Quinta-feira, 22 de Outubro de 2026

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Avaliação da pisada e da postura pode ajudar a identificar causas de dores e desequilíbrios

Na manhã desta quarta-feira, 2 de setembro, o Jornal Semanário recebeu, em seu espaço de podcast, o fisioterapeuta Fabiano Frâncio. Na conversa, ele explicou como a avaliação da pisada e da postura pode auxiliar na identificação de alterações que estão relacionadas a dores e desequilíbrios no corpo.

Frâncio é formado pela Feevale há quase 20 anos e possui especializações em fisioterapia cardiorrespiratória, fisioterapia em terapia intensiva no adulto, educação e mestrado em envelhecimento humano. Atualmente, ele cursa doutorado em Ciências da Reabilitação. “Nesses quase 20 anos de profissão, comecei atuando em Blumenau, trabalhando lá em alguns hospitais, algumas clínicas, depois vim para o Bento Gonçalves. Minha carreira começou no Hospital Tacchini, onde eu tenho uma gratidão muito grande pela instituição por ter me acolhido, ter me dado toda essa oportunidade de crescimento”, conta.

Além da atuação profissional, Frâncio é professor há 14 anos na Unicnec, em Bento Gonçalves, e também já lecionou em cursos de pós-graduação em fisioterapia hospitalar e terapia intensiva adulta na FSG, em Caxias do Sul. “Atualmente, estou com a clínica Stabilize Saúde Integrada, onde a gente está trazendo e oferecendo alguns serviços de excelência diferenciados para a população de Bento Gonçalves e região”, frisa.

Sobre a clínica

Frâncio explica que a Clínica Stabilize Saúde Integrada está estruturando uma equipe multidisciplinar para ampliar e qualificar o atendimento à população. “A gente está montando um time bastante qualificado para oferecer um serviço de excelência, com qualidade e que seja resolutivo para os nossos clientes. Atuamos com a podoposturologia e também temos uma profissional que cuida das terapias corporais. Em breve, teremos uma profissional atuando na fisioterapia pélvica, tanto masculina quanto feminina. Também temos algumas novidades chegando, bem diferenciadas, com foco em um público específico, que é o público idoso”, conta.

Baropodometria

Segundo o fisioterapeuta, a baropodometria é um exame que avalia como a carga do peso corporal é distribuída sobre os pés. A análise permite identificar pontos de maior pressão e verificar se a distribuição ocorre de forma simétrica, observando se o peso está mais concentrado em um dos lados ou nas partes dianteira e traseira dos pés. “É como se a gente estivesse avaliando o balanceamento do corpo. A partir do resultado desse exame, a gente consegue entender um pouquinho melhor como está a condição do paciente e, a partir daí, tomar algumas decisões clínicas para o tratamento. Esse exame nos permite avaliar a distribuição da carga de peso do corpo com o paciente em pé parado, com o paciente caminhando, com o paciente correndo, com o paciente pulando, e aí vai depender muito da atividade diária do paciente, qual é o nosso objetivo com o paciente”, explica.

Ele ressalta que a região onde o paciente sente dor nem sempre corresponde à origem do problema. “Geralmente, a queixa do paciente está lá no pé, me dói essa região, me dói aquela região, mas muitas vezes, essa é a consequência e não a causa da dor. E aí a gente vai investigar a causa da dor para realmente ir lá na raiz do problema e conseguir tratar da melhor maneira possível, oferecendo uma qualidade de vida melhor para o paciente”, menciona.

Fisioterapeuta Fabiano Frâncio

Podoposturologia

A podoposturologia é uma área voltada à avaliação do posicionamento do corpo e da relação entre seus diferentes segmentos. “Avaliamos todo o corpo do paciente para identificar algumas desordens de alinhamento articular, buscando ver como é que está a harmonia do corpo. Então, a gente consegue identificar se tem alguma alteração de equilíbrio entre o lado esquerdo e o lado direito do corpo nas articulações. Então, a gente faz uma avaliação aí desde o fio de cabelo até a ponta do pé e isso também é extremamente importante para depois a gente buscar a melhor alternativa de tratamento para o paciente”, salienta.

Tratamento com palmilhas

Segundo ele, o tratamento é definido a partir da identificação de possíveis desordens durante a avaliação, associada aos resultados da baropodometria. “Analisamos onde é a causa, a raiz do problema e, a partir daí, a gente elege algumas peças específicas que vão dentro da palmilha para poder ajudar na melhora da condição desse indivíduo, na correção da postura, correção de arco plantar, enfim, correção de pisada. E aí tem uma série de fatores que a gente leva em consideração para fazer esse tratamento. Não é simplesmente olhar para o pé do paciente e dizer: isso aqui nós vamos ter que tratar dessa maneira”, afirma.

Importância do acompanhamento

Ele conta que o objetivo é identificar as desordens e buscar a causa do problema para tratar não apenas a dor, mas também possíveis alterações funcionais. “O jeito de caminhar inadequado seja restabelecido, juntando o tratamento com a palmilha e também com o exercício bem indicado, com a fisioterapia, com o reforço, alongamento, para que realmente o paciente possa diminuir esse quadro álgico, melhorar sua condição funcional e ter uma qualidade de vida digna”, diz Frâncio.

Segundo ele, os desequilíbrios apresentados pelo corpo podem ter diferentes origens, incluindo condições ocorridas ainda durante a gestação. “Aquele desequilíbrio que o paciente tem, possui uma causa. Pode vir desde a gestação. Irmãos gêmeos, tem um que fica mais apertadinho lá dentro do útero da mãe, um pouquinho mais tortinho, e isso, com o passar do tempo, pode trazer algumas repercussões osteoarticulares”, analisa.

Para o fisioterapeuta, observar o corpo de maneira integrada também é importante para perceber alterações que podem passar despercebidas no dia a dia. “Quando se olharem no espelho, se enxerguem como um todo. Muitas vezes a gente se olha no espelho, vê se o cabelo está bem penteado, a mulher se o batom está bem feitinho, bem desenhado, se o brinco está combinando com a roupa, mas muitas vezes a gente não vê que um ombro está mais caído que o outro, que uma perna está um pouquinho mais pra dentro ou pra fora que o outro, que o pé está caindo pra dentro ou pra fora. Então isso é importante, porque muitas vezes a gente sente dor e acha que é normal e que é uma coisa passageira, mas se a gente começar a se enxergar como um todo, a gente vai ver que daqui a pouco pode ter algo mais acima do pé que possa estar causando esse desequilíbrio e essa dor. Então é importante a gente se olhar no espelho e se enxergar como um sistema, como um organismo no completo”, finaliza.

Assista ao episódio completo:

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