Além do supermercado, outros cinco estabelecimentos foram interditados e mais de uma tonelada de alimentos impróprios foi apreendida em Imbé
A Força-Tarefa do Programa Segurança dos Alimentos apreendeu mais de dez toneladas de produtos impróprios para o consumo humano em sete estabelecimentos, entre mercados, restaurantes e padarias, em Imbé, no Litoral Norte, entre quarta e quinta-feira, 12 de fevereiro.
A maior apreensão ocorreu na quinta-feira, quando, em um único supermercado, foram retiradas de seis contêineres cerca de 8,8 toneladas de carnes e pescados considerados impróprios para o consumo, o maior volume já registrado pela Força-Tarefa no litoral gaúcho. O proprietário foi preso em flagrante, conduzido à delegacia e deverá responder por crime contra as relações de consumo. O estabelecimento pertence a uma rede com 12 filiais no Litoral Norte.
Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul, nos contêineres e nas áreas internas do supermercado, foram identificados produtos de origem animal em condições completamente inadequadas, incluindo carnes bovina, suína, ovina e de frango, além de miúdos de frango e bovinos, bacon, hambúrgueres e diversos tipos de pescados. As equipes encontraram toneladas de itens vencidos, sem procedência, mal acondicionados, com embalagens primárias abertas ou mantidos em temperaturas incompatíveis com as indicadas pelo fabricante. Muitos apresentavam aspecto, cor e odor repugnantes, indicativos de deterioração ou contaminação. Também foram observadas caixas plásticas sujas, equipamentos em mau estado de conservação e forte odor de esgoto na área externa onde estavam instalados os contêineres.
Ainda de acordo com o MPRS, na câmara fria do açougue, a fiscalização localizou cortes de carne com as mesmas irregularidades, rotulados como “carne de processamento” e com revalidação de datas, o que aumentou a gravidade das constatações.
A fiscalização em Imbé teve início na quarta-feira e se estendeu até a noite. No total, seis estabelecimentos foram visitados, com interdição total de cinco deles devido às condições precárias de higiene e estrutura. Nessas ações, mais de uma tonelada de produtos impróprios foi apreendida, com irregularidades que incluíam falta de procedência, validade vencida, alimentos fora da temperatura adequada e falhas na rotulagem.
Parte da carne apreendida, cerca de meia tonelada, foi submetida à inspeção veterinária, considerada segura para a nutrição animal e destinada ao Zoológico de Sapucaia do Sul.
Os integrantes da Força-Tarefa relataram preocupação específica com as condições encontradas em Imbé. Segundo os agentes, melhorias haviam sido percebidas em outras praias fiscalizadas nos últimos dias, o que não se verificou no município. A equipe já havia realizado ação na cidade na segunda-feira e, diante da gravidade das irregularidades, retornou na quarta-feira e priorizou novamente o local na quinta. Em razão do grande volume de produtos irregulares encontrados no supermercado, a operação prevista para outras praias do Litoral Norte foi cancelada, concentrando-se toda a estrutura na conclusão da inspeção em Imbé.
Todos os estabelecimentos fiscalizados foram autuados, e os proprietários dos locais interditados deverão ser chamados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) para termos de ajustamento de conduta (TACs). A maioria estava com alvarás vencidos desde 2020 e 2021, situação que será apurada. A Força-Tarefa também solicitará à Vigilância Sanitária Municipal de Imbé a relação de autos de infração do último ano, diante do número de interdições registradas em apenas um dia no município.
Participaram da operação os promotores de Justiça Alcindo Luz Bastos da Silva Filho (Defesa do Consumidor) e Mauro Rockenbach (Especializada Criminal), servidores do GAECO/MPRS, representantes da Secretaria Estadual da Saúde, da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI), da Patrulha Ambiental da Brigada Militar (PATRAM), da Delegacia do Consumidor (DECON) e da Corpo de Bombeiros, que também atuou em algumas vistorias devido a riscos estruturais.