Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026

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PLAN-VALE avança em Garibaldi, mas Bento Gonçalves falta à discussão

A Câmara de Vereadores de Garibaldi realizou, na noite de quarta-feira, 2 de setembro, audiência pública para debater o Plano de Gestão e Desenvolvimento da Paisagem do Vale dos Vinhedos (PLAN-VALE). O projeto unifica as leis de turismo, ambiente e agricultura para Garibaldi, Bento Gonçalves e Monte Belo do Sul. No entanto, das três cidades que formam a região turística, Bento Gonçalves foi a única que não teve nenhuma autoridade ou representante político presente no encontro

O debate, liderado pelo presidente da Comissão de Infraestrutura da Câmara de Garibaldi, vereador Gilberto Perin, buscou criar uma espécie de “lei única” para a região, e contou com a participação de 70 pessoas. O objetivo foi dar segurança jurídica para quem quer investir e evitar que disputas na Justiça travem o turismo e a produção de vinhos.

Além de vereadores da casa legislativa anfitriã, secretários municipais, empreendedores, entidades associativas e membros da comunidade local, o evento contou com a presença do vice-prefeito de Monte Belo do Sul, Eder Angelo Zaffari, e do presidente da Câmara de Vereadores, Luciano Bombassaro. Não houve a participação de nenhum vereador, secretário municipal ou autoridade de Bento Gonçalves.

A discussão também abrangeu a harmonia entre os municípios envolvidos. Representantes do Ministério Público e lideranças locais enfatizaram que eventuais brechas legais no projeto podem resultar em insegurança jurídica e contestações judiciais futuras, reforçando a importância de um pacto sólido e equilibrado que proteja o território de forma justa e transparente para todos os setores produtivos.

O debate público

Conduzida pelo presidente da Comissão Técnica, a audiência reforçou o caráter democrático e participativo da construção do projeto, que passou por estudos técnicos ambientais e socioeconômicos. A mesa diretora abriu espaço para o debate com a comunidade e os empreendedores locais, enfatizando que a decisão sobre o futuro do Vale dos Vinhedos deve ser construída coletivamente pela população e pelo poder público. “O documento já passou por ampla discussão entre as três cidades e diversas entidades locais, como conselhos de agricultura e associações representativas. No entanto, o debate evidenciou a necessidade de aproximar as regras da realidade de pequenos produtores de uva, vinho e espumantes, garantindo segurança jurídica e espaço para escoamento da produção típica da Denominação de Origem”, disse.

Para alinhar o desenvolvimento econômico à preservação do Vale dos Vinhedos, cerca de 70 pessoas estiveram presentes na audiência pública sobre o PLAN-VALE na noite de quarta-feira passada, em Garibaldi

O que ficou definido?

Proteção à ruralidade e ao turismo: o projeto reforça o interesse coletivo em manter o vale com suas características originais e rurais, modelo que atrai turistas em busca de natureza, diferindo do turismo de eventos focado em áreas urbanas.

Restrição a condomínios fechados e grandes empreendimentos: ficou definido que novos condomínios fechados ou empreendimentos de grande porte que prejudiquem a mobilidade urbana, o turismo ou o meio ambiente não são de interesse do vale.

Limitação de eventos ao ar livre: novas propostas ajustam a realização de festas e eventos abertos para evitar poluição sonora e impactos ambientais, priorizando o calendário oficial e tradicional de eventos já consolidados nos municípios.

Adequação legal de lotes urbanos: uma das emendas em discussão que tratava de áreas menores para grandes parques temáticos foi considerada inconstitucional por ferir a legislação federal, que estipula o módulo mínimo de 20 mil metros quadrados para zonas urbanas, preservando a harmonia com as leis maiores.

Os próximos passos do texto revisado com as novas emendas, que incluem restrições mais claras ao tamanho e à vocação de empreendimentos, passará por novas análises até o final de setembro. Para que o projeto tenha força de lei, ele precisará ser aprovado em votação nas Câmaras de Vereadores dos três municípios integrantes do pacto.

Audiência pública foi coordenada pelo presidente da Comissão de Infraestrutura da Câmara de Garibaldi, vereador Gilberto Perin

O que é o PLAN-VALE?

O PLAN-VALE integra os Planos Diretores e estabelece regras unificadas para a proteção e valorização do patrimônio cultural e paisagístico da região enoturística, abrangendo Garibaldi, Bento Gonçalves e Monte Belo do Sul.

A Câmara de Bento Gonçalves arquivou oficialmente a proposta que autorizava parques de diversões no Vale dos Vinhedos. O anúncio foi feito pelo presidente do legislativo, Anderson Zanella, durante a sessão ordinária de ontem.

O projeto arquivado será substituído por um novo texto que limita o tamanho das construções a 6 mil metros quadrados. Essa nova proposta tramitará em conjunto com as Câmaras de Garibaldi e Monte Belo do Sul.

Entre grandes parques e a tradição, o embate que cerca o PLAN-VALE

O avanço de obras no Vale dos Vinhedos gerou uma articulação inédita entre as Câmaras de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. O projeto de ordenamento avançou com o arquivamento definitivo da emenda que liberava parques de diversões na área.Segundo o presidente do Legislativo local, Anderson Zanella, a proposta dará lugar a um texto conjunto que limita novas construções a 6 mil metros quadrados. A medida atende a moradores e produtores, que temiam a descaracterização da identidade histórica e cultural da região por interesses econômicos.

Embora a proposta unificada represente um avanço histórico para garantir segurança jurídica após anos de impasses e embargos, o texto final enfrenta divergências sobre emendas e a preservação das identidades locais.

O Projeto de Lei para o ordenamento do Vale dos Vinhedos entrou em fase decisiva nas Câmaras de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul.

A articulação ganhou força com as diretrizes jurídicas lideradas por Garibaldi. Segundo a assessoria jurídica e a Secretaria de Obras do município, o projeto atual afasta o risco de paralisação total de investimentos que assombrava a região desde 2023. O texto foca estritamente na proteção da zona rural e resguarda os direitos adquiridos de empreendimentos já consolidados.

A diretora executiva Bruna Dachery afirmou que a entidade é contra as emendas que autorizam grandes parques temáticos permanentes na região.

O fantasma dos grandes parques e eventos

Apesar do consenso sobre a necessidade de regulamentação, a Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale) manifestou forte preocupação com propostas de alterações no texto original.
De acordo com a diretora executiva, Bruna Dachery, a entidade posicionou-se contra emendas que permitam a instalação de parques temáticos permanentes de grande porte na região. “Para a associação, abrir caminhos legais sem critérios técnicos rígidos pode descaracterizar a paisagem e sobrecarregar a infraestrutura local”, diz.

Identidade sob ameaça

Na outra ponta do debate, o Legislativo de Monte Belo do Sul acendeu um alerta sobre o risco de descaracterização econômica e cultural de seus produtores. A liderança da Câmara municipal criticou a chegada tardia de emendas e expôs o temor de vinícolas locais perderem sua Indicação de Procedência (IP) ao serem absorvidas impositivamente pelas regras de Denominação de Origem (DO) do Vale dos Vinhedos.

O presidente do Legislativo de Monte Belo do Sul, vereador Luciano Bombassaro, salientou que o PLAN-VALE deve ser um instrumento de segurança jurídica e equilíbrio para as três cidades

O presidente da Câmara da de Vereadores de Monte Belo do Sul, Luciano Bombassaro comenta que o desafio das frentes parlamentares agora é costurar um pacto equilibrado que garanta o crescimento ordenado e respeite a vocação histórica de cada município. “Nós entendemos a necessidade de criar regras comuns para a proteção da nossa região, mas não podemos permitir que a pressa ou a chegada tardia de emendas comprometam o que nossa comunidade levou décadas para construir. É preciso ser um instrumento de segurança jurídica e equilíbrio para as três cidades, e não um mecanismo impositivo que absorva nossa autonomia”, enfatizou.

Municípios estiveram reunidos em agosto
Em agosto, representantes do Legislativo de Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul e Garibaldi reuniram-se com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), representado pelo promotor Felipe Teixeira Neto.

Bento arquiva proposta

A proposição que autorizava a abertura de parques de diversões no Vale dos Vinhedos foi oficialmente arquivada. O anúncio partiu do presidente da Câmara de Bento Gonçalves, Anderson Zanella, durante a sessão ordinária realizada ontem, antecipada por conta do feriado de 7 de Setembro.

De acordo com Zanella, a emenda arquivada será substituída por uma nova proposta que limita as construções a 6 mil metros quadrados. O presidente destacou que o texto foi alinhado para tramitar de forma conjunta nas Câmaras de Garibaldi e Monte Belo do Sul, garantindo regras padronizadas entre os três municípios que compartilham a região do Vale.

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