Moradores da região do Barracão, em Bento Gonçalves, estão chamando a atenção para a quantidade de entulhos, galhos, árvores e outros materiais acumulados no Rio Barracão. O problema é considerado preocupante principalmente nas proximidades da principal ponte do bairro, que leva o mesmo nome, onde a vegetação e os resíduos carregados pela correnteza acabam dificultando a passagem da água.
De acordo com os moradores, a situação pode se tornar ainda mais crítica em períodos de chuva intensa. O temor é de que o acúmulo de materiais provoque o represamento do rio, aumente a pressão sobre a estrutura da ponte e cause alagamentos, além de possíveis danos às cabeceiras, construídas de taipa.
Um dos moradores ouvidos pela reportagem afirma que a ponte é centenária e que a estrutura não possui as mesmas características de construções mais modernas. Segundo ele, a quantidade de árvores, galhos e lixo acumulados nas proximidades pode representar um risco para a passagem da água. “Ela está bloqueada de entulho, plantas, árvores, lixo, tudo que o rio leva”, relata.
O morador lembra ainda que uma intervenção de desassoreamento realizada anteriormente aumentou a capacidade de vazão do rio. No entanto, segundo ele, a passagem da água pela região da ponte acaba formando um ponto de estrangulamento, o que poderia aumentar a pressão sobre a estrutura durante uma enchente. “É importante, com as enchentes que estão vindo logo mais, fazer um desbloqueio dessa madeira toda, lixo, porque depois a passagem da água fica difícil, vai fazer uma pressão muito grande na ponte, podendo destruir parte dela”, afirma.

Entulhos são carregados pela correnteza
Além dos galhos e das árvores, os moradores relatam que diferentes tipos de resíduos acabam chegando ao rio. Entre os materiais que já teriam sido retirados durante o desassoreamento estão pneus, latarias de veículos e até partes de motocicletas.
A avaliação é de que o Rio Barracão recebe materiais provenientes de diferentes regiões por onde passa, carregando-os até pontos de menor vazão. Entre os bairros citados pelo morador estão Santa Marta e Santa Helena, além de córregos que desembocam no rio.
A preocupação aumenta, segundo ele, porque a própria estrutura existente na região favorece o acúmulo de areia e outros materiais. Com a redução da velocidade da água, os resíduos acabam se depositando no leito.
O morador também sugere que seja estudada a instalação de uma comporta na barragem. Na avaliação dele, a medida poderia permitir maior controle da vazão em períodos de chuva e ajudar a evitar o acúmulo de areia, galhos e outros materiais no trecho.
Outros pontos considerados vulneráveis
O alerta da comunidade, entretanto, não se limita à ponte localizada nas proximidades da Corsan. Outro morador ouvido afirma que existem outros pontos que merecem atenção caso ocorram chuvas volumosas.

Segundo ele, a ponte próxima ao Castelinho também apresenta situação que preocupa, especialmente diante da circulação de veículos pesados. A estrutura estaria sujeita à pressão provocada pelo trânsito de caminhões com maior tonelagem.
Outro ponto citado é a tubulação responsável pela passagem da água que desce da região da Vila dos Eucaliptos. Conforme o morador, essa estrutura também estaria comprometida e poderia contribuir para problemas de escoamento durante uma chuva mais intensa.
A avaliação da comunidade é de que uma eventual enchente poderia provocar diferentes impactos simultaneamente: alagamento de estradas, dificuldades para o trânsito de veículos, comprometimento de estruturas de passagem e, no caso da ponte próxima à Corsan, risco de danos provocados pelo represamento da água.
Para os moradores, a retirada preventiva dos entulhos e a avaliação das estruturas são medidas necessárias para reduzir os riscos antes que um episódio de chuva forte transforme o problema em um prejuízo maior.
O que diz a Corsan
Sobre a situação apresentada, a Corsan esclarece que a presença de galhos e outros materiais de origem natural no leito do rio pode ocorrer em razão da própria dinâmica do curso d’água, especialmente após períodos de chuva, e não representa, por si só, comprometimento da qualidade da água captada, tratada e distribuída à população. “Na área de captação, a Companhia monitora as condições do local e adota as medidas necessárias sempre que a presença desses materiais possa interferir no funcionamento do sistema de abastecimento. Quando necessário, são realizadas ações de limpeza e retirada de detritos na estrutura, inclusive com o apoio de mergulhadores. Os crivos instalados no sistema também funcionam como barreira física, impedindo a entrada de materiais maiores”, afirma a empresa.
Em relação à movimentação de sedimentos, galhos e outros materiais no leito do rio, a manutenção do curso d’água e as intervenções relacionadas à sua dinâmica natural envolvem competências dos órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos e do território, como salienta a Companhia. “A Corsan, por sua vez, atua diretamente nas estruturas vinculadas à captação e ao abastecimento de água. A Companhia também monitora o entorno da captação e avalia eventuais situações que possam representar risco ao funcionamento do sistema. Quanto às árvores localizadas às margens do rio, qualquer intervenção ou manejo depende da avaliação do local e das atribuições dos órgãos competentes. A Corsan permanece à disposição para prestar os esclarecimentos necessários e adotar as providências cabíveis sempre que forem identificados impactos ou riscos para o sistema de abastecimento”, finaliza. Já a Prefeitura não se pronunciou até o momento se possui alguma responsabilidade no caso.





