A missão organizada pelo Sebrae ao Sul de Minas, com participação de Beatriz Somacal, vice-presidente, e Márcio Chiaramonte, conselheiro, deixou lições importantes para quem pensa o futuro de Bento Gonçalves. As visitas a Santa Rita do Sapucaí e Itajubá mostraram que inovação nasce quando educação, poder público, universidades, empresas e comunidade caminham na mesma direção.
Em Santa Rita do Sapucaí, uma percepção chamou atenção. A integração entre estudantes de todas as redes de ensino faz parte da cultura local. A inovação começa cedo, dentro da escola, e segue conectada às oportunidades que a cidade oferece. Também ficou evidente que ali não existe a ideia de um único parque tecnológico isolado, mas que a cidade inteira se comporta como um grande parque tecnológico, com incubadoras, apoio ao empreendedorismo e ambiente que estimula quem quer transformar ideias em negócios.
O Inatel, instituição reconhecida pela força nas telecomunicações e tecnologia, trabalha no desenvolvimento do 6G e busca expandir suas atividades a partir de cursos consolidados. Ao mesmo tempo, a prefeitura assume papel ativo no apoio à inovação e ao empreendedorismo. Isso mostra que o avanço não acontece por acaso, depende de uma decisão coletiva de cidade.
Em Itajubá, a visita ao laboratório do pré-sal revelou outro ponto essencial. Quando universidades lideram pesquisa aplicada, o conhecimento deixa de ficar restrito à sala de aula e passa a responder desafios reais da sociedade. O município, que conta com cinco universidades próprias, também abriga a Helibrás, subsidiária da Airbus e referência mundial na produção de helicópteros e manutenção aeronáutica. Soma-se a isso o desenvolvimento de testes com veículos movidos a hidrogênio, tecnologia que já aparece inclusive no carro utilizado pelo prefeito.
Mas talvez uma das reflexões mais honestas tenha vindo da conversa com um taxista. A maior percepção da população sobre Itajubá é a educação de qualidade. Ao mesmo tempo, há incômodo com o cuidado urbano, como lixo nas ruas e sinais de descuido. Esse contraste ensina muito, pois não basta ser referência tecnológica se o espaço urbano não acompanha essa evolução no cotidiano das pessoas.
Para o Bento+20, essa missão reforça uma convicção. Planejar o futuro de Bento exige olhar para fora, aprender com boas experiências e adaptar caminhos à nossa realidade. Queremos uma cidade que conecte educação, inovação, empreendedorismo e qualidade urbana. Uma cidade que não apenas fale em futuro, mas prepare seus jovens, fortaleça suas instituições e cuide do lugar onde tudo acontece.
