Por trás de um professor existe muito mais do que aquilo que vemos diante de uma turma.
Existe alguém que chega sorrindo mesmo quando, naquele dia, talvez sua própria vida não esteja tão bem. Alguém que carrega preocupações pessoais, cansaço, contas, família, medos e inseguranças, mas que, ao entrar em sala, precisa estar inteiro para acolher os problemas, as dificuldades e os sonhos de tantos outros.
Ser professor sempre foi uma grande responsabilidade. Mas tenho a sensação de que, com o passar dos anos, fomos colocando cada vez mais coisas sobre seus ombros. Esperamos que ensine, eduque, acolha, motive, perceba dificuldades, resolva conflitos, compreenda comportamentos, domine tecnologias, adapte atividades, responda às famílias, acompanhe resultados e, ainda assim, permaneça paciente, disponível e sorridente.
E então me pergunto: quem cuida de quem cuida dos filhos dos outros?
Quando foi que começamos a cobrar tanto daqueles que educam e, talvez, reconhecer tão pouco aqueles que dedicam a vida à educação?
Quando penso em professores, inevitavelmente volto à minha própria infância. E é curioso como tantos anos podem passar e alguns nomes continuam guardados em um lugar especial da memória.
Lembro, como se fosse hoje, da profe Rosalina, do Jardim A; da Rosete, do Jardim B; da Márcia, no 1º ano; da Marisa, minha professora do 2º ano, que hoje já não está entre nós; da Terezinha, no 3º; da Silvana, no 4º. Depois vieram tantos outros, da 5ª série até a graduação e o mestrado.
Não lembro apenas daquilo que me ensinaram nos livros. Lembro do jeito de falar, das exigências, das broncas necessárias, dos incentivos, das personalidades. Alguns eram mais firmes, outros mais afetuosos. Todos tinham grandes qualidades e também suas fragilidades, porque professor, antes de qualquer título, é gente.
E talvez justamente aí esteja a beleza da profissão.
Eles não nos ensinaram apenas Português, Matemática, História ou Ciências. Ensinaram responsabilidade, respeito, persistência, limites e coragem. Muitas vezes acreditaram em nós antes mesmo que aprendêssemos a acreditar.
Naquela época, professor era uma espécie de herói. Era referência. Era aquele que, quando precisava, “puxava a nossa orelha” — e, anos depois, entendíamos que também aquilo era cuidado.
Muito antes das redes sociais, tivemos nossos primeiros grandes influenciadores.
Eles estavam dentro das salas de aula.
Talvez neste Dia do Professor, mais do que entregar uma lembrança ou escrever “parabéns”, devêssemos olhar novamente para quem está todos os dias diante de nossos filhos e lembrar que existe uma pessoa por trás daquele profissional que também precisa ser ouvida, respeitada, reconhecida e cuidada.
Porque quem escolhe ensinar ajuda diariamente a escrever o futuro de alguém.
E algumas dessas marcas, felizmente, nenhum tempo consegue apagar.




