Mais do que percorrer caminhos a cavalo, mulheres encontraram na Cavalgada da Mulher um espaço para ocupar seu lugar no tradicionalismo. A iniciativa nasceu da união de Meriele de Borba, Erenice Martins Conrado e Maria Eleise de Andrade, integrantes de diferentes entidades tradicionalistas de Bento Gonçalves. Ligadas ao CTG Laço Velho, CTG Laços da Amizade e CTG Alvorada Gaúcha, respectivamente, elas transformaram uma ideia em um movimento que coloca as mulheres à frente da organização, da participação e da vivência da cultura gaúcha.
De acordo com as coordenadoras, o espaço ainda possui uma forte presença masculina. “As mulheres estão, pouco a pouco, ocupando esses espaços e mostrando a sua força e o seu protagonismo. Ela está nos rodeios, nas cavalgadas, nas atividades campeiras, nas invernadas, na organização dos eventos e também à frente de muitas entidades tradicionalistas. A mulher não precisa deixar de ser feminina para estar na lida campeira. Ela pode vestir sua indumentária, montar seu cavalo, participar de uma cavalgada e, ao mesmo tempo, preservar toda a delicadeza e a força que fazem parte da sua identidade. Acreditamos que o tradicionalismo se fortalece quando consegue acolher e valorizar todos aqueles que têm amor pela nossa cultura. E nós, mulheres, temos muito a contribuir para manter viva essa tradição e também para construir o futuro dela”, afirmam.
Primeira cavalgada
A primeira edição aconteceu no Dia Internacional da Mulher e reuniu cerca de 100 cavalarianas, marcando o início de uma trajetória que ganhou proporções maiores do que as idealizadas pelas organizadoras. “Nós tínhamos um sonho e, naquele momento, vimos ele ganhar vida diante dos nossos olhos. Quando começamos a receber mulheres de diferentes municípios da região, percebemos que a Cavalgada tinha ultrapassado aquilo que imaginávamos”, relatam.
Segundo elas, cada participante trouxe consigo histórias, sonhos, famílias e uma paixão em comum. “E naquele dia, todas essas histórias se encontraram. O fato de ter acontecido no Dia Internacional da Mulher também deu um significado ainda maior. Foi uma forma de celebrar a mulher, sua força e presença, mas de uma maneira que tem tudo a ver conosco e com aquilo que amamos: a cavalgada, o campo e o tradicionalismo”, recordam.
Para as coordenadoras, a cavalgada representa sentimentos como liberdade, amizade, coragem e pertencimento. É um momento em que a mulher pode deixar de lado a rotina, montar seu cavalo e viver aquilo que ama. Mas existe também uma mensagem maior: a mulher tem lugar na tradição gaúcha. “Que novas mulheres se sintam motivadas a conhecer a lida campeira, a participar dos CTGs, a cavalgar e a ocupar esses espaços. Para nós, a Cavalgada é sobre isso: celebrar quem somos, aquilo que amamos e a força que temos quando estamos juntas. Esse talvez seja um dos maiores objetivos da iniciativa: inspirar outras mulheres e meninas a se aproximarem dos cavalos, do campo e da nossa cultura”, afirmam as coordenadoras.
Durante os Festejos
No dia 17 de setembro, será realizado um jantar na Associação Bentogonçalvense da Cultura Tradicionalista Gaúcha (ABCTG), durante a Semana Farroupilha. A atividade terá como objetivo arrecadar recursos para a próxima edição da Cavalgada, mas também representa um momento de confraternização e reencontro entre as participantes. “Esse jantar será muito mais do que uma forma de arrecadar recursos para a próxima Cavalgada. Queremos que seja também um momento de confraternização, de reencontro e de fortalecimento desse grupo de mulheres que começou a se formar a partir da primeira edição”, enfatizam.
Legado
Para as coordenadoras, a tradição só permanece viva quando é vivida. Por isso, mais do que falar sobre a cultura, é preciso colocá-la em prática, ensinar, participar e transmitir esses valores para as novas gerações. “Acreditamos que a participação feminina ajuda a mostrar para as meninas e para as jovens que elas têm espaço dentro do tradicionalismo. Quando uma criança ou uma jovem vê sua mãe, sua avó ou outras mulheres participando, montando a cavalo e vivendo a tradição, ela percebe que também pode fazer parte disso. Além disso, momentos como a Cavalgada aproximam as famílias e fortalecem os vínculos entre as pessoas que vivem o tradicionalismo”, finalizam.




