Mesmo diante de previsões climáticas instáveis sob influência do El Niño, hotelaria local aposta na flexibilidade de reservas, infraestrutura de experiências internas e na força da gastronomia para atrair visitantes
A proximidade dos meses de junho e julho movimenta a expectativa de um dos setores mais vitais para a economia de Bento Gonçalves: a hotelaria. Historicamente consolidados como o período de maior fluxo turístico, especialmente pelo público de lazer em busca das baixas temperaturas e do período de férias escolares, os meses de inverno de 2026 prometem superar os índices registrados no ano anterior. De acordo com o Sindicato Empresarial de Gastronomia e Hotelaria (SEGH) Uva e Vinho, a expectativa de ocupação para os quase cinco mil leitos do município é otimista, com projeções que alcançam os 67% em junho e saltam para 75% em julho.
A vice-presidente do SEGH Uva e Vinho, Vanessa Berenice Pereira Cantelli, analisa que o clima de montanha continua sendo o principal chamariz para o destino. “Estes são meses de temporada de inverno e de férias, são historicamente os de maior fluxo de turista, principalmente o público de lazer”, explica. Para Vanessa, a estrutura da cidade está preparada para o aumento da demanda. “Para 2026, a expectativa do setor supera a taxa de 67% em junho e 75% em julho. Acreditamos que vamos superar o percentual do ano anterior”, projeta.

Adaptação climática e segurança nas reservas
O cenário meteorológico para 2026, entretanto, apresenta particularidades. A influência do fenômeno El Niño, que tende a elevar o volume de chuvas na Região Sul, exige que o setor hoteleiro adote uma postura estratégica frente ao comportamento do consumidor. Vanessa observa que, embora a chuva impacte o planejamento, o charme da estação prevalece. “O inverno segue sendo uma das estações mais atrativas para o turismo de nossa cidade. As chuvas, neblinas, geadas, temperaturas mais baixas e noites mais longas compõem um cenário único”, pontua.
Para mitigar possíveis impactos negativos nas reservas, a hotelaria investe em transparência. “A informação verdadeira, transmitida com responsabilidade e sem alarmismo, torna-se essencial para gerar confiança e minimizar impactos nas reservas”, afirma Vanessa. Ela destaca ainda que o setor se tornou mais maleável para garantir a satisfação do cliente. “As políticas de reservas também precisaram ser revisadas, adotando maior flexibilidade para garantir que o turista possa vivenciar o destino sem prejuízos”, completa.
Comportamento do turista e resiliência
A instabilidade climática dos últimos anos conferiu ao setor uma maior resiliência. Atualmente, o perfil do turista que visita Bento Gonçalves permanece majoritariamente composto por gaúchos, seguidos por visitantes de estados vizinhos e de São Paulo. A principal mudança notada está no comportamento de compra, com uma incidência crescente de reservas de última hora e preferência por viagens curtas.
Nesse contexto, a infraestrutura indoor ganha protagonismo. “As experiências indoor se consolidam como uma alternativa qualificada, permitindo experiências completas e igualmente enriquecedoras, independentemente das condições climáticas”, resalta. Segundo ela, o foco das empresas está na criação de pacotes sazonais que valorizem as particularidades de cada estação, mantendo o conceito de hospitalidade.
Integração e operação
A força do turismo da cidade reside em seu funcionamento conjunto. “Ele funciona de forma sistêmica. A hotelaria, a gastronomia, os atrativos e os serviços atuam de maneira integrada, compondo uma cadeia que sustenta a competitividade do destino”, avalia. Para a vice-presidente, a gastronomia e os eventos atuam como vetores de equilíbrio e previsibilidade para o setor.
No que tange à preparação operacional para o pico da temporada, a rede hoteleira opta por uma estratégia de otimização. O setor tem absorvido o aumento da demanda com trabalhadores já existentes, valendo-se do uso de tecnologia para maior eficiência. A qualificação, por sua vez, é tratada como um processo ininterrupto. “O treinamento das equipes deve ser contínuo, independentemente da sazonalidade. A hospitalidade precisa ser tratada como uma premissa permanente”, conclui.





