ANEEL manteve a bandeira tarifária amarela para junho, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos
Com a chegada das primeiras ondas de frio em 2026, famílias da Serra Gaúcha já começam a redobrar a atenção com o consumo de energia elétrica. O tema volta ao debate após o inverno do ano passado, quando moradores relataram aumentos expressivos nas contas de luz, em alguns casos com valores muito acima do habitual e denúncias de cobranças consideradas abusivas.
Após vigorar em maio, a bandeira tarifária amarela foi mantida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para junho de 2026. Com isso, os consumidores seguem pagando uma cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos nas contas de energia elétrica.
Segundo a Rio Grande Energia (RGE), o principal fator para o aumento das contas no inverno é o crescimento do consumo provocado pelas baixas temperaturas. Em 2025, o Estado enfrentou um inverno rigoroso, com períodos prolongados de frio intenso, o que elevou o uso de equipamentos elétricos para aquecimento. “O uso de aparelhos como aquecedores e chuveiro pode se tornar mais frequente, impactando no valor final da conta”, informou a distribuidora.
Cobranças em 2025
No ano passado, em Bento Gonçalves e em outros municípios da Serra Gaúcha, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) registrou aumento nas reclamações relacionadas às cobranças. As principais queixas envolviam falta de clareza nos cálculos, cobrança elevada de taxas e dificuldade para compreender a composição das contas. O site Reclame Aqui também acumulou centenas de manifestações de consumidores sobre os reajustes registrados naquele período.
Os relatos incluíam desde contas que passaram de cerca de R$200 para mais de R$700 até casos de consumidores com sistema de energia solar que receberam faturas superiores a dois mil reais, mesmo após histórico de cobranças mínimas.
A repercussão das reclamações levou à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul para investigar a atuação das concessionárias de energia elétrica no Estado. Durante cerca de quatro meses, a comissão analisou falhas no fornecimento, qualidade do serviço, cobranças e a transparência das empresas em relação aos consumidores.
Ao final dos trabalhos, o relatório aprovado apresentou propostas voltadas à criação de mecanismos de monitoramento e maior transparência no setor elétrico, incluindo medidas relacionadas à divulgação de dados e à preparação para situações de contingência. A comissão também apontou problemas no cumprimento de metas de qualidade do serviço elétrico no Estado, tema que gerou debates ao longo da investigação.
Chuveiro elétrico segue como principal vilão
Entre os aparelhos que mais impactam a conta de energia no inverno, o chuveiro elétrico continua liderando. Conforme a RGE, o uso do equipamento no modo “inverno” aumenta o consumo em até 30% em relação ao modo “verão”, podendo representar entre 25% e 35% dos gastos da residência nos dias mais frios.

O eletricista Dionatha Elvino, da empresa Voltix, confirma que o chuveiro é o equipamento que mais pesa no consumo doméstico nesta época do ano. “O chuveiro vem em primeiro lugar por ter a maior potência, geralmente entre 5.500W a 7.800W. O ar-condicionado no quente fica em segundo lugar e os aquecedores em terceiro, mas se ficarem ligados por um longo tempo ultrapassaram o custo de um banho”, explica.
Além dos citados acima, a RGE aponta que secadoras de roupa, ferros de passar também contribuem significativamente para o aumento da conta no inverno.
Segundo a RGE aquecedores podem chegar a um consumo médio mensal de até 160 kWh. Já as secadoras consomem entre 80 e 100 kWh por mês quando utilizadas diariamente.
Problemas na rede elétrica podem elevar a conta
Outro fator que merece atenção é o estado das instalações elétricas das residências. De acordo com Elvino, fiações desgastadas ou mal conservadas podem causar perda de energia sem que o morador perceba. “As antigas, ressecadas ou com emendas mal feitas sofrem aquecimento. Esse aquecimento é um desperdício de energia em forma de calor, que faz o relógio girar mesmo sem ter ligado nada”, afirma.
A RGE também orienta que manter instalações revisadas ajuda a evitar fugas de energia. A recomendação inclui atenção a fios desencapados, lâmpadas queimadas e até à vedação da geladeira. “Esses são os principais responsáveis pelo desperdício, que, ao longo do tempo, geram impacto significativo nas contas”, informou a empresa.
O eletricista destaca ainda uma forma prática de identificar possíveis fugas de corrente dentro de casa. “Um dos métodos mais simples é retirar todos os aparelhos das tomadas e desligar todas as luzes. Vá até o medidor ou relógio: se continuar girando ou piscando uma luz, temos fuga de corrente”, explica.
Aparelhos ligados na tomada
Além dos equipamentos de maior potência, aparelhos eletrônicos ligados nas tomadas podem aumentar o consumo elétrico mesmo quando não estão em uso. “TV, carregadores e micro-ondas continuam consumindo energia mesmo não sendo utilizados. Esse consumo ‘fantasma’ pode aumentar a conta de luz no final do mês”, alerta Elvino.
A RGE também orienta os consumidores a desligarem aparelhos quando não estiverem sendo utilizados e a aproveitar ao máximo a iluminação natural durante o dia. Segundo a empresa, a iluminação representa de 5% a 15% do valor da conta de energia. Outra recomendação é optar por lâmpadas de LED, que possuem menor consumo e maior durabilidade.
Hábitos simples podem reduzir os gastos
Entre as medidas apontadas para economizar energia durante o inverno sem comprometer o conforto, especialistas destacam mudanças simples na rotina.
A principal orientação continua sendo reduzir o tempo de banho quente. Outra dica é usar aquecedores apenas quando necessário e manter os espaços fechados para conservar o calor do ambiente. “Ligue os apenas na hora de dormir e feche portas e janelas quando ligar os aquecedores, para que o ambiente fique quente mais rápido e por mais tempo”, orienta Elvino.
A RGE também recomenda acumular roupas para lavar, secar e passar tudo de uma vez, reduzindo o uso frequente de eletrodomésticos de alto consumo.
No caso dos aquecedores e aparelhos de ar-condicionado, a empresa sugere escolher modelos adequados ao tamanho do ambiente e dar preferência aos equipamentos inverter, que podem economizar até 40% em comparação aos modelos convencionais.