Com projetos para crianças, adolescentes e idosos, a entidade distribui até 160 cestas básicas por mês e inicia construção de novo espaço, em parceria com a Ascon Vinhedos, para ampliar serviços e acolher mais famílias
A Ação Social São Roque vive um momento de crescimento em Bento Gonçalves. Enquanto amplia o número de atividades voltadas para crianças, adolescentes, idosos e famílias em situação de vulnerabilidade, a entidade também dá início a uma aguardada obra de expansão que permitirá aumentar a capacidade de atendimento e desenvolver novos projetos nos próximos anos.
Atualmente, a instituição atende aproximadamente 70 idosas nos grupos de convivência, além de desenvolver oficinas para crianças, adolescentes e adultos. Também mantém ações permanentes de assistência às famílias, incluindo distribuição de alimentos, roupas e orientações sociais.
A assistente social Vanusa Rodrigues Posso, que integra a equipe desde 2023, destaca o impacto que o trabalho tem gerado na vida das pessoas que procuram a entidade. “Eu vejo quantas vidas são transformadas aqui na Ação Social São Roque. Muitas vezes, uma orientação, uma escuta atenta ou até mesmo a entrega de um alimento ajudam as pessoas a superar momentos difíceis. Então, sim, vidas são transformadas todos os dias por meio do trabalho realizado aqui”, destaca.
A profissional afirma que, além do auxílio material, muitas pessoas encontram no espaço acolhimento e escuta em momentos de dificuldade.
Projetos promovem convivência, aprendizado e inclusão

Entre as iniciativas em andamento está o projeto destinado ao grupo de convivência da terceira idade, que oferece oficinas temáticas conduzidas por profissionais de diferentes áreas. Atualmente, as atividades são voltadas ao desenvolvimento humano e relações familiares, conduzidas por psicóloga, e posteriormente contarão com ações voltadas à atividade física.
Outro projeto aprovado pelo Fundo Municipal da Pessoa Idosa prevê sete passeios culturais e turísticos pelo Rio Grande do Sul, incluindo visitas a Gramado, Nova Petrópolis, ao Museu da PUC, ao Museu Oceanográfico de Imbé, Parque das Águas Termais e passeio de Maria Fumaça.
Para crianças e adolescentes, a entidade mantém atividades aos sábados, incluindo oficinas ligadas à sustentabilidade, reaproveitamento de materiais e desenvolvimento pessoal. Há ainda ações voltadas ao resgate das culturas italiana e alemã por meio do artesanato.
Segundo Vanusa, algumas vagas ainda estão disponíveis para a comunidade.
Espaço de pertencimento para idosos
Uma das frentes que mais cresce na entidade é o atendimento à população idosa. O grupo de convivência tornou-se um importante espaço de socialização para pessoas que enfrentam situações de solidão, luto ou fragilidade emocional.
A psicóloga Eduarda Bassoli, que já atuou como estagiária na instituição e atualmente integra os projetos da entidade, relata que muitas participantes encontram ali um ambiente de acolhimento e fortalecimento de vínculos. “Eu ficava em casa sozinha, eu não tinha ninguém para conversar, eu tinha depressão, e aí eu vim aqui e fiquei feliz. Esse é um espaço de segurança para elas”, conta.
A profissional observa que as atividades proporcionam troca de experiências e fortalecem o sentimento de pertencimento entre as participantes.
Vulnerabilidade social preocupa entidade
Além dos projetos educativos e de convivência, a Ação Social São Roque continua atuando diretamente junto às famílias em situação de vulnerabilidade. A instituição distribui entre 140 e 160 cestas básicas por mês, montadas com doações e complementadas com recursos obtidos através do programa Nota Fiscal Gaúcha.
Segundo a equipe, a procura por auxílio social aumentou nos últimos anos, impulsionada por fatores como endividamento, dificuldades de acesso à moradia, migração de famílias para Bento Gonçalves e reflexos econômicos da pandemia e das enchentes.
Vanusa relata que muitos idosos chegam à entidade com grande parte da renda comprometida por empréstimos e financiamentos. “Famílias idosas que recebiam um salário mínimo, estão recebendo 400 reais. O que a gente faz na nossa realidade aqui no município com o custo de vida elevado? Então, é bem complicado”, questiona.
A instituição atende prioritariamente moradores da região Norte do município e do interior abrangido pelo território do CRAS I, mas também auxilia famílias de outras localidades em situações emergenciais.
Obra permitirá ampliar serviços

A principal novidade deste ano é o início das obras de ampliação da sede. O projeto prevê a construção de um novo espaço com salão maior, cozinha ampliada e câmara fria, estrutura que permitirá ampliar significativamente as atividades oferecidas à população.
A presidente da entidade, Vânia Kratz Mendes, explica que o crescimento dos projetos tornou evidente a necessidade de uma estrutura mais adequada. “O espaço ampliado vai nos dar condições de, efetivamente, ter iniciativas sendo executados todos os dias da semana para diferentes idades e famílias”, relata.
Com a nova estrutura, a entidade pretende receber mais oficinas, cursos, grupos de convivência e atividades voltadas à qualificação profissional e geração de renda.
De núcleo a banco de alimentos
Um dos objetivos da ampliação é transformar a atual operação da instituição em um banco de alimentos estruturado. Com a instalação da câmara fria, será possível armazenar alimentos por mais tempo e ampliar a distribuição para famílias e entidades parceiras.
A nova cozinha também abrirá espaço para oficinas de aproveitamento integral dos alimentos, ações educativas sobre alimentação saudável e, futuramente, até mesmo o fornecimento de refeições. “Nós vamos poder deixar de ser um núcleo do banco de alimentos e passar a ser um banco de alimentos”, explica.
Vânia acrescenta que a estrutura permitirá desenvolver projetos que hoje não podem ser executados por falta de espaço físico.
Sonho antigo ganha forma com apoio da Ascon Vinhedos
A ampliação da sede representa um projeto planejado há anos pela Ação Social São Roque. Após adequações no projeto original, a entidade optou por iniciar a construção de um pavimento, priorizando a entrega mais rápida da nova estrutura para a comunidade.
Segundo a presidente Vânia, a concretização da obra vai ser possível graças ao apoio da Associação das Empresas de Construção Civil da Região dos Vinhedos (Ascon Vinhedos), que assumiu o papel de madrinha da iniciativa, auxiliando na mobilização de recursos e materiais necessários para a construção. “A gente quer agradecer sinceramente a diretoria da Ascon, tanto a anterior quanto a atual, e também as empresas que já têm sido solidárias e parceiras nessa doação. Estamos abertos para continuar recebendo apoio para que possamos, em tempo recorde, inaugurar essa ampliação”, afirma.
Vânia destaca ainda a participação do ex-presidente da Ascon, Alan Scomazzon, do atual presidente, Diogo Giacomello, e do engenheiro Leandro Rezende, que acompanharam a evolução do projeto e contribuíram para a definição da proposta que será executada.
Conforme relatado pela presidente, o projeto inicial previa uma construção de dois pavimentos, mas a orientação técnica foi priorizar uma etapa que pudesse ser entregue em menor prazo, garantindo que a comunidade começasse a usufruir do novo espaço mais rapidamente. “O que me disseram foi: tu prefere continuar sonhando por mais alguns anos com dois andares ou já ter um andar iniciado e pronto dentro de uma previsão de um ano? É óbvio que escolhemos começar agora e seguir construindo esse sonho”, ressalta.
A obra tem investimento estimado em R$750 mil apenas para a construção do novo prédio. A entidade já aporta cerca de R$300 mil, valor economizado ao longo de mais de duas décadas por meio de brechós beneficentes, eventos e doações da comunidade. A expectativa é concluir os trabalhos entre um ano e um ano e meio, dependendo da continuidade das doações para a construção.