Espirros em sequência e coriza são sintomas que Marcelo dos Santos, sommelier em Bento Gonçalves, conhece desde a adolescência. Com rinite alérgica, ele percebe que os dias quentes costumam ser mais difíceis do que os frios ou chuvosos. As crises podem durar cerca de dois meses, de forma contínua ou intercalada, e, nos episódios mais intensos, os sintomas chegam a atrapalhar sua rotina. “Em casos extremos geralmente quando há muitos espirros e coriza”, relata Marcelo.
A experiência não é isolada. Cerca de 30% da população brasileira tem rinite, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). Na primavera, a maior circulação de pólen e as mudanças nas condições ambientais podem agravar os sintomas de pessoas com predisposição alérgica. A rinite e a asma estão entre as doenças respiratórias que exigem atenção nessa época.
A pneumologista Francielle Moro Fuligo explica que a estação não causa essas doenças, mas pode favorecer o aparecimento de sintomas ou intensificar quadros preexistentes.
Gatilhos
Um dos fatores apontados para a piora das alergias na primavera é o pólen, partícula microscópica liberada pelas plantas durante o processo reprodutivo. Quando inalado por pessoas sensibilizadas, pode desencadear uma resposta inflamatória do sistema imunológico. “Essa reação provoca liberação de mediadores inflamatórios, como a histamina, causando sintomas como espirros, coceira nasal, coriza e obstrução nasal”, explica Francielle.
Em pessoas com asma, o contato com o pólen pode irritar e dificultar a passagem do ar pelos canais que levam aos pulmões. Isso pode provocar tosse, chiado no peito e falta de ar, explica a pneumologista.
O tempo também influencia os sintomas. Em dias secos e com vento, o pólen e outras partículas se espalham mais facilmente pelo ar. Já a umidade excessiva favorece o aparecimento de fungos e ácaros, que podem desencadear alergias. Mudanças de temperatura, poluição, fumaça e cheiros fortes também podem irritar as vias respiratórias e agravar os sintomas.
Sintomas
Na rinite alérgica, os sinais mais característicos são espirros repetidos, coriza geralmente transparente, coceira e obstrução nasal, além de coceira nos olhos e lacrimejamento.
Na asma, podem ocorrer tosse seca, chiado no peito e falta de ar. Segundo a pneumologista, a tosse pode se intensificar durante a noite, nas primeiras horas da manhã ou após a exposição aos desencadeantes ambientais.
As duas doenças podem coexistir. Por isso, a piora dos sintomas nasais também pode estar acompanhada de agravamento da asma, o que exige atenção ao conjunto das manifestações respiratórias.
Alergia ou gripe?
Coriza, tosse e nariz entupido podem aparecer tanto em crises alérgicas quanto em infecções respiratórias, como gripe e resfriado. Segundo a pneumologista Dra. Francielle Moro Fuligo, alguns sinais ajudam a diferenciar os casos.
Nas alergias, são comuns coceira no nariz e nos olhos, espirros seguidos e coriza transparente, geralmente sem febre. Os sintomas podem aparecer após o contato com substâncias como o pólen e persistir enquanto houver exposição.
Já nas infecções respiratórias, é mais comum haver febre, dor de garganta, mal-estar e dores no corpo. A secreção nasal também pode ficar mais espessa.
A médica ressalta que infecções causadas por vírus podem agravar a asma e ocorrer ao mesmo tempo que doenças alérgicas. Por isso, é importante buscar avaliação médica para identificar a causa dos sintomas.
Prevenção
Marcelo conta que procura evitar lugares com muito pólen e beber bastante água para lidar com a rinite. Ele também costuma deixar os antialérgicos à mão quando percebe os primeiros sintomas. “Quando percebo que os sintomas estão começando, já preparo os antialérgicos”, relata.
Para reduzir as crises, a pneumologista recomenda evitar ficar muito tempo ao ar livre em dias secos e com vento, quando o pólen se espalha com mais facilidade. Manter as janelas fechadas nesses períodos também ajuda a evitar a entrada dessas partículas em casa.
Depois de sair, trocar de roupa e tomar banho, se possível, ajuda a retirar o pólen da pele e dos cabelos. Dentro de casa, a orientação é limpar os móveis com pano úmido, evitar o acúmulo de poeira em tapetes e cortinas e manter os ambientes livres de mofo. Fumaça de cigarro, perfumes fortes e produtos de limpeza com cheiro intenso também podem piorar os sintomas. Os filtros do ar-condicionado devem ser limpos com frequência.
A lavagem do nariz com soro fisiológico também pode ajudar a retirar partículas e secreções, aliviando o desconforto.
Tratamento
As medidas preventivas não substituem o acompanhamento médico, especialmente quando os sintomas são persistentes ou recorrentes. A avaliação permite identificar os fatores desencadeantes e orientar o tratamento adequado para cada caso.
Para quem tem asma, Francielle reforça a importância de utilizar corretamente os medicamentos prescritos, inclusive os de controle nos períodos sem sintomas. Interromper o tratamento por conta própria quando há melhora pode comprometer o controle da doença e aumentar o risco de novas crises.
A pneumologista também alerta para os riscos da automedicação. O tratamento deve ser orientado por um profissional, pois os sintomas podem ter diferentes causas e exigir condutas distintas.




