Com abordagem integrativa e foco na causa funcional a aposta é baseada em evidências científicas para reduzir dores musculoesqueléticas, melhorar a qualidade de vida e diminuir a dependência de medicamentos
A dor crônica atinge uma parcela expressiva da população brasileira e representa um desafio crescente para o sistema de saúde. De acordo com dados do Ministério da Saúde (MS) e estudos epidemiológicos de base populacional, cerca de quatro em cada dez adultos no Brasil convivem com algum tipo de dor persistente, especialmente dores musculoesqueléticas como lombalgia crônica, dores cervicais associadas à tensão miofascial, artrose, rigidez articular e fibromialgia. Essas condições estão entre as principais causas de limitação funcional, afastamento do trabalho e uso contínuo de medicamentos analgésicos no país.

Na Região Sul, o cenário é ainda mais expressivo. Pesquisas conduzidas por universidades federais, como a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e publicadas em periódicos científicos, com apoio de dados do Sistema Único de Saúde (SUS), indicam que a prevalência de dores na coluna (incluindo lombar e cervical) é superior à média nacional, atingindo mais de 50% da população adulta em determinados recortes. No Rio Grande do Sul, fatores como envelhecimento populacional, jornadas de trabalho repetitivas e sedentarismo contribuem para o aumento dos casos de dor crônica, especialmente entre mulheres e pessoas acima dos 50 anos.
A fibromialgia, por sua vez, afeta aproximadamente 2% da população brasileira, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e estudos referenciados pelo Ministério da Saúde, sendo caracterizada por dor difusa, fadiga e prejuízos significativos à qualidade de vida. Diante desse contexto, cresce a busca por abordagens terapêuticas complementares, seguras e baseadas em evidências científicas, capazes de auxiliar no controle da dor e na recuperação funcional dos pacientes.
Terapias restaurativas
Com o avanço da longevidade da população e o aumento dos casos de dores musculoesqueléticas persistentes, a busca por abordagens terapêuticas que vão além do uso contínuo de medicamentos tem ganhado espaço na área da saúde. À frente do trabalho de terapias restaurativas, com destaque para a utilização do calor como ferramenta terapêutica no manejo da dor crônica está a terapeuta corporal, e proprietária da clínica Bem Star – Saúde e Beleza, Terezinha G. K. Zaparoli, que há duas décadas atua com uma proposta integrativa.
Foco na causa da dor e não apenas no sintoma
Segundo Terezinha, a principal diretriz é atuar na origem funcional da dor, e não apenas mascarar seus efeitos imediatos. “Costumamos dizer que é preciso ‘trocar a telha’, e não apenas colocar um ‘balde na goteira’. Sempre que possível, buscamos identificar a causa da dor e trabalhar diretamente nela, em vez de apenas aliviar o sintoma momentâneo”, afirma. Essa filosofia orienta uma abordagem que integra avaliação detalhada, terapias corporais e técnicas de calor com o objetivo de restaurar a mobilidade, melhorar a circulação, equilibrar o sistema musculoesquelético e auxiliar na regulação do sistema nervoso, promovendo alívio duradouro e melhor qualidade de vida.
A terapia de calor, explica a profissional, diferencia-se de muitos métodos tradicionais justamente por estimular respostas fisiológicas naturais do organismo. Ao atuar diretamente nos tecidos, o calor favorece o relaxamento muscular, melhora a circulação local e reduz a rigidez articular, fatores frequentemente associados à dor crônica. “Não se trata apenas de conforto momentâneo. O calor desencadeia processos biológicos que favorecem a recuperação funcional do corpo”, ressalta.

Terapeuta corporal – Terezinha G. K. Zaparoli
Evidências científicas e indicações terapêuticas
Do ponto de vista fisiológico, os benefícios da terapia de calor são amplamente descritos na literatura científica. A aplicação controlada do calor contribui para a diminuição de espasmos musculares, aumento do fluxo sanguíneo, melhora da oxigenação dos tecidos e auxílio na remoção de metabólitos inflamatórios. Além disso, ocorre a modulação da dor por meio da estimulação de receptores térmicos, que competem com os sinais dolorosos no sistema nervoso central. “Isso explica por que muitos pacientes relatam alívio significativo logo nas primeiras sessões”, observa Terezinha.
Entre as condições que apresentam melhor resposta estão a lombalgia crônica, dores cervicais associadas à tensão miofascial, artrose, rigidez articular, fibromialgia (como parte de um tratamento multimodal), dores musculares decorrentes de sobrecarga ou má postura, além de dores pélvicas relacionadas ao estresse muscular. Para cada situação, são indicadas técnicas específicas, como compressas quentes, infravermelho terapêutico ou calor sistêmico, sendo a escolha definida conforme o tipo de dor, a profundidade do tecido envolvido e as condições clínicas do paciente.
Avaliação individualizada e cuidado integral
O processo terapêutico inicia-se sempre com uma avaliação criteriosa e detalhada. De acordo com Terezinha, essa etapa é fundamental para o sucesso do tratamento. “Entendemos que cada indivíduo é único, por este motivo aplicamos uma avaliação criteriosa e detalhada que inclui histórico da dor, postural e funcional, avaliação de exames já realizados, rotina e estilo de vida. Após esta etapa inicial, que consideramos fundamental, é definido o plano terapêutico personalizado, combinando terapias restaurativas com o calor”, explica. As sessões costumam durar entre trinta e sessenta minutos e incluem orientação ao paciente, aplicação de protocolos específicos e acompanhamento da evolução clínica.
Em muitos casos, os clientes percebem alívio já na primeira sessão, especialmente em relação à tensão e à rigidez muscular. Nos quadros crônicos, a melhora funcional mais consistente costuma ocorrer entre a terceira e a sexta sessão, com benefícios progressivos ao longo do tratamento. Em média, de seis a dez sessões são suficientes para uma melhora perceptível, embora esse número possa variar conforme a causa e o tempo de duração da dor.
A terapeuta destaca ainda que a terapia de calor não substitui automaticamente o uso de medicamentos, mas pode reduzir de forma significativa a necessidade de analgésicos, sobretudo em dores musculoesqueléticas crônicas. “Ela deve ser vista como um tratamento complementar, sempre alinhado ao acompanhamento médico quando necessário. Ela potencializa os efeitos de fisioterapia, exercícios terapêuticos, quiropraxia, massoterapia, terapias integrativas e manejo do estresse. Essa abordagem integrada promove resultados mais rápidos e duradouros. Ressaltamos a importância de qualquer terapia, mesmo que natural, possuir supervisão e orientação de um profissional especializado, para desta forma possa se obter o máximo dos benefícios, reduzindo possibilidades de incidências de efeitos indesejados”, reforça.
Apesar dos benefícios, há contraindicações, como processos inflamatórios agudos, infecções ativas, alterações de sensibilidade térmica, doenças vasculares graves sem liberação médica e algumas situações envolvendo gestantes. Por isso, a supervisão profissional é indispensável.
Ao longo dos 20 anos de atuação, Terezinha coleciona relatos de pacientes que conseguiram reduzir significativamente a dor após longos períodos de desconforto, retomar atividades diárias, melhorar o sono e reduzir o estresse.