, a manutenção do curso d’água e as intervenções relacionadas à sua dinâmica natural envolvem competências dos órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos e do território, como salienta a Companhia. “A Corsan, por sua vez, atua diretamente nas estruturas vinculadas à captação e ao abastecimento de água. A Companhia também monitora o entorno da captação e avalia eventuais situações que possam representar risco ao funcionamento do sistema. Quanto às árvores localizadas às margens do rio, qualquer intervenção ou manejo depende da avaliação do local e das atribuições dos órgãos competentes. A Corsan permanece à disposição para prestar os esclarecimentos necessários e adotar as providências cabíveis sempre que forem identificados impactos ou riscos para o sistema de abastecimento”, finaliza. Já a Prefeitura não se pronunciou até o momento se possui alguma responsabilidade no caso.

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